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A Alegoria de quatro irmãs

por Elisabete Pereira, em 12.07.18

Numa dança equilibrada sobre os meses do ano, 

quatro irmãs dirigem as suas diferentes funções com muito encanto. 

Todas elas diferentes entre si, mas inseparáveis entanto. 

Desfilam cada uma por sua vez, cada uma com grande graciosidade. 

 

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Em primeiro chega a Primavera, criando por onde passa belas flores, 

e é acompanhada e por pássaros de várias cores. 

A vida brota das suas mãos numa dança de luz e côr

Coloca em tudo o que faz muito empenho e amor

 

 

 

 

 

 

 

artflow_201807021707_1.pngA seguir chega Verão,

no ar existe um

cheiro a mar, a férias e muita diversão. 

Ela brinca com os peixes do mar, faz colar de conchas, 

traz consigo os longos dias de sol, das brincadeiras sem fim, o sussurro das ondas. 

 

 

 

 

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A terceira a chegar é Outono, 

Ela colhe as frutas maduras, despede-se das andorinhas que vão para terras distantes,

Á sua passagem, ela varre a paisagem de folhas esvoaçantes.

Vermelho, amarelo e castanho são as cores da estação.

É hora de regressar á escola, tempo das castanhas assadas e das vindimas, das conversas ao serão. 

 

 

 

 

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Por fim chega a última irmã, Inverno, com

passos bem firmes,mas leves,

traz o frio e a neve,

as árvores ficam despidas á sua passagem,

os animais vão hibernar, reina o silêncio na paisagem.

Até que ela anuncia a luz, o nascimento.

É Natal!  Tempo de reunião familiar, das histórias á lareira, de partilhar um feliz momento. 

 

 

Dentro em pouco regressa Primavera, Verão, Outono e Inverno novamente, numa dança sincronizada, estas quatro irmãs são rainhas do tempo.

E neste movimento cíclico de estação em estação, elas ditam tanto a morte como o nascimento. 

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publicado às 00:39


Balada da sociedade pastilha elástica

por Elisabete Pereira, em 22.05.18

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Lá vêm eles em barda

A multidão surge esfomeada

Uma das mãos no volante, a outra no smartphone

Não interessa o que a comida é, fatura!? Sim senhor, é logo para tirar

Alguns deles lá vêm com a nota a acenar.

Nem olham para quem os atende, não interessa, tem que dar um like no video do cone.

 

Chegam com pedidos algo inusitados, sem molho!! Bem assado!! Batata estaladiça e a ferver!!

Mas nem fazem noção do que comem, e dizem "quero aquela coisa verde que aí fazem"

Recebem a sua encomenda enquanto afirmamos freneticamente que o seu pedido está conforme o que exigem

Coitados, pensam que sabem o que levam...

Mas o que interessa é que vão com o ego cheio, de quem cumpriu o seu dever.

 

Destilam, e regurgitam ressentimentos do dia-a-dia, e não interessa quem os recebe

É preciso deitar fora, como horrível pastilha elástica, de sabor decadente

A sociedade lá segue, de forma conveniente

Sem pensar, sem reagir, apenas seguir a manada

E amanhã será assim novamente...pois é assim que a lei manda

Da sociedade pastilha elástica, que usa, mastiga, e no fim atira fora...sucessivamente.

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publicado às 17:19


A Diva dos saquinhos

por Elisabete Pereira, em 11.05.18

Existe por estas bandas uma figura fora do normal

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Adora ficar no seu canto a dobrar saquinhos

Com voz de galinha a beber elixir matinal

Demonstrando falso ar bonzinho.

 

A criatura de aspecto exótico, tem estranha condição 

Sempre que diz uma mentira, cai um dente ao chão

Também faz uma boa figura de imitação

Sempre que dás um passo, ela dá três (só por diversão?Não).

 

Porque para ela, tudo é competição

Se tu fazes alguma coisa, ela faz igual...mas mal

Tu és vista como sua adversaria, és um alvo a abater, é a sua missão.

Tem que ser melhor do que tu, também quer tentar ser original.

 

Mas minha menina tem cuidado, porque como Diva dos saquinhos

Ao subires no pedestal do primeiro lugar

Não tropeces no salto alto

Porque não te vão ajudar a levantar

Fica a lição: ninguém gosta de quem é artificial e se acha melhor do que os outros.

 

 

 

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publicado às 17:34


Um País que chora sobre uma bandeira de sangue

por Elisabete Pereira, em 21.03.18

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Do outro lado do mar

Um País irmão é novamente abalado

Tiros se ouvem de fundo...

...e mais alguém foi silenciado!!

 

Mais uma vítima de invisível gangue

Na selva urbana da cidade maravilhosa

É mais um que cai!

Num imenso banho de sangue!!

 

 

Perseguem os justos, os que denunciam

Aqueles que não se calam, aqueles que gritam

De forma vil e cobarde se escondem nas sombras

Para ceifarem as vidas das suas vitimas

 

É um País que chora e que de luto se veste

Está a ferro e fogo em clima agreste!

Uma batalha urbana já se avista...

...mas não é com armas que a paz se conquista!! 

 

(Porque infelizmente no espaço de uma semana, mais uma pessoa faleceu de forma semelhante a Marielle Franco, e por isso este poema serve de homenagem a Paulo Teixeira e outras vitimas anónimas que tem assolado o Rio de Janeiro nos últimos tempos.)

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publicado às 19:00


É Primavera!! Ou quase.

por Elisabete Pereira, em 20.03.18

Oiço os pássaros a chilrear artflow_201803201507.png

Vejo as flores desabrochar

Por todo lado as árvores têm folhas a despontar

É a Primavera a chegar!!!

 

As andorinhas já regressaram de terras distantes

Como nómadas viajantes.

Mas...

 

...o tempo anda ao contrário

Os montes ainda têm neve

E está um frio do catano!!!

 

Ninguém diria que hoje começa a Primavera

Com as coisas desta maneira

Como se connosco brincasse

Até das minhas alergias já sinto saudade!

 

Se alguém por aí a vir, que lhe diga por favor

Que está atrasada, e que assim a vida não tem côr

Cada estação tem o seu momento certo

E que o tempo do Inverno já terminou

Para dar lugar á Primavera...que ainda não principiou!!

                                                                               

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publicado às 19:58


Rosa negra em campo selvagem

por Elisabete Pereira, em 18.03.18

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Com coragem invulgar, ergues a tua bandeira

Denuncias o que está errado, e lutas á tua maneira

O teu objectivo é melhorar a vida dos que te rodeiam

Ser uma voz contra a maré.

 

Mas um dia decidiram calar-te para sempre

Ceifaram a tua vida precocemente

Aqueles que deveriam proteger

Viraram-se contra ti friamente

E sem arrependimento contra ti dispararam

 

A tua luta nunca será esquecida 

Os teus objectivos nunca serão ignorados

Porque novas bandeiras se levantam

Porque unidas nunca nos calaremos

E todas juntas lutaremos

E em tua memória também nós nos erguemos.

 

Como rosa negra deixaste a tua marca

Em campo selvagem fizeste a tua batalha

Com rudeza a tua vida foi arrancada

Mas as tuas sementes, ao vento foram lançadas

E um dia em campo selvagem serão também germinadas

E mil rosas surgirão, e mil rosas lutarão

E por fim todas elas vencerão 

Porque por ti foram inspiradas.

 

(homenagem á activista Brasileira Marielle Franco, que foi assassinada esta semana)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 11:35


Borboleta numa cadeira de rodas

por Elisabete Pereira, em 17.03.18

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De alma frágil e gentil,

surge na multidão deslizando numa cadeira de rodas de forma subtil

Tal singela figura, passa despercebida por toda a população 

Ninguém repara na sua graciosidade mesmo naquela condição. 

 

Nisto, ela vem ter comigo, sou tocada pelo seu brilhar

Ela pergunta quase num sussurro se eu a posso ajudar

Ajudo-a como posso com o meu jeito desajeitado

Ela sorri do meu pedido de desculpa atrapalhado.

 

No final coloca uma moeda na minha mão como pagamento

Como posso aceitar, se a minha ajuda foi feita com bom fundamento? 

Digo, "obrigada, mas não posso aceitar, 

mas, se um dia precisar, eu posso voltar a ajudar." 

 

Cada uma segue a sua direcção 

Vejo-a desaparecer na multidão

Num passo de magia, ela se evaporou

Como uma borboleta, ela abriu as asas e voou.

Com graciosidade na sua cadeira de rodas,pelo meio das pessoas ela deslizou. 

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publicado às 11:09


Um anjo especial

por Elisabete Pereira, em 10.03.18

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De porte imponente no jardim da grande cidade 
ergue-se bela figura tornada realidade
Suas asas de ouro refletem a luz com intensidade
Na mão direita, segura uma espada com joias cravejadas, 
na esquerda duas estrelas de latão em dourado pintadas

Mas um dia grande tempestade se abateu E a bela estátua em milhares de pedaços se converteu. Foi grande a tristeza, mas rapidamente a dor desapareceu. Com o passar dos anos o povo esqueceu Que uma bela estátua, ali permaneceu. Num dia de Natal, pobre criança que por ali brincava Viu que no meio da folhagem algo cintilava. Duas estrelas encardidas de latão, era o que lá se encontrava Muito feliz com seu achado, para casa correu E uma das estrelas ao seu irmão ofereceu. E disse-lhe, que afinal o Pai Natal, deles não se esqueceu Ele apenas, as prendas deles ,naquele jardim escondeu.

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publicado às 12:41


Amor de vidro

por Elisabete Pereira, em 22.02.18

Quando sinto o vento no meu rosto, lembro das tuas palavras

De como envolviam a minha alma, de como aqueciam o meu coração 

Como frágil vidro, um dia se partiu no chão 

Deixando os estilhaços espalhados por aí, não sobrando mais nada.

 

Fragmentos se alojaram na minha alma

O teu falso amor me infectou

Deixou um vazio que no meu coração se alojou

Um frio de alguém que já não ama

Mas que apenas sobrevive mais um dia que passa.

 

Um dia espero que encontres alguém 

Que a ames como um dia eu te amei

E que ela faça, como tu fizeste também 

E que te deixe, arrasado, magoado, como eu fiquei.

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publicado às 17:24


Dançando sob o abismo

por Elisabete Pereira, em 21.02.18

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...um,dois,três,e eis que a bailarina surge resplandecente.

Com o seu vestido tecido de estrelas, ela sorri suavemente.

E de repente sob a trave que atravessa o abismo, dança graciosamente.

A multidão capta a sua performance surpreendente.

 

...mas já alguém parou para pensar nela?

Ninguém pensa no sofrimento por detrás de sua dança bela.

Ninguém compreende a dor escondida por ela...

 

E por fim...a sua dança termina.

E ela desaparece pela cortina...

O seu rasto desaparece como neblina...

 

Amanhã mais uma vez

A sua dança irá continuar

E depois de amanhã, para sempre...um, dois, três...

 

 

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publicado às 22:16


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