Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Esta coisa de se ser feminista e tal...

por Elisabete Pereira, em 20.04.18

artflow_201804201645.png

 

Para início de conversa, sim, eu sou feminista (não vou ser contra o meu próprio género, não é?), mas calma, não sou apologista de queimar sutiãs e tal (até porque o meu peito agradece por isso), no fundo sou uma feminista mais passiva do que activa (embora as feministas do passado tenham tido a necessidade de lutar mais activamente, até porque a sociedade era mais hóstil para com as mulheres do que nos dias de hoje), acredito na mudança das pequenas coisas, por exemplo poder vestir uma saia á vontade, sem ter de pensar se ela é demasiado curta ou não, para não ter de levar com "cantadas" idiotas ou olhares que me façam sentir nojo de mim própria, ou se uma mulher engravidar, não recear perder o próprio emprego.

Há quem diga que temos "sorte" de vivermos neste cantinho na Europa, porque há países em que as mulheres praticamente não têm parte activa na sociedade, e eu digo, "sorte" ? A sério, em pleno século XXI há quem ainda acredite que isto é uma questão de sorte, imagine-se!

Não! Não é sorte, é mais do que isso, foi muita luta no passado (e no presente também, claro), por parte de mulheres, e homens também, mas essa luta ainda está muito longe de acabar, principalmente quando há quem acredite que isto é uma questão de sorte; o facto de haverem mulheres que neste momento estão a ler este post sem terem de o marido (ou namorado, ou qualquer outra figura masculina) ao lado a verificar se elas podem ler ou não este texto, é uma prova de que não é uma questão de sorte, na altura da ditadura, as mulheres não tinham direito de decisão nas suas vidas, o marido, ou qualquer outra figura tutelar masculina é que decidia praticamente tudo (até os contractos de trabalho eram assinados pelo marido), as mulheres usarem calças? Naquela época era quase impensável, hoje em dia isso é uma opção para nós,  praticamente nem pensamos que as pequenas coisas que fazemos hoje em dia, só o são porque houve quem lutasse por isso.

No meio disto tudo, contudo, noto que por vezes o feminismo resvala perigosamente para o exagero, por exemplo quando se chega ao ponto de falar de pêlos e de menstruação, é verdade, já vi quase batalhas a acontecerem, nas redes sociais sobre estes dois temas, e para mim isto não faz qualquer sentido, é perder tempo precioso com não assuntos. Lembro de ter lido sobre uma polémica acerca de um caso numa rede social,em que uma "artista" tinha visto a sua conta bloqueada por mostrar fotos de uma "instalação artistica" dela, basicamente eram fotos de uma rapariga com as calças manchadas de fluxo menstrual,  e no entanto, a mesma rede social deixa mostrar fotos de pessoas com cabeças rachadas e cheias de sangue e etc, e a polémica instalou-se porque acusaram essa rede social de machismo, preconceito e coisas do género, muitas feministas insurgiram-se contra isto e a conta da tal "artista" foi reactivada, no entanto quando vejo que há feministas que defendem, de que não deveriamos ter vergonha de mostrar o nosso sangue menstrual, que ocultar isso é sermos submissas á sociedade machista, e aí eu penso, não, não é uma questão de vergonha, é uma questão de higiene, eu considero a menstruação no mesmo nível das nossas outras necessidades fisiológicas, e defender que se deve mostrar a menstruação é simplesmente parvo, e alguma falta do que fazer. Quanto aos pêlos, eh pah, cada um faz como bem entender, nem tenho nada a ver com isso, depilar ou não, é uma questão pessoal, e quando vejo certas correntes afirmarem que a depilação tem ligação a tendências pedófilas, aí penso que não quero conhecer pessoalmente estas pessoas, porque as suas cabeças são muito estranhas (e algo perigosas também).

Há países, que nos dias de hoje ainda não permitem que as mulheres estudem, trabalhem, conduzam ou votem, e isto sim, é que deveria chamar mais a atenção, bolas, até no nosso país, existem desigualdades salariais, poucas são as mulheres que chegam em lugares de topo nas empresas (embora estatisticamente as mulheres são a maioria nas universidades e as que têm melhores notas).

Ser feminista deveria ser a luta, pela melhoria das sociedades na igualdade de direitos (e deveres), e não só das mulheres, mas também das minorias, que sofrem de preconceitos em pleno século XXI.

Por fim, aconselho a lerem o livro "Afinal as feministas até gostam de homens" da autora Patrícia Motta Veiga, é um livro bem humorado que desmistifica o conceito de feminismo e os preconceitos existentes (e irreais) sobre as feministas e das pequenas e grandes coisas deste universo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:34



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D