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The book of stories

Um blogue que é o meu reflexo, e onde, as pequenas e grandes histórias têm lugar

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Sex | 28.12.18

Um texto em formato de "roupa velha"...ou restos

Elisabete Pereira

 Agora que ainda estamos em época natalícia, deixo-vos um texto que criei há algum tempo, que era para ser para um outro projecto, que acabou por não se realizar, e como não estou muito inspirada em escrever, deixo este texto de humor em jeito de "roupa velha".

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Entrevista com alguém que teve um encontro imediato com um extra-terrestre

 

Jornalista -Hoje temos em entrevista o senhor Armelindo Peçonha, da aldeia de sacho grande , que teve um encontro imediato com um extra-terrestre. Diga-me senhor Armelindo, como foi que tudo aconteceu?

Entrevistado -Desculpe, mas em qual canal de televisão vai aparecer a entrevista?

Jornalista -Isto é para um programa de rádio, não vai aparecer na televisão.

Entrevistado -Ora bolas, e eu que decidi tomar o meu banho mensal mais cedo porque pensava que ia aparecer na televisão, cheire lá o meu pescoço, despejei um frasco de perfume da minha mulher e tudo.

Jornalista-Pois, peço imensa desculpa, mas…e sobre o extra-terrestre?

Entrevistado -Ah, sim, isto aconteceu á cerca de dois dias, ia eu pelas terras do ti Amâncio, porque já era tarde, e acabei por ficar na tasca até mais tarde, e para a minha mulher não descobrir, decidi ir por um atalho, e foi quando de repente vejo um clarão, viro-me e vejo o e.t. á minha frente.

Jornalista -E teve medo?

Entrevistado -Não menina, eu já vi muita coisa nesta vida, até já cheguei a ver uma batata com a cara da minha falecida sogra! Por isso aproximei-me e…

Jornalista-E?

Entrevistado -O e.t. falou comigo.

Jornalista -E o que lhe disse?

Entrevistado -Disse…muuuuuuu!

Jornalista -Muuuuu?!

Entrevistado-Sim menina, era uma vaca extra-terrestre.

Jornalista-Isso não existe!

Entrevistado -Existe sim senhor! Ou acha que lá no espaço também não existem animais extra-terrestres? Como é que acha que os homenzinhos verdes se alimentam, é muito provavel que até haja vegetais extra-terrestres.

Jornalista -Mas porque diz que a vaca era extra-terrestre, poderia ser perfeitamente a vaca de algum vizinho.

Entrevistado -Ó menina, eu conheco todas as vacas da vizinhança, e aquela era diferente de todas as vacas.

Jornalista -E porquê?

Entrevistado -Porque era verde e tinha antenas, ora toda a gente sabe que se algo tem antenas e é verde, é porque é extra-terrestre!

Jornalista -Claro que sim…e depois, o que aconteceu?

Entrevistado -E depois nada, a vaca ficou parada a olhar para mim, mas a tipa não me engana, ela devia estar a sondar-me para enviar informações para os mestres dela.

Jornalista -E porque acha isso?

Entrevistado -Já viu a minha figura? Eu sou um homem, digamos, bem apessoado, desde a pança até ao nariz vermelho e o proprio bigode, é óbvio que me querem clonar.

Jornalista -Pois, muito provavelmente….e mais?

Entrevistado -Olhe, não, me lembro…sabe, é que nesse dia estava com um grãozinho na asa, e apaguei, só sei que acordei horas mais tarde, e de cuecas…acho que a vaca levou a minha roupa…

Jornalista-Muito interessante. Mas imagino que por causa da sua experiência, agora deve ser uma pessoa popular na sua aldeia,

Entrevistado-Nem por isso, olhe, a minha mulher diz que são desculpas da minha bebedeira, e que se volto a chegar tarde, que me tranca a porta de casa, e lá tenho novamente que dormir na casota do cão, e sabe, aquilo é um bocado apertado para dormir, e as pulgas…

Jornalista -Lá isso é verdade...e os seu amigos?

Entrevistado -Também não acreditam em mim, mas eu sei que é tudo inveja.

Jornalista -E porquê?

Entrevistado -Olhe, por exemplo o meu vizinho Ernesto, teve a lata de dizer que a vaca não era extra-terrestre, que era uma vaca dele, e eu disse-lhe, ai é, e desde quando tens uma vaca verde com antenas, volta e meia tinhas escondida em algum lado não?!

Jornalista -E ele?

Entrevistado -Ele disse que foi por causa de uma festa temática que fez naquele dia, e que tinha pintado a vaca de verde e posto umas hastes de marmeleiro na vaca, teve até o desplante de me mostrar a lata de tinta…mas eu perguntei, e o clarão? Sabe o que ele me respondeu?

Que eram os farois do trator, porque a vaca tinha fugido dos terrenos dele e que ele foi atrás dela de trator.

Jornalista -E você acreditou?

Entrevistado -Claro que não, eu não me deixo enganar tão facilmente, e por isso perguntei, olha lá, então porque é que acordei horas depois em cuecas? E ele disse, que isso fui eu que a dada altura tirei a roupa e que comecei a correr atrás da vaca em cuecas, e de repente ela deu-me uma cornada, e eu desmaiei…

Jornalista -E acha que foi o que aconteceu?

Entrevistado -Não, ele disse isso só para disfarçar, eu desconfio que ele faz parte deles.

Jornalista -Deles?

Entrevistado -Dos E.T.s pois está claro! Ele está cá disfarçado para enganar toda a gente.

Jornalista -E porque diz isso?

Entrevistado -Porque á uns tempos apanhei-o com um anjo, e ele tentou arranjar uma desculpa.

Jornalista -Um anjo?

Entrevistado -Sim,sim, ele depois disse que era uma boneca insuflavel,mas que eu saiba as bonecas insufláveis não voam, e aquela voou, vi com estes olhos que a terra há-de comer.

Jornalista -E como foi isso?

Entrevistado -Eu estava a passar pelas terras do ti Amâncio, quando de repente vejo o Ernesto todo nu atrás de um arbusto a fazer uns barulhos esquisitos e de repente vi o anjo voar dos arbustos e ir cada vez mais alto…

Jornalista -Hum….Já deu para entender tudo senhor Armelindo, que história tão interessante, mas o nosso tempo já acabou, passo agora a emissão para o estúdio de rádio.

Entrevistado -Oh menina, mas olhe que eu ainda tenho muita coisa para contar…menina, oh menina não fuja…olha e não é que fugiu mesmo?! Não percebo, enfim ninguém me entende, bem…vou para a tasca do ti Manel, tenho é que ter cuidado com a minha mulher... se ela sabe, volta a correr comigo de casa com a vassoura.