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The book of stories

The book of stories

Seg | 28.01.19

O incrível mundo das apps de encontro e a fauna que por lá habita

Elisabete Pereira

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A minha vida romântica sempre foi algo...curta, ou quase inexistente, a verdade é que nunca senti aquelas coisas dos livros ou dos filmes românticos, foram poucas as vezes que me senti atraída por algum homem, e quando isso acontecia, rapidamente perdia o interesse...e a paciência também (acho que gosto demasiado de ser solteira). Mas enfim, nem todos são como eu, e existem muitas pessoas solteiras que acham que estar sozinhas é o fim do mundo, por causa disso metem-se em situações que chegam a ser bizarras (sim falo na moda que agora está na tv, de programas baseados em encontros com desconhecidos, mas não só).

Já não é propriamente um assunto novo, antigamente haviam pessoas que falavam com desconhecidos por carta, mais tarde surgiram os anúncios nos jornais, no auge do teletexto, haviam salas se chat, que depois passaram para a internet, e mais tarde, surgiram as apps de encontro.

Á muitas luas, descobri o incrivel mundo dessas apps, e desde então nunca mais fui a mesma pessoa...mentira, continuo igual, mas sem dúvida que aquilo é um lugar que precisa de ser estudado e investigado (a sério, há pessoas muito estranhas por lá). Tudo começou com uma conversa com uma amiga minha, que tinha se separado recentemente, e que para meu espanto se aventurou numa dessas apps e encontrou por lá um moço que aparentemente seria um bom partido (mais tarde veio a provar-se que não). Confesso que fiquei com certa curiosidade e fui espreitar, o que se revelou um grande erro, em menos de cinco minutos depois de me ter inscrito, fui bombardeada com dezenas de mensagens, vinham em catadupa, e eu que nem tinha uma foto propriamente incrível, nem maquilhagem usava na foto, e era algo desfocada. Percebi que anda por ali malta que anda à procura de "luta entre os lençóis" de graça, e isso não tem problema, desde que ambas as partes concordem com isso, o problema é quando acham que todas as mulheres que lá estão, também querem o mesmo, muitos nem se dão ao trabalho de ver o perfil da pessoa, viu a foto, gostou, e o resto não interessa; há quem nem tenha critério e envia mensagem para toooooodas as mulheres que lá estão, não importa a idade, não importa nada, e como sei isto, porque são aqueles que mandam-te apenas um "olá", "tudo bem?", "bom dia", "como estás?" (não se pode perder tempo com frases grandes, e há sempre a esperança de alguma cair na rede), os que são casados (mas como ninguém vê a marca da aliança na app, está tudo bem?!), os que passam a vida a tirar fotos em tronco nu (marketing estratégico...mas com pouco conteúdo), e aqueles que são aparentemente normais (aquele tipo de pessoa que passa por nós na rua) mas no fim descobre-se que tem um ou dois parafusos a menos. Estive nessa app cerca de dois dias, até ao momento em que comecei a pensar no que a minha vida tinha dado de tão errado para eu parar ali, e por isso apaguei o meu registo. A conclusão que tiro desta experiência? Nenhuma, apenas perdi tempo da minha vida, que já não volta; que existe muita solidão no mundo, e que as pessoas estão dispostas a tudo (ou quase tudo) para terem...eu não diria amor, mas sobretudo atenção, e também colmatarem a carência que sentem...é triste, mas é uma realidade, peço desculpa, mas eu não acredito que relacionamentos começados online acabem por dar certo, se nunca conhecemos ninguém na vida real a 100%, como podemos conhecer alguém que nunca vimos? Há quem diga que existem casais que se juntaram assim, mas eu pergunto, há quanto tempo estão juntos? Será que um deles ainda continua nesse tipo de apps sem o outro saber? E poderia continuar nisto, mas o texto já está a ficar muito comprido, e por isso termino com o seguinte: "Parem o mundo que eu quero descer!"

Dom | 27.01.19

O momento em que percebo que sou uma blogger distraida

Elisabete Pereira

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Não sei porquê, mas estava na ideia de que tinha criado o primeiro post no inicio de Fevereiro do ano passado, mas não...estava redondamente enganada, hoje, a título de curiosidade foi andando para trás nos posts publicados, e estava ali, preto no branco, 22 de Janeiro de 2018 ás 16:55...a minha alma caiu ao chão no momento, a data passou, e eu nem sequer assinalei a efeméride. Nem a data em que o blogue começou eu sabia..que...que blogger sou eu? . Porque sou tão distraída? Meu querido blogue, que apesar de pequenino já me deu várias coisas boas, que nunca me pediu nada em troca, e no fim nem sequer soube assinalar a data. Mas pronto, mais vale tarde do que nunca, fica aqui a minha singela homenagem ao meu querido blogue, que me acompanhes muitos anos e que nos bons e maus momentos estejamos juntos. Para o ano prometo uma coisa melhor

Sex | 25.01.19

A noiva de papel (parte5, última)

Elisabete Pereira

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As horas passavam, mas John Morgan não manifestava vontade em colaborar, o interrogatório ia longo, e apesar das provas, John negava veementemente o seu envolvimento na morte da esposa.

- Oiça, eu não tenho nada a ver com isto, é tudo um grande equivoco.

- Não me parece senhor Morgan. - o inspector respondeu impacientemente - Quando mais cedo admitir a culpa, mais cedo arrumamos o assunto.

- Não há nada a admitir. - John cruzou os braços - Estou inocente.

- Pois bem, já que não quer admitir, tenho que lhe apresentar as provas - o inspector colocou uma pasta de papel pardo em cima da mesa - Pode ver o que está aí nessa pasta.

- São apenas papeis... - John sorriu - Podem ser forjados.

- Já vi que quer jogar com a autoridade. - o inspector levantou-se e começou a andar pelo espaço - Então ou vou lhe contar, o que se passou. Tudo começou há muitos anos, 25 mais precisamente, aqui nesta terra, em Aubrey,  onde o seu pai infernizava a própria família, embora em público mostrasse ser uma pessoa exemplar. Um dia, a sua mãe tentou fugir convosco, mas foi descoberta, como castigo, o seu pai colocou-a sob efeito de calmantes e soniforos, mas mesmo assim, para ele não era suficiente e então, pegou em vós e levou-vos para o orfanato, e em seguida obrigou a sua mãe a se matar...

John recostou-se na cadeira, parecia interessado na narrativa, mas não falou nada, então o inspector continou:

- Anos se passaram, e você há muito que perdera o contacto com a sua familia, inclusive pela sua irmã, que fora adoptada pouco tempo depois de ter chegado ao orfanato, a sua revolta crescia, e por variadas vezes meteu-se em confusões, inclusive foi apanhado a roubar. Quando chegou a altura de sair do orfanato, decidiu mudar de nome...

- Vejo que o inspector fez o trabalho de casa. - John interrompeu o inspector - Mas ainda não entendo o que estou a fazer aqui.

- Não?! Tudo bem, já lá vamos. Não foi fácil encontrar a sua nova identidade, mas acabamos por conseguir, descobrimos também que de maneira ilícita conseguiu subir a pulso numa imobiliária que por ironia do destino pertencia ao pai da sua esposa, provavelmente a sua esposa já era um alvo para si, porque ao fim de menos de um ano estavam casados, no entanto você já tinha uma amante...

John ergueu uma sobrancelha, o único indicador que a história o estava a começar a afectar:

- Mas, o seu sogro deve ter notado que algo estava errado consigo, porque menos de dois anos depois, você foi despedido da imobiliária, o seu sogro nunca deu uma justificação para tal, mas, você deve ter dado grandes motivos para isso. No entanto, o senhor conseguiu convencer a sua esposa a conversar com o pai, e ele deu uma oportunidade, reabilitar uma mansão velha numa aldeia dos arredores de Londres, e tornar a casa num hotel rural, por coincidência era a sua casa de infância. Você aceitou a proposta, mas a sua amante não achou particular piada na ideia de ficar longe de si, e começou a chantagea-lo, a situação ficou de tal forma desagradável, que você teve de ir a Londres pessoalmente para a calar, mas para seu azar ela logo depois foi denuncia-lo á policia, e precisamente no dia em que a sua esposa foi morta.

- Amy... eu devia ter adivinhado que ela não iria ficar calada, apesar da quantia de dinheiro que lhe dei...Mas tenho de admitir que eu lhe devo tudo o que tenho. - John adoptara um ar sério, o sorriso apagou-se de imediato - Foi ela quem me aconselhou a mudar de nome, acreditava que era um recomeço para mim, tinha mais fé em mim do que eu próprio.

- Já se conheciam há muito tempo?

- Eu tinha 17 anos e ela teria quase 40 anos. - John remexeu-se na cadeira - Na altura , ainda era casada com um homem muito rico, acho que o tipo era director de um banco qualquer. Eu trabalhava em part-time numa oficina do irmão de um amigo meu, e um dia ela foi lá arranjar um problema que tinha no carro, o resto...bem, digamos que não lhe passei despercebido, começamos um relacionamento que durou até á bem pouco tempo. Foi ela quem mais tarde me aconselhou a casar com Kate. Também foi ela quem me ajudou com o meu pai...

- Como assim? - o inspector ficou surpreendido com a afirmação de John - O que isto tudo tem a ver com o seu pai?

- Ora, ora, o senhor inspector é tão bem informado, mas afinal não sabe sobre o meu pai? - John sorriu de forma maliciosa - Pois bem, eu vou lhe contar. Eu sentia-me com raiva com o que o meu pai me havia feito, e mal saí do orfanato,  jurei vingar-me dele assim que o encontrasse, o que acabou por acontecer, não foi fácil, mas cerca de dois anos depois, descobri onde ele estava. O idiota tinha se dado bem na vida, era director de uma pequena fábrica de medicamentos, embora o tivesse feito de uma forma discreta, claramente ele não queria ser encontrado. Amy aconselhou-me a ter prudência em chegar até ele, ela sabia que eu por vezes posso ser um pouco impulsivo, e por isso criamos um plano em conjunto, fiz de conta que era um jornalista de uma revista digital que abordava pessoas de sucesso, ele rapidamente caiu na ratoeira e deu-me a morada de casa, combinamos a data e o horário de encontro. Levei todo o equipamento para ele acreditar no meu personagem, mas escondido, levava também uma pequena surpresa para ele, um pequeno frasco com um amendoim desfeito em pó, eu sabia que ele era alérgico a amendoins, e bastava um pouco daquilo para causar um grande estrago nele, aproveitei o momento em que ele se ausentou para ir á casa de banho, e coloquei o conteúdo do frasco no copo de whisky que ele pousara na mesa; quando ele voltou inventei uma desculpa de que tinha de ir embora, não queria estar ali quando ele se começasse a sentir mal. O resto toda a gente sabe, ele foi encontrado pela policia dias depois em estado de decomposição, a causa de morte foi uma severa reacção alérgica que levou a uma paragem respiratória, tudo demonstrava ter sido um incidente.

- Posso saber porque está a contar tudo agora? - o inspector parecia verdadeiramente surpreendido por aquela revelação - Sabe que a sua situação piorou bastante por causa disso.

- Perdido por cem, perdido por mil - John respondeu tranquilamente - Ambos temos a noção de que a aventura terminou para mim, por isso mais vale contar tudo de uma vez, e confesso que tenho um certo orgulho no que fiz.

- Então está disposto a colaborar, e aceitar as acusações sobre si? 

- Digamos, que estou disposto a negociar...

- Não estou a perceber.

- Eu aceito a acusação de assassinato de Kate, mas não quero ser acusado da morte do meu pai, e não quero que Amy seja incriminada também.

- E porque eu aceitaria isso?

- Simples, porque eu posso dificultar a vida, as provas que têm contra mim podem ser facilmente refutadas, e isso significaria perder muito tempo com algo que não iria dar em nada, a única prova consistente é o ódio do meu sogro por mim...

- Como explica então o facto de Kate não saber nadar? - o inspector rosnou - Que eu saiba, só alguém muito próximo saberia disso.

- E quem disse que não foi ela que escorregou e caiu ao lago? - John estava irredutível - Não há testemunhas, pode apenas ter sido um acidente...

- Eu não deitaria foguetes tão rapidamente senhor Morgan, foram encontradas pegadas na zona onde se pensa que Kate terá caído, e acontece que essas pegadas condizem com umas botas suas encontradas no caixote do lixo da sua casa, e curiosamente essas botas encontravam-se enlameadas.

- Outra pessoa poderia ter usado as minhas botas, só para me incriminar, porque duvido que tenham encontrado alguma marca, adn ou impressão digital minha. Como vê, rapidamente você vai parar a um beco sem saida, e a sua implicação comigo, uma pessoa inocente, e isso poderá levar a uma má reputação da sua imagem.

- Posso saber porque motivo não quer ser acusado da morte do seu pai?

- Porque ele mereceu, era um monstro que precisava de ser eliminado.

- Nesse ponto eu poderia dizer que você é igual a ele.

- Talvez, mas eu estou disposto a pagar pela morte da minha mulher, coisa que o meu pai nunca o fez, se o tivesse feito, provavelmente eu não estaria hoje aqui á sua frente.

- Sabe que não cabe a mim o facto de você ser ou não acusado da morte do seu pai, só um juiz o poderá fazer.

- É verdade, mas como sabe, às vezes poderiam surgir boatos sobre a morte do meu pai, e não me parece que haja necessidade de trazer o assunto para a luz do dia.

-Não existem provas da sua ligação com a morte do seu pai, além disso o caso foi dado como morte acidental e encerrado, por isso acho que não terá que se preocupar com isso. Agora vamos ao que interessa, porque matou a sua esposa?

- Kate por vezes era...um pouco chatinha, sabe? Ela era uma mulher muito bonita, mas não tinha conteúdo, era uma autêntica piscina rasa. Amy era amiga do pai de Kate, e por isso conhecia a familia muito bem, foi ela quem me apresentou ao meu futuro sogro, disse que eu precisava de um emprego, que eu não tinha estudos, mas que era empenhado, ele aceitou. Não demorou muito até começar a aproximar-me de Kate, foi numa festa da empresa, ela tinha acabado de chegar de viagem, e ficou verdadeiramente encantada comigo, em pouco tempo começamos a sair juntos, o pai dela é que não achou graça, e parecia desconfiar de mim...mas Kate conseguiu convencê-lo de que eu tinha intenções serias em casar. Só que ele pregou-me uma surpresa, e obrigou-me a assinar um termo em que eu não teria direito a nada, caso um dia me viesse a separar de Kate, claro que isso me levou uma alteração de planos, mas mesmo assim casei com Kate, Amy achou que eu devia voltar atrás,  mas já que tinha chegado tão longe, não iria desistir. Mas a minha ganância um dia falou mais alto e fui apanhado a roubar na empresa, tinha ficado até mais tarde com a desculpa de que precisava de analisar uns relatórios de vendas por causa de uma discrepância de valores, já todos tinham saido quando fui ao gabinete do meu sogro, o meu objectivo era pegar no dinheiro do cofre do escritório dele, mas infelizmente naquele dia o meu sogro esqueceu-se do telemóvel e voltou para trás, e encontrou-me a assaltar o cofre, se não fosse por causa de Kate eu teria ficado sem nada, mas ela avisou o pai do escândalo que seria se as pessoas soubessem o que aconteceu, o meu sogro aceitou, mas nunca mais confiou em mim.

Quando viemos para cá, os primeiros dias correram bem, mas aos poucos Kate foi se queixando cada vez mais da vida do campo, e de mim também, mais tarde descobri, que ela falava com o pai ás escondidas, e tinha o plano de se separar de mim, mal a casa ficasse pronta, claro que eu não podia deixar, não podia ficar sem o dinheiro, fiz de conta que não sabia de nada, e então lembrei de fazer um seguro de vida em nosso nome, ela nem desconfiou dos meus argumentos, caso algo acontecesse a um de nós o outro receberia uma boa indemnização. Não foi dificil atrai-la até á beirada do lago, na parte mais profunda, depois aproveitei uma distracção dela e dei um bom empurrão, ela caiu, e eu fiquei a vê-la a afogar-se.  Depois fui até Londres falar com Amy, mas ela virou-me as costas, embora tenha aceitado o dinheiro que lhe dei...

- O seu caminho chegou ao fim John Morgan. - o inspector entregou-lhe um bloco de notas e uma caneta - Preciso que escreva a sua confissão, pode ser que o Juiz lhe reduza a pena pelo facto de ter confessado o seu crime.

John não respondeu, limitou-se a pegar no bloco e na caneta e começou a escrever.

*************

Nos dias a seguir não se falava noutra coisa em Aubrey, mesmo os jornais deram grande destaque áquele crime, mas ao fim de algum tempo a vida voltou ao ritmo de sempre. A mansão de white lake continuou vazia, meia arranjada meia decadente, acabou por se tornar num bizarro lugar de peregrinação por parte de pessoas que procuravam fantasmas, pois diziam que pouco tempo depois do crime, começou-se a ver o fantasma de Kate Morgan junto ao lago...

Qua | 23.01.19

Talvez eu não seja boa pessoa...

Elisabete Pereira

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...mas eu não sou grande fã daqueles actos solidários, que por vezes surgem por aí, em certas alturas do ano, e quando vêm até mim crianças sorridentes com sacos de papel na mão, aceito o saco, mas não o uso (a estratégia de usarem crianças é muito inteligente, porque raras são as pessoas que dizem não). Mas, só por aí já da para ver que estas campanhas não têm nada de inocente, e honestamente, eu não acredito que as coisas vão parar a quem realmente precisa; e depois, se houvesse uma verdadeira vontade em apoiar, não seria por este caminho, ou melhor, em vez de se dar o "peixe", devia-se ensinar a "pescar", mas como é óbvio, estas instituições deixariam de ter utilidade, (existem muitos interesses por trás, e convenhamos que estas campanhas movem muito dinheiro directamente, e indiretamente também ). Este desabafo vem pelo facto de eu ter presenciado algo que pode servir de metáfora para aquilo que eu escrevi em cima; onde trabalho existe uma parte em que os carros se deslocam até a uma janela para levantarem as refeições previamente pedidas, e por vezes surgem pessoas a pedirem dinheiro aos condutores, há quem dê dinheiro, há quem não dê nada, e há aqueles que em vez de dinheiro, dão comida, e até aqui tudo bem, afinal cada um faz o que a sua consciência lhes pede, o problema é quando há quem se cubra com um manto de dignidade e goste de mostrar que é solidário, mas depois também quer beneficiar com isso. Um distinto indivíduo, de carro topo de gama, faz o seu pedido, no entanto é interpelado por uma dessas pessoas que lhe pede dinheiro, este decide que em vez de dinheiro, vai lhe dar comida, chegado o distinto indivíduo á janela, pede para eu juntar ao seu pedido inicial, mais alguma comida para oferecer á pessoa que lhe pedira dinheiro, eu atendo ao pedido do indivíduo distinto e entrego a comida, nisto, a pessoa que pedira dinheiro, vira-se para mim e pergunta se tenho talheres de plástico, eu digo que não, e então o distinto indivíduo do carro de alta gama, indigna-se comigo, e pergunta se não posso dar talheres normais, eu digo que não o posso fazer, mas o indivíduo torna-se um pouco mal educado comigo, e eu para não descer ao nível do distinto indivíduo, opto por chamar o gerente, e este entrega talheres normais á pessoa que estava a pedir dinheiro, no fim, o distinto indivíduo pede factura do seu pedido e do pedido que entregou á pessoa que estava a pedir dinheiro (o valor era de 3.70€, mas mesmo assim o distinto indivíduo pediu factura), no fim lá foi o distinto indivíduo satisfeito com a sua "boa acção" do dia.

Talvez até esteja a exagerar, e o caso não seja para tanto, embora eu não ponha toda a gente no mesmo saco, nem acho que seja melhor pessoa do que o restante da Humanidade, mas este tipo de situações dá-me azia, porque para mim isto é "brincar á caridadezinha" (já dizia a canção), existem muitas pessoas que ajudam de forma desinteressada e que doam o seu tempo e dedicação sem ganharem nada com isso, nem fazem publicidade de tal, mas infelizmente há outros que aproveitam a onda, para no fim arrecadarem alguns cobres e lucraram com a desgraça alheia, mesmo que seja por menos de meia dúzia de euros.

Qua | 16.01.19

Como comprei o meu primeiro leitor de mp3

Elisabete Pereira

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Por norma, não sou pessoa de guardar objectos do passado, e quando por algum motivo já não uso algo, prefiro doar, ou se já não estiver em bom estado, deitar fora. Mas é claro, que toda a regra tem a sua excepção.

Como hoje estou de folga, aproveitei para dar uma arrumadela ao meu quarto, e guardado numa caixa, estava meu primeiro leitor de mp3, corria o ano de 2007 quando o comprei. Lembro que desejava bastante ter um leitor de mp3, mas até aí nunca tinha tido nenhum, nem tinha coragem de pedir aos meus pais (nunca fui pessoa de estar a pedir coisas constantemente aos pais). Até que um dia andando pela rua encontro 30 euros no chão, (ou melhor 3 notas de 10 euros), e pensei, já que não é de ninguém, vou ficar com eles e comprar um leitor de mp3, fui até a uma loja e comprei o dito ( se bem me lembro, terá custado 33 euros, ou seja, ainda tive que dar mais 3 euros), tinha 1gb de armazenamento, o que na altura era muito, e era alimentado a pilhas. Foi um objecto muito estimado por mim, e levava-o para todo o lado, cheguei inclusive, por algumas vezes, levá-lo para a escola e empresta-lo a uma colega de turma, era uma companhia durante a noite em que ouvia música até adormecer, ou a pilha acabava. Quando olho a esta distância, sinto alguma vergonha das músicas que lá tinha (a sério, aquilo era muito mauzinho), felizmente nunca ninguém irá saber o que eu ouvia, é um segredo que vou levar comigo para a cova (riso maquiavélico). Infelizmente um incidente com uma pilha comprada numa loja dos chineses, ditou o fim do meu leitor de mp3 (ao fim de 4 anos), no entanto ainda o usei como pen drive durante mais algum tempo, mas como tudo na vida, chegou o dia em que este deixou de funcionar de vez, e é verdade que o podia ter levado para reciclar, mas nunca consegui desfazer-me dele porque me lembra de uma época em que eu vivia mais despreocupada, ou melhor, em que a minha maior preocupação era estudar, e passar de ano, uma época em que surgiram também as primeiras pen drives com capacidade superior a 1 gb de memória, e ao consequente fim das disquetes (ainda cheguei a usar muitas vezes para trabalhos escolares, aliás tenho uma caixinha própria com algumas disquetes), em que os telemóveis ainda não eram inteligentes, na verdade, nessa época, quem tinha um telemóvel com câmara fotográfica era o maior (principalmente se fossem da Nokia), onde as redes sociais resumiam-se ao hi5, e onde uma adolescente de óculos sonhava um dia ter um blogue (que por acaso sou eu).

Sex | 11.01.19

Era uma vez uma fobia

Elisabete Pereira

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A minha relação com os automóveis não é fácil, nada mesmo, mas nem sempre foi assim, em criança roubava os carros do meu irmão para brincar, ligava mais aos carros do que ás bonecas.  Fui crescendo, e a ideia de ter a carta e ter carro era algo que eu ambicionava, até ao momento em que fui confrontada com isso, e percebi que não iria ser fácil. Estive no código quase nove meses, (como uma estranha gravidez),reprovei uma vez, e passei á segunda, depois foi a condução, cada aula era um martírio para mim, nem sei como passei no exame á primeira...

Depois arrumei a carta na gaveta por quase 2 anos, até que arranjei um trabalho, e o meu pai achou melhor eu ter um carro, eu não achei tanta piada assim, mas aceitei, e no dia seguinte a ter o carro, fiquei sem trabalho. Até seria positivo, pois teria mais tempo para treinar, só que o medo e o terror fizeram com que eu evitasse entrar no carro, e meses depois este foi vendido. Anos se passaram e eu fui ocultando esta dificuldade, até que comecei a trabalhar onde estou agora, e eu fui empurrando com a barriga durante um tempo, mas acabei por comprar aulas extra (12 mas era igual se tivesse tirado 1000), mesmo assim não me sentia preparada. Um mês depois, comprei um carrito barato, e no mesmo dia que o comprei, bateram-me no carro numa rotunda, e lá foi o dito para a sucata, aquilo deitou-me muito abaixo, e arrumei a ideia de ter um carro na gaveta, mais algum tempo se passou e eu sentia-me envergonhada de depender do meu pai. O ponto de viragem foi quando o meu pai trocou de emprego e fiquei sem boleia, tomei coragem e atirei-me naqueles sites de compra de artigos usados, e rapidamente encontrei o que pretendia, fiz o negócio, mas novamente sentia-me bloqueada, não conseguia andar com o carro, e evitava passar perto dele, foi um tormento, por duas vezes coloquei o carro á venda, mas acabei por me arrpender, uma vozinha cá dentro dizia para não desistir, e aos poucos fui ultrapassando os obstáculos, devagar, comecei a conduzir percursos curtos, e fui aumentado a distância de deslocação, ainda tenho medo, ainda por vezes grito para dentro "vou morreeeeeer!", ás vezes cometo erros, mas acredito que estou no caminho certo, e mesmo que nunca venha adorar conduzir, pelo menos serei capaz de ser mais independentemente, e capaz de ultrapassar os meus medos.

Seg | 07.01.19

Porque sou uma cabeça de vento

Elisabete Pereira

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Tinha decidido, mal começou o ano, mudar o template do blogue, não que eu não gostasse do que tinha originalmente...mas, eu sou assim, gosto de ir de vez em quando, mudar as coisas,  alterar, personalizar, etc. Houve uma altura até que peguei no meu velhinho computador de 15 anos e no windows xp bem engasgado, e mudei o sistema operativo para uma distribuição linux, até ganhou uma vida nova.

Tudo corria bem, escolhi o template que queria, mas ainda assim queria personaliza-lo a meu gosto, e aí começou o problema, escolher a côr certa, escolher uma imagem que coubesse, o tipo de letra...durante dias foi uma autêntica dor de cabeça, ainda por cima com pouco tempo livre, as coisas foram feitas aos gargarejos, mais tarde reparei que não tinha menus, e toca a mudar de template novamente, e novamente noto que não tenho menus na mesma, só mais tarde é que eu dei conta que, quando se escolhe um template novo, os menus desaparecem, e têm que ser feitos novamente, e no meio desta brincadeira toda, acabei por adiar os posts que tinha para escrever, e nada disto teria acontecido se tivesse adiado a troca de template durante as férias, ou numa altura em que tivesse mais tempo livre, mas como sou uma cabeça de vento, quis fazer tudo de imediato, e acabei por perder mais tempo do que o necessário. Serve isto como desculpa para ter estado estes dias todos sem escrever nada, pelo menos agora estou satisfeita com o resultado, pelo menos por enquanto (acho que ainda vou mudar algumas cores).

Qua | 02.01.19

2019, aí vou eu!

Elisabete Pereira

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Comecei a escrever este texto na noite de passagem de ano, mas só hoje o consegui terminar, cansada do trabalho (que foi muito), mas satisfeita por estar em familia. O final de um ano, é uma página que termina, um capítulo onde se escrevem as últimas palavras, é dia em que se olha o passado, o que de bom ou menos bom aconteceu, é a altura do ano em que fazemos contas á vida e em que vemos que as resoluções que tinhamos para este ano, a maioria foi para o "brejo das urtigas" , o que significa que não deveríamos fazer resoluções de ano novo, porque é sempre uma frustração, e no fundo sabemos que não as vamos fazer, mas a vida por vezes também nos prega partidas, algumas boas, outras nem tanto, e apesar de tudo vamos seguindo em frente, na esperança que o novo ano traga coisas melhores. Este ano para mim foi assim-assim, nem carne nem peixe, nem chuva nem sol...mas as coisas boas conseguiram ofuscar as menos boas, e ainda assim consigo destacar algumas, como por exemplo, a publicação de um conto meu em livro, no entanto ainda não estou satisfeita, quero ter um livro totalmente escrito por mim, tenho esse objectivo há muito tempo, e espero conseguir fazê-lo no ano de 2019; outra coisa boa foi ter criado este blogue, algures em Fevereiro de 2018 comecei a minha aventura por aqui, e tenho continuado, e espero que por muito tempo.

Para 2019...bem, tenho começado a ver a germinar as sementinhas ainda nos últimos dias de 2018, mas ainda é cedo para contar, vamos ver lá para a frente... De resto, gostava que fosse um ano positivo para mim e para os meus, cheios de saude e de coisas boas.

Um bom ano para todos!!