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Uma história ainda sem titulo (parte4)

por Elisabete Pereira, em 25.04.18

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                                Capítulo quatro

                                                        Lucy

 

A minha nova cama é enorme e fofa, mas mesmo assim não consigo adormecer, tenho demasiados pensamentos soltos na cabeça. Ainda ontem dormia na minha velha cama, no meu pequeno quarto, e não tinha uma criada para me ajudar a trocar de roupa, Claire, acho que era esse o seu nome, coitada, acho que ficou com medo de mim, mas eu apanhei um enorme susto quando entrei no quarto e vi alguém aqui dentro, por uma fracção de segundo pensei que fosse uma ladra e peguei no braço dela para a pôr fora dali antes que ela pudesse dar um ai, depois reparei no uniforme dela e percebi tudo, naquele momento só queria que um buraco se abrisse debaixo de mim, ela balbuciou o nome e disse mais qualquer coisa que não entendi, e de repente ficou um silêncio estranho, decidi dispensa-la, embora ela tenha protestado, mas eu insisti e ela foi embora, não a posso censurar caso ela não volte mais, paciência, também á muito tempo que aprendi a vestir-me sozinha.
Não sei que horas são, o meu velho relógio avariou pouco antes de vir para cá, mas mesmo assim gosto de o ter comigo, foi o meu avô quem mo deu, numa altura em que a pouca fortuna que ainda havia se resumia naquele relógio e pouco mais, foi o presente dele para a minha avó quando se casaram, e embora avariado, vale ainda bastante dinheiro, recebi-o quando fiz dez anos das mãos do meu próprio avô, ele fez-me prometer que nunca o venderia por mais dificuldades económicas que tivessemos, ele sabia das minhas actividades "menos legais" embora nunca me tenha condenado por isso e cumpri até hoje essa promessa, balanço o fino fio de ouro do relógio nas minhas mãos, e agito-o como fosse um pêndulo, enquanto penso no que fazer a seguir, ou pelo menos tentar esvaziar a mente.

Deve ser quase meia noite, levanto-me da cama e pego no livro que está na mesa de cabeceira, não consigo dormir, tenho muita coisa na cabeça, decido ir para a varanda do meu quarto, está demasiado calor, não sabia que esta zona do país era tão quente, uma aragem amena brinca com os meus cabelos quando abro as portadas da varanda, está tudo silencioso, o recolher obrigatório já foi á algumas horas, a própria cidade que se vê ao longe não tem uma única luz acesa, só se ouve os grilos, algumas luzes exteriores do palácio iluminam o enorme jardim que fica por baixo da minha varanda e um pequeno lago de peixes que fica no centro do jardim; pego no meu livro já bem gasto da biblioteca de Green Bay, a minha vila, e onde trabalhei vários Verões consecutivos, poenso em Thomas, o meu amigo de infância, este Verão foi de mudança para ambos, eu sou candidata a princesa de Eran e Thomas foi recrutado para a Guerra contra Vemion e Taris, nossos paises inimigos, pouco antes de ele partir, roubou este livro da biblioteca e deu-mo, eu não queria aceitar, mas era uma prenda do meu melhor amigo e além disso eu adoro este livro, acaricio com carinho o sêlo da biblioteca, a minha ligação a casa, retiro o marcador da página onde eu tinha parado e recomeço a leitura.

Estou tão absorta que nem me apercebo de movimento por debaixo da minha varanda, só um minuto depois é que dou conta que algo se move, a figura caminha de forma irregular pelo jardim, parece ser um miudo, mas não dá para ver bem,a figura pára próxima do lago de peixes que fica no centro do jardim, e atira-se para dentro do lago, embora não seja fundo, é o suficiente para alguém daquele tamanho se afogar, logo de seguida surge outra figura maior que corre em encalço da figura que está submersa no lago, esta puxa com dificuldade a figura mais pequena da água, e com dificuldade pousa-a no relvado, ambos estão caidos a recuperar o fôlego,naquele momento umrp raio de luar ilumina a cena e vejo o Príncipe herdeiro apenas com calças de pijama e em tronco nu, sinto o meu rosto a aquecer, quer dizer, até nem é mal parecido de todo,a figura mais pequena afinal é o irmão mais novo do principe, acho que se chama Noah, parece mais pálido do que aparecia na imprensa, parece algo frágil e pequeno para quem tem 12 anos.

A dada altura o mais novo aponta a minha varanda e diz:
-Está alguém a espiar!
Eu solto um gritinho de susto e deixo cair o livro da varanda, escondo-me logo atrás de um jarrão enorme da varanda, penso que não viram quem eu era, mas ainda assim, prefiro não arriscar, decido entrar no meu quarto de gatas para não me verem e fico atrás das cortinas da varanda, vejo que o principe herdeiro vai na direcção de algo que está no relvado, e percebo com terror que é o meu livro que deixei cair, completamente estarrecida vejo ele pegar no livro e observa-lo, depois dá uma espreita para cima na direcção de onde terá caido o livro e por fim vai embora com o meu livro numa mão e na outra segura o braço do irmão em direção ao interior do palácio. Solto o ar, nem tinha me apercebido que suspendera a respiração, e se fosse descoberta? Era expulsa na certa, embora eu não tenha feito nada de mais, mas sinto que vi algo que não devia, algum segredo talvez. Sei que não vou dormir nada esta noite, e nem o livro tenho agora para me entreter.

 

 ****************************************************

 

Á mesa do pequeno almoço ouvem-se murmurios de irritação, afinal, todas esperavam que a familia real aparecesse ao pequeno almoço como estava previsto, mas isso não se verificou, recebemos a noticia logo pela manhã, ainda não tivemos contacto desde que chegamos, com a familia real, a mim não me aborrece muito, mas desconfio que as outras raparigas em breve vão acabar por fazer um motim caso não avistem o principe, no entanto recebemos indicações que as aulas te etiqueta vão começar hoje de manhã, reviro os olhos ao ver o folheto com os horários das aulas , e eu que pensava que ser princesa se limitava a acenar e sorrir para a multidão. Enquanto como os meus cereais, oiço uma ruiva demasiado maquilhada o meu lado a cochichar com outra rapariga ao lado 

-É uma vergonha o que estão a fazer connosco, uma falta de respeito, perdi tanto tempo a me produzir para nada, este penteado durou quase duas horas a ser feito!
A outra rapariga anuiu em sinal de concordância.
Estou quase a terminar o pequeno almoço quando chega Violett a correr, e se senta num lugar vago ao pé de mim, exclamando:
-Terminei, demorei a noite toda, mas o resultado final valeu a pena.

-Estiveste a costurar até agora? - pergunto surpreendida- Para quê? 

-Estava sem sono e decidi adiantar trabalho-respondeu enquanto pegava numa torrada e a barrava com doce de laranja, quando reparou no meu olhar, emendou - Eu nunca durmo muito.

-Tu é que sabes o melhor para ti- digo enquanto me levanto- vou dar uma volta por aí, já que ainda temos tempo para a primeira aula, queres vir comigo?

-Não, estou cheia de fome, vou comer o que conseguir antes da aula.

-Ok, mas vê lá se não tens de ir a rebolar- ela dá uma enorme gargalhada em resposta.

Os corredores estão um pouco desertos, só alguns guardas estão nos seus postos de vigia, é um pouco estranho vê-los, sinto como se estivesse a ser observada, e isto ainda não é nada, quando as câmeras de tv chegarem vai ser mil vezes pior, imaginar que vou estar á vista do reino inteiro, faz o meu estomago se revirar.

Uma criada vem ter comigo e entrega-me um bilhete e vai embora, vejo o que está escrito no papel, não conheço a letra, mas é muito bonita, diz no bilhete para eu ir até á pequena biblioteca que fica do lado direito da escadaria principal, mas quem é que se quer encontrar comigo? Fico apreensiva com aquilo mas rapidamente chego lá, e bato á porta antes de entrar naquele espaço, e fico logo de boca aberta, embora a divisão seja relativamente pequena, está praticamente forrada de livros em prateleiras que dão ao tecto, o pouco espaco que resta das paredes está ocupado por mapas do que parece um  país, mas não reconheço os nomes de cidades lá escritos, há uma parte que me parece familiar, parecem ser do tempo em que Eran ainda não existia, serão dos antigos Estados Unidos da América?

Quando eu era criança a minha mãe contou-me que o nosso reino já tivera outro nome antes, nessa altura ainda não havia sido dividido em três,e que não havia monarquia, houve um tempo em que o nosso país fora muito poderoso mas que o último presidente decidira acabar com todas as alianças que tinha com outros países e assim, isolado e sem apoio, o país foi atacado por inimigos e práticamente acabou na ruina, a guerra civil tomou todo o pais, e assim começara uma era de terror que duraria vários anos, até que através de uma aliança entre os líderes das várias regiões chegaram a um acordo e nomearam um rei, um corajoso capitão e heroi de guerra, Lucius Newfort seria assim o primeiro rei do rebatizado país da Nova União Americana, mas a paz duraria pouco tempo, o povo estava descontente, não havia comida suficiente, e as doenças matavam principalmente os mais pobres, a violência nas ruas vitimava cada vez mais inocentes, então um golpe de estado trouxe um novo rei, Alexander, conhecido como o sanguinário devido á violência em que conduziu o seu reinado, embora assim tenha conseguido silenciar quem se opunha ao seu regime. Aparentemente as coisas correram bem até á terceira geração a seguir a Alexander, o rei Ferdinand casara bastante tarde,e a sua esposa teve dificuldade em dar-lhe um herdeiro, até que ela deu á luz trigémeos, mais tarde o rei viu-se na obrigação de dividir o seu reino em três, porque nenhum dos filhos estava disposto a perder o lugar de herdeiro do trono e por isso....

-Lucy Brown, certo?! - sou interrompida dos meus pensamentos por uma voz que vem próximo de uma pequena janela, e é ai que noto que o principe Peter devia já estar a observar-me á um tempo- Podemos conversar?

-Claro - respondo de imediato, ele faz um gesto para que eu me aproxime e me sente próxima da secretária onde ele está- posso saber qual o motivo?

-Sim, pode - de imediato vejo que ele tem o meu ficheiro na secretária, e tenho um mau pressentimento que se confirma quando ele me estende um livro que reconheço de imediato - este livro é seu?

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publicado às 17:28



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