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Era uma vez...uma entrevista de emprego

por Elisabete Pereira, em 11.03.18

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Uma das coisas que passamos na vida adulta, e hoje em dia cada vez mais, são as fatídicas entrevistas de emprego, sim eu disse fatídicas, porque invariavelmente sentimos ( acho que é geral, ou talvez seja apenas eu ) que vamos a caminho do desconhecido, quase como se fossemos empurrados para o abismo, uma grande incógnita no resultado final, que nos turva os nervos, ainda por cima há sempre  aquelas perguntas armadilhadas que se não respondermos de forma conveniente somos logo postos de lado, e de nada vale investirmos no guarda roupa, resposta errada e somos logo atirados borda fora.

Já fui a várias entrevistas de empregos ao longo de anos, e apesar de hoje em dia estar a trabalhar, isso não significa que eu não vá procurar "novos desafios profissionais" (resposta típica de entrevistas de emprego, mesmo que seja para emprego de varredor), e foi numa entrevista recente que tive uma experiência caricata com o entrevistador.

Lembro perfeitamente da dificuldade em encontrar o local (eu devia ter desconfiado logo, era um sinal divino ou coisa que o valha), quando lá cheguei fui conduzida para uma salinha com música ambiente, e depois do que me pareceu uma eternidade (uns 10-15 minutos no mundo real), fui chamada pelo responsável até uma sala toda xpto na decoração, aí foi sendo desenrolada a entrevista, as coisas corriam bem, sentia que estava a cativar com o meu palavreado caro (que só uso nestas ocasiões) até eu dizer que tinha emprego, o que deixou o responsável surpreendido  (no entanto a informação estava bem presente no meu currículum, que supostamente ele deveria ter analisado antes de me fazer a entrevista, que conforme ele havia dito por telefone que fui seleccionada para entrevista por ter sido analisado o dito documento) , as coisas começaram a descambar quando ele deu a entender que, para eu deixar-me estar, não me meter naquilo ,para quê mudar de um emprego seguro e estável que eu tinha, para aquela oferta de trabalho, (quê?! Então mas...no fundo ele quer dizer que aquele emprego nem valia a pena, ou seja, nem ele acreditava na qualidade daquele emprego e da empresa...tá giro), entendo que muitas empresas prefiram contratar uma pessoa que esteja desempregada do que uma pessoa que tenha emprego, principalmente por causa da disponibilidade, mas não por o próprio empregador dizer o que me disse, enfim, aprendi que "só procura emprego quem está desempregado", no final ainda me disse que se entretanto ficasse sem emprego para lá ir outra vez....hum...não. A vida é uma aprendizagem realmente , e por isso aprendi, que...não volto mais ali, que aquilo deve ser uma maravilha, e isto foi apenas um resumo da entrevista, mas pronto, faz parte desta coisa de se ser adulto, imagino que hajam pessoas que passaram por coisas bem piores do que eu.

E depois há aquelas perguntas padrão que se fazem nas entrevistas de emprego, do género : "onde se vê daqui a cinco anos?", eu sei lá!? Nem sei onde vou estar na semana que vem,  apetece-me responder "bem, para isso é melhor chamar a madame Zing que prevê o futuro" ou então " eu ando a tirar um curso de taróloga é só deitar as cartas para ver o meu futuro daqui a cinco anos, mas isso vai custar 20 euros", mas em vez disso lá me esforço para dar uma resposta á altura. Depois também á aquela : "Qual o motivo para se ter candidatado a esta oferta de emprego?", uma pessoa poderia responder "então, o meu objectivo é daqui a algum tempo ficar com o seu emprego a entrevistar futuros candidatos a este emprego", ou :"estou aqui só por causa daquele tipo jeitoso das fotocópias". Outra também é :"o que você poderá acrescentar à empresa?",  uma resposta poderá ser "acrescento mais um par de bons...hum...motivos para a empresa", e também :"eu sou uma pessoa muito misteriosa, jamais revelo os meus truques". 

Mas a pergunta que eu mais gosto é que atribuído aos candidatos do sexo feminino: "Está a pensar em ter filhos nos próximos anos? (deixam quase sempre a parte dos anos um pouco vaga, não vá serem apanhados em falso, imaginem se ela se lembra de engravidar daí a uns 20 e tal anos...) uma resposta possível poderia ser o seguinte : "claro que não, eu vou sincronizar o meu relógio biológico de acordo com a empresa, e de caminho também vou começar a fazer uma dieta de acordo com o que a empresa me recomendar e fazer as minhas compras no hipermercado de confiança da empresa."

Claro que se alguém realmente responder tudo isto, corre o risco de não só ser logo dispensado, como possivelmente virão uns homenzinhos de bata branca colocar uma camisa de forças e a pessoa ir de ti-nó-ni para o manicómio. 

E por isso, tal como dizem alguns programas de tv "não façam isto em casa". 

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publicado às 22:22



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