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The book of stories

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Sab | 01.12.18

A noiva de papel (parte 3)

Elisabete Pereira

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Passado pouco tempo, veio-se a descobrir que Higgins tinha razão, as ossadas pertenciam a um recém-nascido, no entanto não se sabia a quem pertencia, no entanto, em busca de novas pistas a mansão de white lake foi praticamente tomada pela policia:

- Isto é ridículo! - John Morgan entregou o mandato de busca de volta para o policia claramente irritado - Temos obras para continuar, um projecto a fazer, o prejuizo...

-Sr Morgan, lamento, mas há uma investigação a fazer. - o policia não se intimidou com o ar irritado de John Morgan - Terá de se ausentar de casa por uns dias para não interferir nas buscas da polícia.

- Incrivel, até parece uma piada de mau gosto! - John resmungou - Nem em casa posso ficar!

Apesar da irritação e da apreenção dos Morgan, pouco tempo depois, eles colocaram algumas malas no carro, e rumaram para um pequeno hotel próximo da aldeia, as investigações foram decorrendo, até ao momento em que fizeram uma nova descoberta no jardim, um novo conjunto de ossadas foi encontrado, relativamente próximo do local onde foi encontrado as do recém-nascido, Higgins foi chamado pela policia para ajudar a identificar as ossadas, e os aldeões estavam em polvorosa, os boatos eram variados, mas ninguém sabia a verdade.

- E então Higgins? - Patrick perguntou assim que o viu dias depois - A quem pertenciam?

- Pertenciam o quê?! - Higgins estranhou a pergunta - Não me digas que...como é que soubeste?

- Vá lá, já toda a aldeia sabe que te chamaram para reconhecer novas ossadas. - Patrick cruzou os braços de impaciência - Não há necessidade de esconderes, somos amigos há muitos anos.

- Pois, mas não vou contar. - Higgins virou as costas, mas antes de ir embora disse - É um mau hábito querer se saber de coisas que não nos dizem respeito, pensei que com a idade fosses ganhar mais noção em relação a isso, mas pelos vistos enganei-me, provavelmente a companha de Judy e Emily está a afectar-te.

Patrick viu-o desaparecer na rua completamente perplexo:

- Não entendo, a chamar-me bisbilhoteiro, francamente... - disse ele indignado enquanto voltava para dentro do pub - Mas também...ele não vai conseguir esconder isto por muito tempo, deve achar-se muito importante...

Afinal as ossadas pertenciam a algum animal que fora enterrado, provavelmente um cão de estimação, o que se tornou uma desilusão para os habitantes de Aubrey, que adoravam a ideia de terem a mansão de white Lake ligada a um crime, além disso as investigações não deram em nada, embora ainda estivessem á procura de quem seria aquele recém-nascido.

- É uma pena realmente - Emily pousou a revista que estava a ler enquanto Judy lhe estendia uma chávena de chá. - Sempre nos veríamos livres dos Morgan, e eramos deixados em paz, imagina a nossa aldeia cheia de turistas.

- Pois, mas poderia acontecer o mesmo, caso se tivesse descoberto mais alguma coisa... - Judy pegou na sua chavena de chá e disse - As pessoas adoram ver desgraças, aquilo ia se tornar um local de peregrinação.

- Nisso tens razão -  Judy comeu um biscoito antes de continuar - É esperar que o negócio deles não dê em nada. Tu nunca deste conta de nada enquanto estiveste a trabalhar na mansão? Não fazes ideia de quem era aquele bebé?

- Não duvidava nada. - Judy deu mais um gole no seu cha - Não me perece que sejam pessoas muito entendidas no assunto. Em relação ao bebé, bem... eu pensava que conhecia os Lane, mas pelos vistos eles tinham mais esqueletos no armário do que eu imaginava, embora eu acredite que o bebé deve ser da meia irmã de Henry, agora falta saber o porquê de a criança ter morrido, e porque a mãe desapareceu sem deixar rasto.

- Realmente a situação é um bocado estranha. - Emily terminou o seu chá antes de continuar - Mas, mudando de assunto, no outro dia ouvi rumores sobre alguém que poderá estar a trair o marido...

- Quem? - Judy ficou alerta - Não me digas que estás a falar da Louise.

- Como sabes? - Emily ficou surpreendida - Eu soube disto de fonte segura... essa pessoa não tinha contado a mais ninguém, só a mim.

- Já desconfiava da Loise há algum tempo. - respondeu Judy com ar velhaco - O comportamento dela ultimamente também não deixa muita margem para dúvidas, coitado do Peter, não merecia isto, lembro muito bem de lhe ter falado antes de ele casar, para ter cuidado com a Louise, ela sempre foi muito dada, se é que me entendes, mas ele estava apaixonado e nem ligou aos meus conselhos, e só fiz isto pela amizade que eu tinha com a mãe dele, que coitada deve estar neste momento a dar voltas no túmulo.

- A juventude é assim Judy. - Emily resmungou - Acham que sabem mais do que nós, e depois acabam por se dar mal, no fim ainda nos dão razão.

                                                                                    ********

As obras em white lake estavam quase a chegar ao fim, depois de vários meses, a casa ganhou um novo aspecto, tudo parecia ter voltado á normalidade, todos já se tinham ambientado á ideia de terem um hotel rural, e até os Morgan já praticamente faziam parte da aldeia, arotina de ambos era conhecida por toda a gente, de manhã bem cedo os Morgan percorriam a aldeia a correr, mais tarde Kate Morgan ia de bicicleta até á mercearia da aldeia fazer compras, e ao fim do dia ambos iam ao pub "Trevo de ouro" :

- Então, qualquer dia a mansão está pronta, não?- Patrick perguntou a John - Imagino o alivio que deve ser.

- Alivio? - John deu uma gargalhada - O trabalho ainda agora começou, amanhã vou até Londres para tratar dos últimos detalhes, parece que quanto mais fazemos, mais coisas aparecem por fazer. Mas se tudo correr bem daqui a duas semanas vamos inaugurar o hotel.

                                                                     ************

Durante 3 dias, ninguém pôs a vista em cima dos Morgan, mas ninguém estranhou pois deveriam estar atarefados com a mansão, mas no 4° dia, já era noite quando John Morgan surgiu no pub, estava lívido e com ar preocupado: 

- Alguém viu a Kate por estes dias? - John virou-se para as pessoas que estavam no pub  - Voltei hoje à tarde e não a encontrei em casa.

- Ela não foi consigo a Londres? - perguntou Emily

- Não, ela ficou cá.- John esclareceu - Uns fornecedores iam levar algumas coisas lá a casa e era preciso estar alguém para os receber.

- Quando foi a última vez que a viu? - Patrick perguntou preocupado

- Foi antes de viajar, ela ia dar uma pequena corrida pelo lago - ele estava confuso - Não entendo, ela não se ia ausentar assim sem dizer nada a ninguém...

- Talvez ela tenha ido ter com a familia... -alguém atalhou

- Isso é impossível, ela iria avisar antes, pelo menos ligava-me para não me preocupar.

- Mas não lhe tem ligado por estes dias? - Patrick perguntou - Isso deveria ter sido um alerta que alguma coisa se passava.

- Não temos o hábito de ligar um para o outro com frequência, bem pelo contrário, só ligamos quando há um problema ou algum imprevisto, por isso não estranhei a falta de contacto, ainda por cima ela deixou o telemóvel em casa.

John Morgan saiu pouco depois do pub cabisbaixo sem saber o que fazer, todos no pub ficaram preocupados, aquilo não era sinal de bom agouro.

- Meteram-se com um fantasma e agora vê-se o resultado. - Emily abanou a cabeça - Acreditem no que digo, mas o mais provável foi isto ter sido obra do fantasma de Hanna Lane, nós bem avisamos, e agora aí está a consequência.