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The book of stories

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Qua | 16.01.19

Como comprei o meu primeiro leitor de mp3

Elisabete Pereira

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Por norma, não sou pessoa de guardar objectos do passado, e quando por algum motivo já não uso algo, prefiro doar, ou se já não estiver em bom estado, deitar fora. Mas é claro, que toda a regra tem a sua excepção.

Como hoje estou de folga, aproveitei para dar uma arrumadela ao meu quarto, e guardado numa caixa, estava meu primeiro leitor de mp3, corria o ano de 2007 quando o comprei. Lembro que desejava bastante ter um leitor de mp3, mas até aí nunca tinha tido nenhum, nem tinha coragem de pedir aos meus pais (nunca fui pessoa de estar a pedir coisas constantemente aos pais). Até que um dia andando pela rua encontro 30 euros no chão, (ou melhor 3 notas de 10 euros), e pensei, já que não é de ninguém, vou ficar com eles e comprar um leitor de mp3, fui até a uma loja e comprei o dito ( se bem me lembro, terá custado 33 euros, ou seja, ainda tive que dar mais 3 euros), tinha 1gb de armazenamento, o que na altura era muito, e era alimentado a pilhas. Foi um objecto muito estimado por mim, e levava-o para todo o lado, cheguei inclusive, por algumas vezes, levá-lo para a escola e empresta-lo a uma colega de turma, era uma companhia durante a noite em que ouvia música até adormecer, ou a pilha acabava. Quando olho a esta distância, sinto alguma vergonha das músicas que lá tinha (a sério, aquilo era muito mauzinho), felizmente nunca ninguém irá saber o que eu ouvia, é um segredo que vou levar comigo para a cova (riso maquiavélico). Infelizmente um incidente com uma pilha comprada numa loja dos chineses, ditou o fim do meu leitor de mp3 (ao fim de 4 anos), no entanto ainda o usei como pen drive durante mais algum tempo, mas como tudo na vida, chegou o dia em que este deixou de funcionar de vez, e é verdade que o podia ter levado para reciclar, mas nunca consegui desfazer-me dele porque me lembra de uma época em que eu vivia mais despreocupada, ou melhor, em que a minha maior preocupação era estudar, e passar de ano, uma época em que surgiram também as primeiras pen drives com capacidade superior a 1 gb de memória, e ao consequente fim das disquetes (ainda cheguei a usar muitas vezes para trabalhos escolares, aliás tenho uma caixinha própria com algumas disquetes), em que os telemóveis ainda não eram inteligentes, na verdade, nessa época, quem tinha um telemóvel com câmara fotográfica era o maior (principalmente se fossem da Nokia), onde as redes sociais resumiam-se ao hi5, e onde uma adolescente de óculos sonhava um dia ter um blogue (que por acaso sou eu).