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The book of stories

The book of stories

Sex | 24.08.18

A praia também não é assim uma coisa tão boa como se dá a entender

Elisabete Pereira

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Já notaram a canseira que é ir à praia? A sério, só a quantidade de coisas pelas quais passamos para estar um dia a torrar ao sol, quase que dá vontade de voltar para a cama. Acham que estou a exagerar? Provavelmente, mas dêem-me um desconto, que este ano estou praticamente tão branquinha como uma lula, e preciso de extravasar o meu azedume de praticamente mal ter posto os meus pezinhos na praia, e uma dessas vezes até ter estado nevoeiro.

Reparem, o trabalho e a chatice começam logo de véspera, a confecção da merenda para o dia seguinte, desde fritar os bolinhos de bacalhau, os panados, o frango guisado (ainda há quem o faça), depois no dia seguinte, principalmente quem tem filhos pequenos, é uma luta para sair de casa de manhã, e por vezes o dia ainda nem nasceu, pois a praia mais próxima fica a umas três horas de distância ou mais, ou então porque não querem passar horas no trânsito, depois é pegar em toda a tralha e colocá-la no carro, chegados á praia, novo drama, escolher o sitio na areia onde largar os cacarecos e estender a toalha, ali á beira das rochas tem mais sombra, mas o outro quer ir para mais próximo da água, escolhido o local, arma-se o "forte de lona", autênticas fortalezas criadas com para-ventos, guarda-sois, e uma espécie de "semi-tenda" que agora se vê muito pelas praias,  juro que já vi este combo montado na praia, é uma espécie de t0 do areal.

Claro que não podemos esquecer a fauna que habita por esta altura, as praias do nosso país, existem várias sub-especies, a saber:

- O optimista - normalmente surge num grupo de amigos que se reune para ir à praia, é facil de identificar, é aquele que basicamente traz apenas uma toalha aos ombros, normalmente são seres do sexo masculino (há excepções, mas raramente é avistado elementos do sexo feminino a serem o "optimista" ), o telemóvel e a carteira estão na mala de uma das amigas, crava o protector solar a outro amigo, pedincha sandes a outro amigo, e por aí fora, no final do dia este indivíduo passou um dia na praia á pala dos amigos, sem gastar um cêntimo, e sem ter que se chatear em preparar coisas para a praia.

- A manequim - este sub-espécie é quase exclusivo no sexo feminino, existe toda uma produção cuidada por parte da "manequim", a maquilhagem, o cabelo, a roupa, os acessórios, tudo é cuidado ao detalhe, mas não para estar de papo para o ar e apanhar areia, nem ir para o mar, por norma é para actualizar a sua rede social de fotos, e aumentar o número de seguidores, e quem sabe arranjar alguns patrocionios que lhe paguem as contas.

-A malta das raquetes - eu diria que é mais uma mania do que sub-espécie, são aqueles que têm a triste a ideia de levarem raquetes, bolas, discos voadores, etc, para a praia numa de, "vou só levar algo para entreter a familia e/ou os amigos" mas no geral isso não acontece, ou seja, coisas que 90% das vezes em que se jogar, irão sempre, algumas vezes atingir malta inocente que só quer um pouco de sossego e por norma são coisas que aleijam ou irritam, ou então, "os jogadores" no meio da demonstração das habilidades, jorram carradas de areia para a toalha dos outros, e não só. Um pequeno conselho, levem cartas de jogar em vez dessas traquitanas, pelo menos as cartas magoam menos do que levar uma bola de volei na cara.

- As lapas ou mexilhões - Não, não são os moluscos, são individuos que gostam de se colar a nós, estão a ver quando a praia está quase deserta e vêm uns quantos colarem-se quase á vossa toalha? Ou pior, ao vosso para-vento e assim protegerem-se "criminosamente" das nortadas? Há vários anos aconteceu o seguinte, uma familia emigrante de cerca de 6-8 elementos, contruiu uma autêntica cerca com dois para - ventos e usaram o nosso como terceiro para-vento, basicamente colaram-se a nós, e com a praia com bastante espaço, e foi tudo tão rápido que só notamos quando nos levantamos para ir á água, que tinhamos sido "acoplados" ao espaço onde estavam.

- O megafone - É um individuo que existe tanto no sexo masculino como no feminino, o "megafone" gosta de anunciar em alto e bom som para toda á praia, de onde vem, com quem está, o que faz e por aí fora, é um autêntico livro aberto...existe ainda uma variante que é o "megafone telefónico", o indivíduo que fala alto ao telemóvel, mas que faz questão de que toda a praia oiça a conversa :

" Sim filho, como está aí o tempo?...Devias ter levado um casaco...Pois, aqui estava mais quente...Estou na praia de ***** com os *****....( excerto de conversa ouvida por mim na praia, a pessoa estava a bons metros de distância de mim) essa pessoa depois do telefonema continuou o tema de conversa com os amigos ao lado, mas era como estes estivessem na outra ponta da praia :  " O meu filho foi para Aveiro, só que lá está mais fresco e ele a pensar que o tempo lá estava como cá não levou nenhum casaco, mas também vai só ficar até quarta-feira..."

Existem mais sub-especies, mas estas são as mais habituais de se encontrar; mas continuando com o dia de praia, a meio da manhã já nos perguntamos o que fomos fazer á praia, os miudos já foram cerca de 15 vezes ao mar, e mais iriam se não estivessemos de olho neles, já pediram água, comida, gelados, já andaram a lutar por causa da pá e do balde, e mesmo os adultos ao fim de um tempo também começam a ficar rabugentos, entretanto chega a hora de almoço e toca a tirar tudo o que foi tão cuidadosamente colocado na geleira, e toca a comer tudo com areia á mistura, entretanto terminada a refeição, começa novo drama, obrigar as crianças a aguardar as horas necessárias para ir para a água, entretanto reforça-se o protector solar, mas com dificuldade, pois as crianças por norma não aguentam dois segundos parados, mais tarde vai tudo a banhos, e sentimo-nos frustradas quando vemos aquela mulher com curvas incriveis num biquini reduzido, sem qualquer sinal de celulite e estrias, e pensamos que deviamos termo-nos focado mais na dieta, e culpamo-nos por termos comido aquela bola de berlim com creme, finalmente chega a hora de ir embora, e ao fim de meia hora já desmotamos as tralhas todas, colocamos tudo no carro, e enfrentamos o trânsito de forma estoica, e ao fim de uma eternidade chegamos a casa, lá vamos tomar banho para tirar a areia que se colou a nós, e descobrimos que a areia foi parar em sitios onde o sol não brilha, durante os proximos dias vamos continuar a encontrar areia no nosso corpo, e por fim, finalmente vamos nos deitar, sentimos como se tivessemos ido á guerra, mas que agora finalmente vamos poder descansar...pelo menos até ao próximo dia de praia.

Ok, eu confesso que escrevi isto apenas porque tenho inveja de quem neste momento está de férias de papo para o ar, e eu tenho de trabalhar, mas isto também serve para quem como eu também está a trabalhar e tambem para quem está de férias, e que pelo menos o bom humor nunca vá de férias. Agora vou só ali para a minha janelinha entregar a comida a clientes que neste momento estão de férias.

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