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The book of stories

The book of stories

Sex | 23.11.18

Os "tesourinhos" do dia-a-dia

Elisabete Pereira

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Posso dizer que sou um pouco privilegiada pelo facto de ter contacto com o público diariamente, não o digo só por me aparecerem á frente pessoas simpáticas, aliás essas são infelizmente em menor número do que as outras, mas sim por causa da quantidade de aves raras que já atendi. Eu pensava que aquelas personagens de novela (ou dos reallity shows) só existiam na ficção, mas não, descobri que elas andam aí na vida real tal como todos nós, (mas também quem vive de comida de take way só pode ser um grande "personagem"), mas enfim, já vi coisas que se calhar se estivesse num emprego frente ao computador das 9 ás 5 não veria, e não teria assim material nem inspiração para escrever, um bem haja para essas pessoas por isso. 

No meu local de trabalho existem duas possibilidades de levar comida, no balcão do take way, ou se a pessoa preferir, dirige-se de carro até a uma janela do estabelecimento, e por aí recebe a refeição  (não, não trabalho num restaurante de fast food), com isto quero dizer que há pessoas que por exemplo, esperam numa enorme fila de carros para ir buscar apenas...dois rissóis (sim isto já aconteceu mais do que uma vez, rissóis esses que se comprarem uns três ou quatro custam mais do que comprar comprar daqueles pacotes ultracongelados do supermercado e fritarem em casa), aqui também posso referir quem vem apenas buscar meia dose de arroz ou batata frita, só o tempo que esperam na fila seria praticamente o suficiente para fazerem isso em casa.

Não me esqueço por exemplo de uma vez, uma senhora ter exclamado para mim "a menina está a prejudicar-me em 90 cêntimos!", isto sucedeu porque a senhora tinha feito um pedido que mais tarde pediu para alterar e acrescentar, ora se ela tivesse feito o pedido de uma vez realmente era mais barato 90 cêntimos, mas como optou por acrescentar, o valor era outro, bem ela fez um pé de vento, por causa de 90 cêntimos! Mas pronto, dei-lhe os 90 cêntimos só para a ver pelas costas, pronto senhora ganhou a sua causa.

Não gostam de ver aquelas pessoas na praia espremerem borbulhas das dos familiares, não é tão bonito? E no vosso local de trabalho? Pois, eu cá não gosto muito, esquisitisses minhas eu sei, e estes dias deparei-me com um cenário desses, pai e filho vão ao balcão de take way, fazem um pedido, e enquanto esperam frente ao balcão, olho de esguelha, pois estava a atender a parte dos carros e noto o senhor de volta do nariz do miudo (este deveria ter uns 12 anos), de inicio achei que estava a ajeitar os óculos do filho, só que quando me aproximo, para ir buscar algo, vejo que o homem estava realmente a espremer borbulhas no nariz do miudo, mas sem qualquer pudor á frente de quem quisesse ver, e pessoas até que tinham um ar bem apresentável (aparentemente), mas pelos vistos com uma completa falta de noção, no fim lá se foram embora como se nada fosse, o rapaz tinha o nariz que parecia a do batatinha de tão vermelha que estava. Aqui vemos como somos aparentados dos macacos, só falta começar a catar piolhos e comê-los, é entretenimento e aperitivo ao mesmo tempo.

Por hoje é só isto, embora tenha várias histórias do género, aliás há quem diga que devia escrever um livro só com estas coisas, mas eu acho que já há tão bom papel higienico por aí que não vale a pena criar mais um!