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Apesar de tudo, és mais forte do que eles

por Elisabete Pereira, em 03.08.18

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Há um tempo em Espanha, todas as mulheres se uniram por um caso de violação que deu muito que falar devido á injustiça da maneira como foi tratado nos tribunais, que alegavam que foi um caso não de violação mas de abuso as suas repercussões foram além fronteiras, e as várias ashtags criadas na altura (entre elas #Nonesabusoesviolation) e estas correram o mundo ,mas apesar de tudo isso, o desfecho final, não foi dos mais felizes, e o grupo conhecido como "La manada" foi libertado por "terem perdido o anonimato e por viverem a mais de 500 km da vítima " e portanto, sendo assim tudo bem não é? Nem há o perigo deste bando atacar outras mulheres nem nada.... (pausa para tentar entender o ridiculo da sentença final...hum...não...peço desculpa, mas não consigo entender...)

Culpabilizo-me um pouco, por só agora falar disto, quando a sentença final foi há mais de um mês, e isto é daquelas coisas que nunca deve ser esquecida, porque nós as mulheres ainda carregamos (somos vistas) mesmo inconscientemente, de que a culpa de alguma maneira, é sempre nossa, de que os homens coitados, sucumbem aos nossos encantos (pausa para eu fazer um gesto de revirar os olhos) de que é quase impossível fazer frente. Isto é terrível nos dias de hoje, e é para mim uma questão de união feminina, porque todas nós sem excepção estamos sujeitas a isto, ou acham que algumas decisões em tribunal mesmo cá em Portugal são tomadas a partir do quê? (Lembram-se de casos de juízes darem veredictos de violência doméstica em que culpabilizam as mulheres, e até mesmo de que um estalo numa mulher não faz mal nenhum, sim isto infelizmente ainda existe em pleno sec XXI)  Mas não é disso que quero escrever aqui, até porque já muita coisa foi escrita sobre o assunto, mas sim, da forma como esta jovem em questão reagiu a tudo isto.

Abaixo ficam várias citações de uma carta que esta jovem corajosa e forte decidiu enviar para um canal de televisão espanhol, e que acima de tudo revelam alguém que apesar do que se passou não se escondeu no papel de vitima, muito pelo contrário, ela levantou a sua voz para que outros não passem pelo mesmo.

 

"Suponho que vão pensar que esta carta é para contar a minha versão e a minha experiência, mas não é. Esta carta é de agradecimento. Mãe, pai, obrigada não só pelo apoio mas por arranjarem forças onde não as tinham e terem-nas dado a mim. Obrigada por tudo o que me ensinaram e por tudo o que me vão ensinar, mas sobretudo por não me abandonarem, e por não se abandonarem um ao outro", começou por escrever a jovem, que agradeceu ainda a mais familiares e amigos pelo apoio.

"Quero agradecer a toda a gente que sem me conhecer tomou Espanha e me deu voz quando muitos a tentaram tirar. Obrigada por não me deixarem sozinha. Por acreditarem em mim, irmãs. Obrigada por tudo, de coração", continuou por dizer.

"Obrigada a todos os que falaram de mim um segundo para repudiar o que aconteceu. Associações, pessoas na rua, personalidades politicas, famosos, jornalistas que me respeitaram e, em geral, a todos os que se preocuparam comigo. Obrigada por me fazerem sentir outra vez parte da sociedade em que parece que se te violam tens que levar um cartaz de violada pendurado ao pescoço"

 

"Obrigada por lutarem, gritarem, chorarem e apoiarem esta causa. Por último, e para mim o mais importante: denunciem. Ninguém tem que passar por isto. Ninguém tem que se arrepender de beber, de falar com pessoas numa festa, de ir sozinha para casa ou de usar uma mini-saia. Temos que nos lamentar todos da mentalidade que tem esta sociedade onde isto pode acontecer a qualquer pessoa. Garanto-vos. Tenham cuidado com o que dizem, não sabem quantas vezes ouvi falar da ‘rapariga de San Fermín’ sem saber se essa rapariga estava sentada ao seu lado. Seguramente, não sou a ‘rapariga de San Fermín’. Sou a filha, neta, amiga e talvez, esse ‘de’ são alguns de vocês, assim que por favor pensem antes de falar"

"Da mesma forma que estamos mentalizados e não gozamos com uma doença, não podemos gozar com uma violação. É indecente e está nas nossas mãos mudá-lo. Por favor, só vos peço que por muito que achem que não vão acreditar em vocês, denunciem"

"Para todas as mulheres, homens, raparigas, rapazes, que estão a passar por algo parecido: pode-se sair. Vão pensar que não têm forças para lutar, mas vai surpreender-vos a força que têm os seres humanos. Contem a um amigo, a um familiar, à polícia, num tweet, façam-no como quiserem, mas contem. Não fiquem calados, porque se o fizerem, estão a deixá-los ganhar".

 

E ela tem razão, denunciem, não fiquem calados. Mesmo numa situação tão delicada, ela demonstrou que apesar de tudo, é mais forte do que eles...

 

(Parte da fonte da pesquisa da informação foi retirado do site do Diário de Notícias e do Correio da Manhã)

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publicado às 08:31



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