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Uma história ainda sem titulo (parte 12)

por Elisabete Pereira, em 10.09.18

Capítulo 12

 

Jane

 

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A reunião de véspera foi bastante produtiva, o plano finalmente vai entrar em marcha, se as coisas correrem como planeamos a revolução vai começar, mas ainda assim, estou um pouco apreensiva com uma parte do plano, tem tudo para correr muito mal, mas os outros elementos não concordaram com a minha observação e mantiveram as coisas como estavam. Dou uma vista de olhos na sala dos computadores, para esconder a minha ansiedade:

- O palácio está a fervilhar com o regresso do rei - Ted está visivelmente animado a olhar para os monitores - Assim ninguém dará conta de nada.

- Espero bem que sim...- digo enquanto olho para um dos monitores - Mas honestamente, algo me diz que as coisas podem não vir a correr exactamente como queremos.

- O que é que te está a preocupar Jane? - Ted olhou surpreendido para mim - O plano é perfeito.

- Não confio no Higgins e no companheiro dele - Ted sabe que aquilo me incomoda, aliás ajudou-me a investigar o Higgins depois daquele escândalo que quase acabou com a nossa organização - Sabes perfeitamente que ele não é de confiança.

- Outra vez a mesma história? - Ted revira os olhos exasperado - Deixa-te de coisas Jane, sabes perfeitamente que isso não deu em nada, não há provas.

- Eu sei que não há provas, mas o comportamento dele naquela época foi bastante suspeito, se eu fosse o "Chefe" tinha-o expulso.

- Ele é mais perigoso para nós caso viesse a ser expulso, ou achas que ele não ia dar com a lingua nos dentes sobre o grupo? Seria o nosso fim, é mais inteligente mantê-lo do nosso lado.

- Mesmo assim, não gosto da importância que ele tem na concretização do plano.

- Estás a fazer uma tempestade num copo de água. Eu também não morro de amores por ele, mas tens de concordar que ele até é útil, dá-lhe o benefício da dúvida.

- Veremos...- largo a cadeira ligeiramente aborrecida, esperava pelo menos ter o apoio de Ted, mas já vi que estou sozinha nisto - Porque sinceramente não quero ter razão neste caso.

Cá fora encontro Rafeiro com ar de quem foi apanhado em flagrante, sei perfeitamente que deve ter tentado escutar a nossa conversa, embora tente disfarçar o que fez, no entanto não estou minimamente preocupada, é escusado alguém querer ouvir alguma coisa, pois a sala tem um bom isolamento de som:

- Então miúdo? Não sabes que é feio estar a ouvir a conversa dos outros? - digo com um sorriso no rosto - Sabes perfeitamente que não vale a pena tentares enganar-me.

-Não é isso Jane, quer dizer....desculpa, é um velho hábito...- ele estava visivelmente envergonhado pelo seu comportamento - Não torna a acontecer.

- Não prometas aquilo que não podes cumprir, mas fico contente por te teres apercebido do teu erro, já é um progresso.

- Posso fazer alguma coisa para ajudar? Vi ontem aquela malta toda por cá e pensei que...

- Primeiro, isto são conversas de adultos , não são para ser partilhadas com mais ninguém, segundo, não te quero ver metido em confusões, a não ser que queiras a voltar a ter problemas com a Amy.

-Mas Jane, eu não tenho nada que fazer aqui,deixa-me ajudar nalguma coisa, além disso aquilo com a Amy foi um engano, eu não sabia que aquela coisa disforme e desbotada, era o urso de peluche que a mãe lhe tinha dado pouco antes de morrer...

Por um lado, até que não seria má ideia ter alguém como o Rafeiro de vigia, só para verificar que tudo corre como planeado, ele é suficientemente ágil para permanecer praticamente invisivel, mas tenho que ter cuidado para que ninguém descubra.

- Sabes uma coisa? - digo enquanto lhe dou uma palmadinha no ombro - Preciso que me faças um favor, mas tens de ser discreto.

- A sério Jane? - os olhos deles brilham de alegria - Eu faço qualquer coisa, basta dizeres!

*************

Anoiteceu mais rapido do que eu contava, estou sentada num ramo de uma das " árvores de aço " á várias horas, distraidamente balanço a minha navalha por entre os dedos, os meus pensamentos estão bem longe, mais propriamente no palácio real, a esta hora, os infiltrados já devem estar quase a assumir os seus postos, o sol põe-se o que dá uma atmosfera quase vermelho sangue á paisagem, só espero que não seja um mau pronúncio, mas uma revolução normalmente requer sacrifícios. Se as coisas correrem bem, daí a pouco o Rafeiro deve conseguir localizar a carrinha do Higgins, e assim que o fizer, irá avisar-me através do walkie talkie que lhe entreguei.

Está a ficar fresco, e por isso resolvo voltar para a sala dos monitores, Ted acena para que eu ocupe a cadeira ao lado dele, verifico as imagens em movimento, á espera do sinal que um dos infiltrados vai enviar, e assim sabermos que a revolução vai começar, o meu coração bate fortemente enquanto pego no radio e nos headphones que estão ao meu lado para alertar a base do inicio das operações.

-Jane ali! - Ted aponta para um dos monitores ao fim de cinco minutos - O sinal foi dado, alerta a base.

-Certo! - nervosamente falo pelo rádio - Casa da árvore, para gruta do dragão... escuto, escuto...temos indicação do sinal, o cavalo de troia vai entrar.

Segundos depois de estática, oiço a resposta do outro lado :

- Daqui gruta do dragão, informação obtida, escuto... que prossigam as operações ... fim da emissão...

Retiro os headphones, e suspiro, Ted olha para mim com ar triunfante, respondo com um pequeno sorriso, mas não me sinto tão optimista como ele, mas neste momento só me resta cruzar os dedos para que tudo se desenrole como queremos.

 

 

 

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publicado às 16:41



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