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The book of stories

The book of stories

Sex | 11.01.19

Era uma vez uma fobia

Elisabete Pereira

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A minha relação com os automóveis não é fácil, nada mesmo, mas nem sempre foi assim, em criança roubava os carros do meu irmão para brincar, ligava mais aos carros do que ás bonecas.  Fui crescendo, e a ideia de ter a carta e ter carro era algo que eu ambicionava, até ao momento em que fui confrontada com isso, e percebi que não iria ser fácil. Estive no código quase nove meses, (como uma estranha gravidez),reprovei uma vez, e passei á segunda, depois foi a condução, cada aula era um martírio para mim, nem sei como passei no exame á primeira...

Depois arrumei a carta na gaveta por quase 2 anos, até que arranjei um trabalho, e o meu pai achou melhor eu ter um carro, eu não achei tanta piada assim, mas aceitei, e no dia seguinte a ter o carro, fiquei sem trabalho. Até seria positivo, pois teria mais tempo para treinar, só que o medo e o terror fizeram com que eu evitasse entrar no carro, e meses depois este foi vendido. Anos se passaram e eu fui ocultando esta dificuldade, até que comecei a trabalhar onde estou agora, e eu fui empurrando com a barriga durante um tempo, mas acabei por comprar aulas extra (12 mas era igual se tivesse tirado 1000), mesmo assim não me sentia preparada. Um mês depois, comprei um carrito barato, e no mesmo dia que o comprei, bateram-me no carro numa rotunda, e lá foi o dito para a sucata, aquilo deitou-me muito abaixo, e arrumei a ideia de ter um carro na gaveta, mais algum tempo se passou e eu sentia-me envergonhada de depender do meu pai. O ponto de viragem foi quando o meu pai trocou de emprego e fiquei sem boleia, tomei coragem e atirei-me naqueles sites de compra de artigos usados, e rapidamente encontrei o que pretendia, fiz o negócio, mas novamente sentia-me bloqueada, não conseguia andar com o carro, e evitava passar perto dele, foi um tormento, por duas vezes coloquei o carro á venda, mas acabei por me arrpender, uma vozinha cá dentro dizia para não desistir, e aos poucos fui ultrapassando os obstáculos, devagar, comecei a conduzir percursos curtos, e fui aumentado a distância de deslocação, ainda tenho medo, ainda por vezes grito para dentro "vou morreeeeeer!", ás vezes cometo erros, mas acredito que estou no caminho certo, e mesmo que nunca venha adorar conduzir, pelo menos serei capaz de ser mais independentemente, e capaz de ultrapassar os meus medos.