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The book of stories

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Qui | 21.03.19

Hotel Imperial (parte 1)

Elisabete Pereira

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Os nossos passos ecoam no chão do hotel, Pierre, o director daquele espaço, alonga-se num monólogo apaixonado enquanto me faz uma visita guiada ao interior do edificio:

-Este hotel foi fundado em 1919 por uma princesa russa que conseguiu fugir á fúria dos bolcheviques, a pobrezinha perdeu toda a familia e quase toda a fortuna, mas ainda assim conseguiu trazer consigo algumas jóias que depois de vendidas renderam ainda bastante dinheiro, e assim mandou erigir este magnifico edificio que relembra os mais belos palácios russos. Por aqui já passaram muitas personalidades famosas, muitos bailes foram realizados, muitas cerimónias de casamento passaram por aqui, mas...

Pierre deu uma pausa dramática antes de prosseguir o discurso.

-No entanto, por algum motivo desconhecido, a princesa não ficou por cá muito tempo, dizem que ela sofreu um desgosto amoroso e foi viver para a América para esquecer a sua mágoa, outros dizem que um espião russo veio atrás dela e que tinha ordens para a matar, e ela optou por fugir para um lugar mais seguro, mas verdadeiro motivo da sua ida, ninguém sabe.

-Pois, hum...isso muito interessante, mas eu queria saber quando é que começo a trabalhar e assim...

-Menina Woziscky, é muito importante conhecer a história deste lugar! O respeito pelo passado das coisas é fundamental para entender a alma deste hotel.- Pierre olhava para mim como se o tivesse insultado - Não sei se lá na Polónia ensinam boas maneiras, mas claramente deveria rever isso!

-Desculpe, não foi minha intenção...-balbucio uma desculpa á pressa - Aliás, fico muito grata por se ter lembrado de mim para a vaga de recepcionista.

- Bem, a Madame Berger, deu excelentes referências sobre si, fiquei muito surpreendido em saber que é uma pessoa tão instruida, principalmente vinda de onde vem. - Pierre fez um pequeno esgar ao frizar esse último detalhe - Desculpe a honestidade, mas a minha ideia da Polónia, é que não é dos países mais sofisticados do mundo.

- A verdade é que eu tive a sorte de encontrar pessoas que se preocuparam em dar-me uma boa educação enquanto trabalhava para eles.- minto de imediato, não quero revelar as minhas origens- Além disso, sempre fui uma pessoa bastante curiosa e fui aprendendo muitas coisas por mim própria.

-Espero que consiga estar á altura da sua função, não estou para perder tempo com alguém que só vai ficar aqui por alguns dias.- Pierre olhou para o calendário pendurado ao lado do balcão da recepção com ar frustrado - A última nem ficou duas semanas, foi uma dor de cabeça, até porque foi embora em pleno pico do Verão, e as outras antes delas...só lhe digo, o ano de 1937 não foi nada fácil até aqui, felizmente já chegamos ao Outono e o movimento está mais calmo.

-Não se preocupe. - sorri para ele - Não o irei decepcionar.

- Vamos ver. - ele não parecia muito convencido- Mas de momento, pode ir descansar, amanhã de manhã quero-a aqui no balcão ainda antes das 7 horas, depois explico-lhe tudo o que terá de fazer. O quarto dos funcionários é ao fundo á direita.

-Obrigada. - pego na chave que ele me entrega- Vemo-no então amanhã.

Chego ao fundo do corredor mal iluminado até chegar á última porta, pego na chave e abro a porta do aposento, o quarto é pequeno, no entanto tem espaço para duas pequenas camas um armário e uma cadeira, noto que numa das camas está deitada de barriga para baixo, uma rapariga de cabelo escuro e de uniforme de camareira, ela folheava distraidamente uma revista, quando de repente repara em mim, dá um salto e vem ter comigo, comprimentando-me com entusiasmo:

- O meu nome é Olivia Montoya, e tu como te chamas?

 

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