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Uma história ainda sem titulo

por Elisabete Pereira, em 11.02.18

Eu tenho uma imaginação muito fértil , gosto de sonhar acordada, e é nessas alturas que algumas histórias vêem ter comigo, muitas sao apenas pequenos fragmentos muito frageis e que rapidamente se desvanecem (vão directamente parar ao lixo), raras vezes surgem historias suficientemente consistentes e com capacidade para serem levadas até ao fim, mas esta é uma delas. Tudo começou com Charlotte, uma jovem um pouco impaciente e altiva que quis começar a contar esta história, eu aceitei e ela foi começando a desenrolar o novelo da história.

 

scott-walsh-350171.jpg

(Ainda sem título)

Capitulo1

 

 

Charlotte

Ainda não acredito no que está a acontecer, parece um longo pesadelo, o meu pai nunca faria aquilo contra o rei, a nossa familia sempre foi leal ao reino e ao nosso soberano, os nossos antepassados combateram para proteger a familia real, doaram o seu sangue e as suas vidas em nome dessa causa! Eu sei que ele foi apanhado com a espada ensaguentada nas mãos e o rei caido de bruços ao lado dele, mas ele afirmou que apenas tirara a espada das costas do rei, ninguém acreditou nele, até porque a única pessoa a poder confirmar, estava inconsciente a seu lado, e assim, foi levado como um reles bandido a tribunal, foi duro de o ver naquela situação, nunca tinha visto tão derrotado, tão exposto, foi uma humilhação! E o Peter?! Durante todo o julgamento ele nunca olhou para mim, manteve o olhar impassivel, mas eu conheço-o, sei que o que ele sente por mim, e isso não desaparece assim, é só uma fachada, ele tem de manter a postura como principe herdeiro, dar o exemplo, mas ainda assim doi muito, doi não poder ter o abraço dele e ele me dizer que vai correr tudo bem, doi vê-lo tão distante de mim. Tinha esperança que o meu pai fosse absolvido, mas não, deram-lhe pena de morte, com ordem de ser executado em praça pública daí a seis meses, a partir daí não ouvi mais nada, quando dei por mim, estava a acordar num espaço desconhecido, percebi que era a enfermaria do palácio real, ao meu lado estava a rainha, ela olhava para mim com um misto de preocupação e pena, ela e eu sabiamos que tudo estava acabado, não havia retorno, eu teria de ir embora, na minha mente imagens fluem em sucessão: quando conheci o principe tinha eu 11 anos e eu ainda nao usava vestidos nem joias e aínda subia ás árvores, e lhe dei um murro quando ele tentou me beijar,  apesar disso ficamos amigos, e com o tempo a amizade evoluiu para namoro e mais tarde no pedido formal de casamento, esse foi o dia mais feliz da minha vida,e como manda o protocolo, fui viver para o palácio na ala da princesa, aí fui aprendendo os ritos e a etiqueta para me tornar princesa e mais tarde rainha. Entretanto começaram os preparativos para o casamento, a primeira prova do vestido, o vestido que nunca irei usar,as aparições oficiais com a familia real, o baile da Primavera, em que eu e o Peter abrimos a pista de dança com uma valsa, naquele momento senti que eramos o par perfeito, eramos um só e o mundo parecia ter parado, eu estava tão feliz. Até que naquela fatidica madrugada tudo se estilhçou em mil pedaços, quando fui acordada aos solavancos pela minha criada, e esta me vestiu apressadamente sem olhar para mim, parecia ter visto os olhos dela vermelhos e inchados (estaria a chorar?) no fim fez algo que nunca havia feito, deu-me um beijo no rosto e saiu do meu quarto, entretanto guardas entraram no meu aposento, fiquei atónita com aquilo, não entendi porque me invadiram o quarto, até que um deles leu uma folha em que dizia que o meu pai foi apanhado em flagrante em acto de grande traição contra o rei e a coroa, nisto fui escoltada por eles que me levaram até ao tribunal que ficava próximo do palácio.

Chorei tanto naquela enfermaria, os meus sonhos desfeitos a injustiça contra o meu pai, a rainha foi bondosa e deixou-me ficar uma semana no palácio até ter a minha vida em ordem e partir, fui para uma ala mais afastada do pálacio e proibida de me encontrar com a familia real. Hoje é o meu último dia aqui, disseram que eu podia sair pelas traseiras se quisesse, mas eu não sou nenhum rato, não vou fugir como se fosse uma criminosa, o meu pai está inocente e eu vou prová-lo, ainda não sei como, mas vou fazê-lo. Acabo de retocar a maquilhagem ao espelho, dou uma olhada geral, estou incrível, apesar de tudo o que se abateu sobre mim, o vestido azul faz um bom contraste com a minha pele clara e o meu cabelo loiro, termino a indumentária com um chapeu de abas da mesma cor do vestido, pego na minha malinha que está em cima da cama e saio do quarto, sei que ninguém se irá despedir de mim, mas ainda tenho esperança de que Peter ainda me venha ver uma ultima vez, os meus pensamentos são interrompidos por uma algazarra de vozes femininas vindo do hall de entrada, dou um suspiro,um peso se abate sobre mim, são as candidatas para casarem com o príncipe herdeiro,o meu Peter... sei que é o protocolo,interiorizei isso durante toda a semana, acreditava que estava preparada para as enfrentar sem me afectar, mas ainda assim....

O hall de entrada estava repleto de raparigas de mais ou menos da minha idade, deviam ser umas trinta, uma por cada região do nosso reino, assim funcionava a lei, o principe herdeiro teria de se casar antes de ser coroado rei, o rei é coroado no dia em que faz 21 anos, é assim a lei, ele pode escolher quem quiser, mas se até 3 meses antes da coroação não encontrare ninguem com quem se queira casar, a "selecção da princesa" torna-se obrigatória, uma rapariga por cada região será escolhida por um grupo especial de homens ligados á coroa, e nas semanas seguintes vão sendo descartadas até restar aquela que será a futura rainha.

O meu coração aperta, por um instante penso que perdi Peter para sempre, mas eu ainda estou na luta,é só uma retirada estratégica, eu serei a futúra rainha e esposa de Peter, essas miudas não irão ganhar a mim, Charlotte Halle, filha dos duques de River Castle, e futura soberana de Eran.

No meio de tudo isto, uma das raparigas esbarra em mim, distraida observando em toda a volta.

-Cuidado!!!- grito-lhe irritada, observando o seu vestidinho completamente sem graça e fora de moda, provavelmente o vestido é de alguma irmã mais velha, e acrescento com desdém enquanto ela murmura um pedido de desculpas enquanto olha para o chão envergonhada.

-Não te vás acostumando a este lugar queridinha, o teu lugar não é aqui!

-Veremos!!-respondeu ela encarando-me determinada, com um sorrisinho no rosto, reparo que apesar da aparência algo desleixada que é uma rapariga muito bonita, seria até uma boa rival para mim,mas ela não tem hipótese, Peter ama-me.

Somos interrompidas por um dos mordomos do palácio:

-Menina Halle, os seus pertences estão no carro e o motorista está pronto para a levar para casa- Mais uma alfinetada no meu orgulho, já não sou mais "sua alteza, futura princesa Charlotte", sou apenas mais uma daquelas raparigas ali.

-Estou pronta- respondo com um ultimo laivo de dignidade, e viro costas á rapariga que me encarou e entro no carro, onde posso desabar sem ninguem ver.

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publicado às 17:06



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