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The book of stories

Um blogue que é o meu reflexo, e onde, as pequenas e grandes histórias têm lugar

The book of stories

Um blogue que é o meu reflexo, e onde, as pequenas e grandes histórias têm lugar

Ter | 26.03.19

Pessoas que sofrem com "o síndrome do tetris".

Elisabete Pereira

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Pois que existe uma síndrome por aí que é pouco falada, a "síndrome do tetris", e não estou a falar de quem é viciado no célebre jogo electrónico nem do seu sucedâneo portátil (o brick-game),  mas sim das pessoas que sentem uma extrema necessidade de se "colar" nos outros.

Imaginem o seguinte cenário, vocês saem à noite do trabalho, vão para o estacionamento onde se encontra o vosso veículo e reparam que não conseguem entrar nele, pois alguém estacionou o carro demasiado colado ao vosso, e o unico remédio é entrarem pela porta do pendura...pois, isso foi o que me aconteceu, o pior é que o parque de estacionamento tinha bastante espaço livre, mas o indivíduo preferiu ficar ali, bem colado ao meu carro, inclusive espalmou os espelhos laterais para ficar bem aconchegado naquele espaço, vá lá que do lado do pendura, não tinha veículo nenhum, senão, só conseguia entrar pela mala do carro, e como não tenho agilidade de um artista do cirque do soleill, a coisa não ía acabar bem.

Depois desta situação, comecei a pensar sobre o assunto, e cheguei á conclusão de que provavelmente mais pessoas sofrem desta condição, por exemplo, durante o Verão, quem nunca reparou naquelas pessoas, que mesmo tendo uma grande extensão de areal nas praias, preferem colar-se aos outros banhistas; ou nas filas do supermercado, quantas vezes estamos ainda a colocar as nossas coisas no tapete para o pagamento, e a pessoa atrás de nós já está a colocar as coisas dela praticamente em cima das nossas...enfim, são pessoas que vivem numa grande ânsia de encaixar na vida real, mal vêm um buraquinho vão logo querer enfiar-se lá, e quanto mais exíguo for o buraco, mais rapidamente vão lá ter. Falta saber qual o motivo para tal comportamento, felizmente não existem peças em forma de L na vida real.

 

Qui | 21.03.19

Hotel Imperial (parte 1)

Elisabete Pereira

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Os nossos passos ecoam no chão do hotel, Pierre, o director daquele espaço, alonga-se num monólogo apaixonado enquanto me faz uma visita guiada ao interior do edificio:

-Este hotel foi fundado em 1919 por uma princesa russa que conseguiu fugir á fúria dos bolcheviques, a pobrezinha perdeu toda a familia e quase toda a fortuna, mas ainda assim conseguiu trazer consigo algumas jóias que depois de vendidas renderam ainda bastante dinheiro, e assim mandou erigir este magnifico edificio que relembra os mais belos palácios russos. Por aqui já passaram muitas personalidades famosas, muitos bailes foram realizados, muitas cerimónias de casamento passaram por aqui, mas...

Pierre deu uma pausa dramática antes de prosseguir o discurso.

-No entanto, por algum motivo desconhecido, a princesa não ficou por cá muito tempo, dizem que ela sofreu um desgosto amoroso e foi viver para a América para esquecer a sua mágoa, outros dizem que um espião russo veio atrás dela e que tinha ordens para a matar, e ela optou por fugir para um lugar mais seguro, mas verdadeiro motivo da sua ida, ninguém sabe.

-Pois, hum...isso muito interessante, mas eu queria saber quando é que começo a trabalhar e assim...

-Menina Woziscky, é muito importante conhecer a história deste lugar! O respeito pelo passado das coisas é fundamental para entender a alma deste hotel.- Pierre olhava para mim como se o tivesse insultado - Não sei se lá na Polónia ensinam boas maneiras, mas claramente deveria rever isso!

-Desculpe, não foi minha intenção...-balbucio uma desculpa á pressa - Aliás, fico muito grata por se ter lembrado de mim para a vaga de recepcionista.

- Bem, a Madame Berger, deu excelentes referências sobre si, fiquei muito surpreendido em saber que é uma pessoa tão instruida, principalmente vinda de onde vem. - Pierre fez um pequeno esgar ao frizar esse último detalhe - Desculpe a honestidade, mas a minha ideia da Polónia, é que não é dos países mais sofisticados do mundo.

- A verdade é que eu tive a sorte de encontrar pessoas que se preocuparam em dar-me uma boa educação enquanto trabalhava para eles.- minto de imediato, não quero revelar as minhas origens- Além disso, sempre fui uma pessoa bastante curiosa e fui aprendendo muitas coisas por mim própria.

-Espero que consiga estar á altura da sua função, não estou para perder tempo com alguém que só vai ficar aqui por alguns dias.- Pierre olhou para o calendário pendurado ao lado do balcão da recepção com ar frustrado - A última nem ficou duas semanas, foi uma dor de cabeça, até porque foi embora em pleno pico do Verão, e as outras antes delas...só lhe digo, o ano de 1937 não foi nada fácil até aqui, felizmente já chegamos ao Outono e o movimento está mais calmo.

-Não se preocupe. - sorri para ele - Não o irei decepcionar.

- Vamos ver. - ele não parecia muito convencido- Mas de momento, pode ir descansar, amanhã de manhã quero-a aqui no balcão ainda antes das 7 horas, depois explico-lhe tudo o que terá de fazer. O quarto dos funcionários é ao fundo á direita.

-Obrigada. - pego na chave que ele me entrega- Vemo-no então amanhã.

Chego ao fundo do corredor mal iluminado até chegar á última porta, pego na chave e abro a porta do aposento, o quarto é pequeno, no entanto tem espaço para duas pequenas camas um armário e uma cadeira, noto que numa das camas está deitada de barriga para baixo, uma rapariga de cabelo escuro e de uniforme de camareira, ela folheava distraidamente uma revista, quando de repente repara em mim, dá um salto e vem ter comigo, comprimentando-me com entusiasmo:

- O meu nome é Olivia Montoya, e tu como te chamas?

 

Sab | 16.03.19

Quem quer namorar e casar com um coisinho que é meu filho, enquanto andamos no carro do amor todos nús?

Elisabete Pereira

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Pois é, parece que ultimamente o amor está em alta na televisão, isto é uma catrefadas de reality sh...experiências sociais, queria eu dizer, relacionadas com encontros, casamentos namoros, cafunés no ego, etc... Fica no ar a ideia de que as televisões se preocupam com os relacionamentos e as pessoas que se sentem sós e que têm dificuldade em encontrar um parceiro, mas não, a verdade é que descobriram ali uma mina de ouro de audiência, que duvido que nos próximos tempos este formato seja abandonado. A verdade é que estou surpreendida com a "originalidade" de títulos que têm infectado a televisão cá no nosso pequeno país, sempre conseguem descer mais fundo...esta semana dois desses programas chamaram a atenção pela negativa, devido ao facto de perpetuarem um estereótipo de submissão feminina (e outras coisas menos abonatório ao sexo feminino), eu não acho assim tão ruim, até porque não vejo televisão (felizmente o aparelho de tdt avariou, e em vez de dar uns 30 euros por um novo, optei por comprar dois livros e ainda sobrou dinheiro), logo aí é um bónus, mas o que me deixa indignada, é que os títulos são enganadores, por exemplo, um dos programas devia se chamar "Quem quer ser ama seca e criada do meu filho, para que este me desampare a loja" e o outro devia ser "Quem quer namorar com um tipo que faz de conta que é agricultor?", pelos vistos as revistas cor - de - rosa descobriram que pelo menos alguns dos "agricultores" não são meeeesmo agricultores (quem diria?). Há quem defenda que estes programas deveriam ser proibidos, mas, estamos num país livre, e isso iria parecer censura, o lado negro da Democracia é mesmo isso, até os idiotas têm direito a ter voz, mas isso não quer dizer que todos tenham de lhes dar ouvidos. Os programas são maus? Não sei, não vejo de todo, embora tenha visto uns vídeos curtos na internet sobre os programas, e...eh pah aquilo é mauzinho, num minuto dá para ver o funcionamento da coisa,e honestamente, não tenho vontade de ver mais...Mas vamos a ser sinceros, as moças não vão lá na inocência, algumas são novas mas já têm a escola toda, querem é fama, e com alguma sorte, algum forrobodó e é só. Já agora, parece que este fim de semana vai começar um novo programa com pessoas nuas, pronto, agora pensem e tirem as vossas conclusões. 

 

"O conteúdo desse pasquim, serve para estrumar o meu jardim." Rita Skeeter, em Harry Potter e a ordem da fénix.

Sex | 08.03.19

Flores e cursos de maquilhagem no dia de hoje? Que original!

Elisabete Pereira

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Hoje é o dia da mulher...dizem, eu pensava que era todos os dias, mas pelos vistos enganei-me, e há um dia específico afinal. Mas pronto, vai ser um dia giro, lojas a oferecerem flores, cursos de maquilhagem, vouchers para spas, e outros "miminhos" do género a todas as mulheres que apanharem pela frente...

É engraçado como nestes dias temos a noção de como determinado grupo é visto socialmente, porque este tipo de iniciativas tem por norma, um "estudo" por trás (embora ás vezes não pareça), e chegam á conclusão de que as Mulheres gostam todas do mesmo. Nada contra para quem goste, mas nem todas queremos nem gostamos do mesmo, e reduzir as mulheres a estereótipos é um pouco...sexista. No fundo é isso, é sempre a mesma coisa, sempre os mesmos presentes, as mesmas palavras vazias que são proferidas neste dia nos meios de comunicação social, e ao fim de algum tempo já cansa um bocadinho.

Eu não gosto de usar maquilhagem, porque não é algo que me defina, mas não tenho nada contra quem gosta de usar, o pior, é quando algumas entidades patronais obrigam as mulheres a usar maquilhagem, sim isto existe, embora eu nunca tenha passado por tal (felizmente), já tentaram meio ao de leve dar indirectas para usar pelo menos base, mas fiz de conta que não era comigo, aliás se me obrigassem a usar eu diria "ok, mas só uso se os homens usarem também, se temos de ter um aspecto impecável e perfeito, porque os homens não podem ter também?"

Mas nem tudo é mau, hoje de manhã vi na televisão uma campanha de uma operadora móvel com waiting Rings de testemunhos de mulheres que foram vítimas de violência doméstica (pode até ser uma excelente jogada de marketing, mas é algo diferente, e até diria que é uma pedrada no charco), vale apena ouvir os testemunhos dessas mulheres corajosas que dão a cara por uma realidade que eu acredito que é mais frequente do que aparenta, e que quem sabe, possam ajudar mais alguém...

Por fim, a todas as mulheres, o nosso dia, é todos dias, é todas as horas e minutos que vivemos, é a alegria das boas noticias, e a tristeza dos momentos mais difíceis e sombrios, são os sonhos que muitas têm, e que outras tantas perderam ao longo do caminho, são as vozes gritadas ao megafone, e as que sussuram no peito na esperança de um dia se poderem libertar, é o sorriso dos filhos, é a conquista de uma promoção no emprego...Guerreira, mansa, alegre, lutadora...tudo isto cabe na alma de uma Mulher.

Qui | 07.03.19

Quem quer comprar a virgindade e casar com a filha de um milionário?

Elisabete Pereira

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Não estou a escrever sobre mais algum programa de tv que explora os relacionamentos amorosos (e as audiências), mas sim, de uma noticia que li algures na internet, dando conta de um milionário asiático que quer casar a sua filha de 26 anos, porque acha frustrante ela ainda se encontrar solteira e virgem. Mas atenção que isto também não é assim como quem dá áquela palha, há uma certa "preocupação" com o futuro genro, porque como é lógico, não serve qualquer um para a sua querida e preciosa filha, na opinião do extremoso pai, o futuro genro tem de ter três requisitos essenciais: saber ler e escrever, ser trabalhador e ser poupado; diz o senhor que não lhe importa que o futuro genro seja inteligente (porque será?)...ah... quase me esquecia, tem também de amar durian (não é a filha, mas sim um fruto local, porque amar a filha é só um detalhe sem importância),curiosamente a filha em tempo algum foi questionada sobre esta decisão do pai, que praticamente lhe vai mudar a vida, casando-a com um completo estranho, mas também, o que é a felicidade pessoal e a liberdade de uma mulher?! Que bom pai que ele é...

Isto faria um certo sentido algures no século XIX, não nos dias de hoje, em pleno século XXI, é muito mau ler este tipo de notícias, porque significa que quase não se caminhou para a igualdade de género, podem dizer que isto se passa num país asiatico, que é uma cultura diferente da nossa, mas será que é uma realidade assim tão distante da nossa? Eu acho que não, até porque hoje aumentou o número de mulheres assassinadas ás mãos dos maridos ou ex-maridos em Portugal, para mim algo não está a funcionar, e enquanto se assobiar para o ar e se fizer de conta que nada se passa, nada irá mudar tudo irá ficar igual ao que está...

Já agora, antecipando a efemeride, feliz dia da mulher.

Ter | 05.03.19

O paradoxo dos livros de receitas e dos robôs de cozinha nos dias de hoje

Elisabete Pereira

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Nunca houve uma altura em que se vendesse tantos livros de receitas como nos dias de hoje, e tão variados, desde os livros de receitas tradicionais, aos livros de receitas vegan, livros de receitas paleo, livros de receitas sem glúten, etc e tal... O estranho, é que hoje em dia, as pessoas cozinham cada vez menos, aliás os serviços de entregas de comida pronta a comer, multiplicam-se quase como cogumelos, e não parece que seja apenas uma moda, pois já começam a existir casas que não têm a divisão da cozinha (ouvi dizer), ou seja, o cozinhar em casa está a cair em desuso, assim como os bidês nas casas de banho. Eu até percebo que se vendam tantos livros de receitas, até porque dá um certo sainete ter uma estante em casa com os títulos mais sonantes da alta cozinha e mostrar isso aos amigos, ou então ter na mesinha do café aquelas edições bastante caras e em capa dura, servindo apenas de decoração, até porque é certinho que esses livros nunca serão abertos...mais um bibelot a ganhar pó. Estes livros substituiram aqueles que até há algum tempo eram o top para se ter na mesinha do café, nomeadamente livros sobre história da arte, livros de design, livros de decoração, e etc e tal. Mas até aqui tudo bem, o problema é em relação aos robôs de cozinha, até porque estes objectos são extremamente populares, mas para quê? Muitos dirão o óbvio, que serve para facilitar cozinhar, mas hoje em dia cada vez se cozinha menos, logo não será esse o propósito da compra de tão digno objecto. Eu tenho uma teoria, diria até, que os robôs de cozinha estão no mesmo patamar das bicicleta estáticas, lembram-se dessa moda? Pois tempos houve, em que muita gente comprou a dita, e no final, raras são as pessoas que as usaram mais do que cinco vezes na vida, no entanto, essas bicicletas tiveram por vezes uma função secundária (algo involuntária), como estendal de roupa molhada, claro que isso foi antes de passarem de moda e serem trancafiadas em sotãos e marquises, escondendo o facto de que alguma vez tenha havido uma bicicleta estática na vida; imagino os robôs de cozinha a tornarem-se jarros de flores, aquários para peixinhos dourados, em penicos high tech...ou algo do género. Esperemos que não caiam no esquecimento e que não tenham o mesmo fim das bicicletas estáticas, ou dos pagers, ou dos tamagochis...Tu que fazes sopas tão aveludadas e guisados tão quentinhos!Nunca morras robô de cozinha!!! 

Seg | 04.03.19

Rabiscando no tablet 25#

Elisabete Pereira

Mesmo a tempo do Carnaval, mais uma fornada de desenhos recentes.

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Pronto, agora podeis ir para a a folia, mas com juizinho pois o Carnaval são 3 dias, mas os arrependimentos podem ser eternos.

Sex | 01.03.19

Encurralada numa teia de dor e sofrimento

Elisabete Pereira

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Ana tem 23 anos, terminou a licenciatura à pouco tempo, e rapidamente se dispôs a procurar emprego na sua área, mas infelizmente não encontrou nada, por isso, optou por alargar a procura acabando por encontrar emprego num escritório numa área completamente diferente daquela que tinha estudado. A maioria dos trabalhadores do escrtório, era essencialmente masculina, mas Ana não se importou, até preferia, porque as mulheres são mais complicadas e intriguistas. Facilmente adaptou-se ao ritmo da empresa, e até aguentava com certa tranquilidade, as piadinhas que os colegas lhe lançavam, que embora fossem desconfortáveis e sexistas, ela preferia desvalorizar, afinal, o patrão não se iria preocupar com o facto de ela se sentir desconfortável com algo tão inofensivo, além disso, achava que aquilo era um pouco culpa dela, porque não devia abusar tanto da maquilhagem, e a roupa que usava também podia ser um pouco mais discreta, não valia a pena fazer uma tempestade num copo de água e no final acabar por perder o emprego.

Tudo parecia correr normalmente, mas havia um colega em particular, que por algum motivo que ela não conseguia explicar, lhe metia um pavor de eriçar os pêlos da nuca, ela não conseguia perceber o motivo, mas sentia um medo irracional de partilhar o mesmo espaço com ele. Durante meses, ela evitava-o, embora ele fosse bastante educado e respeitador com ela, mas mesmo assim, ela sentia-se insegura com ele. Um dia desabafou com as amigas a respeito, e elas achavam que Ana exagerava, davam risadas e diziam para ela tirar aquelas ideias da cabeça, que o mais provável era ela confundir medo com atração, e que para tirar as dúvidas, deveria marcar um encontro com ele, Ana, ficou um pouco na dúvida, mas acabou por concordar com as amigas, afinal, já fazia muito tempo que não saía com um homem, o último namorado que teve, ainda ela andava na secundária. Não houve necessidade de marcar encontro, porque pouco tempo depois houve um convivio de Natal no escritório, Ana acabou por beber demais, e o tal rapaz aproveitou a oportunidade para se aproximar dela, pouco depois ele conduziu-a até a uma sala vazia, Ana dava risadinhas á conta da bebida, e a última coisa de que se lembrava daquela noite, foi de ele a tentar beijar á força e de ela o rejeitar com dificuldade, tudo o resto ficou nublado na sua cabeça. No dia seguinte, Ana acordou numa cama completamente desconhecida, com uma enorme dor de cabeça, e para seu horror, notou que estava nua, e que não estava sozinha na cama, o tal colega de trabalho, dormia profundamente ao lado dela, com cuidado ela levantou um pouco os lençóis e vê que ele está nu também, rapidamente ela chegou á conclusão do que aconteceu. Morta de vergonha, pegou nas roupas dela que estavam espalhadas pelo quarto, e o mais rápido que conseguiu, vestiu-se e fugiu dali. Durante dias, Ana evitou ir para o emprego, tinha medo de ser julgada pelo que podia ter feito na festa de Natal da empresa, e também não queria se encontrar com o colega, mas ela não podia fugir para sempre, e num esforço enorme, conseguiu voltar à rotina laboral, e para sua surpresa, ninguém deu muita importância ao seu deslize, também ajudou o facto do deu colega lhe ter pedido desculpas pelo comportamento dele, e mal ela deu por isso, já tinha começado a saír com ele. 

O nome dele era Pedro, tinha 28 anos, e já trabalhava naquele escritório desde que tinha terminado o 12ºano, era um homem bonito e elegante, era uma pessoa que sabia cativar, e por isso o namoro começou pouco tempo depois, o pedido de casamento chegou um ano depois. Toda a familia de Ana adorava-o, assim como as amigas dela, era de opinião geral que ela tinha tirado a sorte grande no amor, Ana também pensava o mesmo, até ao dia em que o Pedro lhe pediu para deixar o emprego, ela estranhou o pedido, mas ele dizia que ía ser promovido em breve e que com o aumento que iria receber, era mais do que o suficente para eles dois viverem bem, Ana acabou por aceitar, seria bom ter um pouco mais de tempo livre, principalmente quando tivessem filhos.

O dia de casamento foi lindo, parecia um sonho tornado realidade, Ana estava feliz, e acreditava que aquele seria o primeiro dia de um futuro risonho, mas enganou-se, o castelo começou a desmoronar, pouco depois da lua de mel, quando ela foi á empresa de surpresa, buscar algumas coisas que tinha deixado quando aínda trabalhava lá; ao chegar ao seu antigo posto de trabalho, escutou uma conversa na porta ao lado, era Pedro que conversava com um colega, e para choque dela, ouviu o marido a dizer de forma descontraída que tinha deitado algo na sua bebida, para poder fazer sexo com ela sem esta se debater, naquela maldita festa de Natal, que não era a primeira vez que ele fazia aquilo com uma mulher, além disso ele tinha um caso amoroso com uma outra colega de trabalho. Ana saíu de lá a sentir-se mal consigo própria, como podia ter sido tão cega com ele, mas mesmo assim, não contou ao marido que o tinha ouvido aquela conversa, mas começou a ficar mais distante e fria para com Pedro, até ao dia em que ficou tão farta, que resolveu pedir o divórcio, ele riu-se e disse que ela era doida, que ela nunca se iria livrar dele, então Ana contou sobre a conversa que ouviu, sem aviso, ele deu-lhe um estalo na cara, e a partir daquele dia, as agressões tornaram-se frequentes.

Ana não entendia porque se mantinha naquela relação, não conseguia desabafar com ninguém, pois ela sabia que a sua família e as suas amigas não iam acreditar nela, o seu marido era uma pessoa exemplar para os outros, só ela sabia o monstro em que ele se transformava entre quatro paredes, ele era tão meticuloso na sua malvadez, que só a magoava em zonas do seu corpo que estavam sempre tapadas...e apesar de tudo, de toda a violência, ela permanecia ali. Era terrivel, quando os pais lhe perguntavam por netos, Ana tinha terror em engravidar de Pedro, mas felizmente até ali, não engravidara, para evitar mais perguntas, Ana foi deixando de visitar a família com frequência, de sair com as amigas, fechou-se em si mesma e na sua dor, ela já não se reconhecia mais...

Havia uma ponte próxima da sua casa...era madrugada e Ana não conseguia dormir, aquela noticia do hospital, continuava a assombrar a sua mente, então levantou-se de fininho, e vestindo apenas o vestido de noite saíu de casa, os pés descalços não faziam barulho enquanto chegava até á ponte, ela ficou um bom tempo a observar o rio lá embaixo, pela primeira vez, sentia-se tranquila e em paz. Depois, como numa epifania, ela ultrapassou as grades da ponte, abriu os braços, fechou os olhos, e com um sorriso no rosto deu um salto, como se fosse voar e finalmente ser livre...

A família de Ana recebeu a noticia da sua morte em choque, o corpo tinha sido encontrado a boiar na margem do rio, ninguém entendia porque se matou, ela tinha uma vida aparentemente perfeita, era jovem e feliz, pelo menos parecia que fosse, até que começaram a reflectir nos últimos acontecimentos, e começaram a perceber alguns comportamentos estranhos que ela demonstrou nos últimos tempos de vida. Dias depois, quando as amigas arrumavam as coisas de Ana para serem doadas, encontraram numa gaveta uma carta do hospital, que estava endereçada para Ana, ao abrirem o envelope e lerem o subscrito, descobriram que Ana estava grávida.