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Uma história ainda sem titulo (parte6)

por Elisabete Pereira, em 10.06.18

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 Capítulo 6

Lucy

 

Mexo-me com desconforto na cadeira, e agora?! Se digo que o livro é meu posso ser expulsa de imediato, mas se digo que não é meu, ele apanha-me na mentira,por isso prefiro manter-me na defensiva:

-O que o leva a pensar que o livro é meu?

-Talvez por causa disto - diz ele com um pequeno sorriso enquanto folheava o livro e me mostrava o carimbo da biblioteca de Green bay - imagino que seja a única candidata dessa região.

-Sim é verdade, mas eu posso explicar tudo, eu não roubei o livro...eu...eu...

-Não tem de se justificar - diz ele com um aceno - não estou aqui para a condenar por causa de um livro "emprestado" da biblioteca, o meu motivo de a ter chamado aqui é outro, tem a ver com o que viu ontem á noite no jardim.

-Hum, desculpe...eu não tinha intenção de o fazer...mas...

-A culpa não é sua, a verdade é que houve uma quebra de segurança, e o meu irmão conseguiu fugir para o jardim...ele tem um problema de saúde ainda desconhecido, mas que basicamente por vezes o faz perder o controlo do próprio corpo e por isso tem de ser constantemente vigiado de perto, pode tornar-se perigoso para si mesmo...ou para os outros. Por isso é que não aparecemos tanto em público, imagine se a doença do meu irmão viesse a público, provavelmente ele teria de ser internado, e a nossa reputação abalada, poderia ser o nosso fim. Peço-lhe que guarde segredo sobre o que viu.

-E porque iria divulgar isso? Não tenho por hábito coscuvilhar a vida alheia, nem me passou pela cabeça faze-lo, sou uma rapariga honesta- ok, nem sempre, mas ele não precisa saber isso.

-Desculpe, mas eu tinha que me assegurar que este segredo não era revelado.

-Não se preocupe, não o farei - e como finalizando a nossa conversa, estendo o meu braço para pegar no livro que ele tem na mão e assim poder ir embora, mas o principe não tinha intenção de mo devolver - se me der licença alteza, tenho de ir.

Ele folheava o meu livro distraidamente , parecia completamente absorvido, acho que a dada altura nem deu mais conta de mim

-Estes Britânicos são engraçados, a maneira como conseguem manter o leitor preso á história...

-Já leu esse livro?

-Não, aliás nunca li nenhum livro desta autora, mas já li outros autores Britânicos...não sou muito dado a historietas românticas, não me leve a mal, mas não é um género que me atraia minimamente.

-Se assim é, acho que posso ter o meu livro de volta- digo enquanto me estico para chegar ao livro, mas ele tira-mo do meu alcance o que me faz ficar irritada- tenho a certeza de que não lhe irá interessar.

-Hum...talvez - diz ele enquanto se afasta de mim - mas isto é uma garantia...

-Garantia de quê?! - quase grito enquanto me levanto.

-De que não irá contar nada do que viu ontem á noite - respondeu ele no momento em que guardava o livro numa gaveta da secretária e a fechava á chave - não posso arriscar, há demasiadas coisas em jogo.

-Eu disse que não contava a ninguém!- gritei sentido-me insultada- sou uma pessoa de palavra!

-A última vez que confiei em alguém, isso quase tirou a vida ao meu pai! - repondeu-me ele encarando-me com um olhar intenso - Mas se quiser, pode regressar a casa neste preciso momento, a decisão é sua.

-Eu...eu...- de repente toda a minha coragem se desvaneceu, o meu irmão precisa de mim, tenho de engolir o meu orgulho - Muito bem, sua alteza ganhou.

O seu rosto suavizou-se um pouco, no fundo não eramos assim tão diferentes, ambos fazia-mos de tudo para proteger os nossos irmãos, aproveitei então para sair já que o assunto ficou esclarecido, fiz uma pequena vénia algo desajeitada e dirigi-me á porta, mas a minha curiosidade era mais forte e não sei porquê , deixei escapar a pergunta:

-Amava-a?

Ele estava de costas para mim, e como pensei que ele não ouvira a minha pergunta decidi sair, até que o oiço a falar:

-O que custa mais, é que apesar de tudo ainda a amo.

-Imagino que isto para si seja um grande sacrificio.

-Não mais do que o necessário-respondeu ele num encolher de ombros - o bem da nação deve ser maior do que os nossos caprichos.

-Entendo, mas se quer um conselho, deveria começar por aparecer mais, porque as restantes raparigas estão a começar a ficar histéricas sem a sua presença, daí a pouco começam a haver massacres, e um bando de mulheres em fúria num palácio não é coisa bonita de se ver.

Ele deu apenas uma gargalhada sonora, e eu também acabei por sorrir, fiquei contente por o ter animado com as minhas piadas, haja alguém que goste delas. E assim, saí da pequena biblioteca, mesmo a tempo de ir para a primeira aula.

                                                               *************************

Quando entro na sala, todas as raparigas já lá estão, Violett guardou-me um lugar á beira dela:

- Onde te meteste?- perguntou ela quando me sentei ao seu lado

-Perdi-me - minto - o palácio é enorme, parece um labirinto.

-É verdade- respondeu ela- ainda á pouco, esqueci de virar no corredor certo, e fui parar ás cozinhas.

-Deviam por umas placas de sinalização.-respondi a rir imaginando todo o palácio repleto de placas.

-Ia ser lindo de se ver - disse Violet reprimindo uma gargalhada.

Não tivemos muito mais tempo para conversar, até porque naquele momento uma mulher baixinha, e elegante estava á nossa frente com as mãos na cintura:

-Com que então, as meninas parecem estar muito divertidas, querem partilhar com o resto da turma? - ela tinha uma trança loira que lhe rodeava a cabeça como uma coroa, e uma voz doce e musical, parecia saida de um conto infantil, tirando o seu olhar, que fez-nos sentir umas meras formigas na sua presença -Bem me parecia, como estava a dizer antes de ter sido interrompida por estas duas damas, o meu nome é Agnes Valder, e sou perceptora particular da familia real, e durante a vossa estadia por cá, ficarei encarregue de vos educar de acordo com os modos de uma princesa, vão aprender de tudo um pouco, desde etiqueta até diplomacia, uma futura princesa deve ter as caracteristicas necessárias para saber desempenhar bem o seu papel, e eu irei certificar-me de que cada uma de vocês terá aprendido tudo correctamente, incluindo as meninas.

Nisto apontou apontou para mim e Violett, e nesse momento percebi que aquilo não iria ser nada fácil, e nas horas seguintes esse facto tornou-se realidade, aquela perceptora era um verdadeiro general de saias. No final do dia, estava tão cansada que decidi ir logo deitar-me sem antes jantar, e acabei por desabar na cama sem sequer ter trocado de roupa.

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publicado às 16:47



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