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The book of stories

The book of stories

Sex | 28.12.18

Um texto em formato de "roupa velha"...ou restos

Elisabete Pereira

 Agora que ainda estamos em época natalícia, deixo-vos um texto que criei há algum tempo, que era para ser para um outro projecto, que acabou por não se realizar, e como não estou muito inspirada em escrever, deixo este texto de humor em jeito de "roupa velha".

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Entrevista com alguém que teve um encontro imediato com um extra-terrestre

 

Jornalista -Hoje temos em entrevista o senhor Armelindo Peçonha, da aldeia de sacho grande , que teve um encontro imediato com um extra-terrestre. Diga-me senhor Armelindo, como foi que tudo aconteceu?

Entrevistado -Desculpe, mas em qual canal de televisão vai aparecer a entrevista?

Jornalista -Isto é para um programa de rádio, não vai aparecer na televisão.

Entrevistado -Ora bolas, e eu que decidi tomar o meu banho mensal mais cedo porque pensava que ia aparecer na televisão, cheire lá o meu pescoço, despejei um frasco de perfume da minha mulher e tudo.

Jornalista-Pois, peço imensa desculpa, mas…e sobre o extra-terrestre?

Entrevistado -Ah, sim, isto aconteceu á cerca de dois dias, ia eu pelas terras do ti Amâncio, porque já era tarde, e acabei por ficar na tasca até mais tarde, e para a minha mulher não descobrir, decidi ir por um atalho, e foi quando de repente vejo um clarão, viro-me e vejo o e.t. á minha frente.

Jornalista -E teve medo?

Entrevistado -Não menina, eu já vi muita coisa nesta vida, até já cheguei a ver uma batata com a cara da minha falecida sogra! Por isso aproximei-me e…

Jornalista-E?

Entrevistado -O e.t. falou comigo.

Jornalista -E o que lhe disse?

Entrevistado -Disse…muuuuuuu!

Jornalista -Muuuuu?!

Entrevistado-Sim menina, era uma vaca extra-terrestre.

Jornalista-Isso não existe!

Entrevistado -Existe sim senhor! Ou acha que lá no espaço também não existem animais extra-terrestres? Como é que acha que os homenzinhos verdes se alimentam, é muito provavel que até haja vegetais extra-terrestres.

Jornalista -Mas porque diz que a vaca era extra-terrestre, poderia ser perfeitamente a vaca de algum vizinho.

Entrevistado -Ó menina, eu conheco todas as vacas da vizinhança, e aquela era diferente de todas as vacas.

Jornalista -E porquê?

Entrevistado -Porque era verde e tinha antenas, ora toda a gente sabe que se algo tem antenas e é verde, é porque é extra-terrestre!

Jornalista -Claro que sim…e depois, o que aconteceu?

Entrevistado -E depois nada, a vaca ficou parada a olhar para mim, mas a tipa não me engana, ela devia estar a sondar-me para enviar informações para os mestres dela.

Jornalista -E porque acha isso?

Entrevistado -Já viu a minha figura? Eu sou um homem, digamos, bem apessoado, desde a pança até ao nariz vermelho e o proprio bigode, é óbvio que me querem clonar.

Jornalista -Pois, muito provavelmente….e mais?

Entrevistado -Olhe, não, me lembro…sabe, é que nesse dia estava com um grãozinho na asa, e apaguei, só sei que acordei horas mais tarde, e de cuecas…acho que a vaca levou a minha roupa…

Jornalista-Muito interessante. Mas imagino que por causa da sua experiência, agora deve ser uma pessoa popular na sua aldeia,

Entrevistado-Nem por isso, olhe, a minha mulher diz que são desculpas da minha bebedeira, e que se volto a chegar tarde, que me tranca a porta de casa, e lá tenho novamente que dormir na casota do cão, e sabe, aquilo é um bocado apertado para dormir, e as pulgas…

Jornalista -Lá isso é verdade...e os seu amigos?

Entrevistado -Também não acreditam em mim, mas eu sei que é tudo inveja.

Jornalista -E porquê?

Entrevistado -Olhe, por exemplo o meu vizinho Ernesto, teve a lata de dizer que a vaca não era extra-terrestre, que era uma vaca dele, e eu disse-lhe, ai é, e desde quando tens uma vaca verde com antenas, volta e meia tinhas escondida em algum lado não?!

Jornalista -E ele?

Entrevistado -Ele disse que foi por causa de uma festa temática que fez naquele dia, e que tinha pintado a vaca de verde e posto umas hastes de marmeleiro na vaca, teve até o desplante de me mostrar a lata de tinta…mas eu perguntei, e o clarão? Sabe o que ele me respondeu?

Que eram os farois do trator, porque a vaca tinha fugido dos terrenos dele e que ele foi atrás dela de trator.

Jornalista -E você acreditou?

Entrevistado -Claro que não, eu não me deixo enganar tão facilmente, e por isso perguntei, olha lá, então porque é que acordei horas depois em cuecas? E ele disse, que isso fui eu que a dada altura tirei a roupa e que comecei a correr atrás da vaca em cuecas, e de repente ela deu-me uma cornada, e eu desmaiei…

Jornalista -E acha que foi o que aconteceu?

Entrevistado -Não, ele disse isso só para disfarçar, eu desconfio que ele faz parte deles.

Jornalista -Deles?

Entrevistado -Dos E.T.s pois está claro! Ele está cá disfarçado para enganar toda a gente.

Jornalista -E porque diz isso?

Entrevistado -Porque á uns tempos apanhei-o com um anjo, e ele tentou arranjar uma desculpa.

Jornalista -Um anjo?

Entrevistado -Sim,sim, ele depois disse que era uma boneca insuflavel,mas que eu saiba as bonecas insufláveis não voam, e aquela voou, vi com estes olhos que a terra há-de comer.

Jornalista -E como foi isso?

Entrevistado -Eu estava a passar pelas terras do ti Amâncio, quando de repente vejo o Ernesto todo nu atrás de um arbusto a fazer uns barulhos esquisitos e de repente vi o anjo voar dos arbustos e ir cada vez mais alto…

Jornalista -Hum….Já deu para entender tudo senhor Armelindo, que história tão interessante, mas o nosso tempo já acabou, passo agora a emissão para o estúdio de rádio.

Entrevistado -Oh menina, mas olhe que eu ainda tenho muita coisa para contar…menina, oh menina não fuja…olha e não é que fugiu mesmo?! Não percebo, enfim ninguém me entende, bem…vou para a tasca do ti Manel, tenho é que ter cuidado com a minha mulher... se ela sabe, volta a correr comigo de casa com a vassoura.

Dom | 23.12.18

A manifestação dos coletes amarelos, terá sido falta de marketing ?

Elisabete Pereira

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Nos últimos tempos não se falava noutra coisa, um grupo secreto no whatsapp iria fazer uma manifestação para parar o país, em modo de imitação dos lados de França, andava tudo em polvorosa e preocupada por causa das consequências desta "iniciativa", o problema é que chegou o dia e...nem uma centena de pessoas apareceu, mas calma, não estou a criticar o movimento, afinal mostraram ser pessoas de palavra (coisa que muitos políticos não são) só acho que lhe faltou um pouco de marketing, mas também penso que foram vitimas da má escolha da data, porque a poucos dias do Natal, já se sabe que anda tudo nos centros comerciais, principalmente os funcionarios públicos, que aproveitam e fazem ponte até ao inicio do próximo ano, e que como se sabe, são eles que continuamente fazem greve ao longo do ano e logo aí perdeu-se muita gente para o comércio. Se isto tivesse sido noutra altura do ano, acredito que teria havido maior adesão, mas assim, poucos aparecerem. Uma boa maneira de cativar, seria através de brindes, por exemplo, canetas, porta-chaves, calendários, etc, e tudo em forma de colete reflector, onde nas costas do colete haveria um espaço onde as pessoas escreveriam a sua reivindicação,( no meu caso seria "o regresso do Batatinha e Companhia" ), todos sabem que os portugueses pelam-se por brindes, e por coisas gratuitas...e pela Blackfriday da Worten. Também se poderiam oferecer vouchers de coisas que ninguém irá usufruir, mas que sempre fica bem oferecer no Natal, do género "50% de desconto no menu de degustação da taberna O tremoço da tia Alzira". Outra coisa seriam as reivindicações, ou melhor, as ameaças para tal, fechar estradas, isso é tão anos 90, teriam de ser coisas que afectassem verdadeiramente os Portugueses, por exemplo, " Fechar todos os estabelecimentos de restauração a partir das 6 da tarde!" "Vamos apoderar de todos os descontos dos hipermercados!" "Vamos ficar com todo o stock de bacalhau, e por isso ninguém vai ter bacalhau no Natal!" (esta acho que alguns não se iam importar muito), " A partir de agora todos terão de ser Vegan á força!", e por aí fora. Claro que o facto de usarem um colete reflector como imagem de marca não ajudou muito, afinal todos sabem que aquela cor está completamente ultrapassada desde 1986.

Sex | 21.12.18

Parece que hoje começa o Inverno, ou algo do género...

Elisabete Pereira

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Não é tão bom saber que hoje começa o Inverno? Até estou aos pulos de contentamento (não), bem, eu não gosto do Inverno, pronto, é como aquelas familis que têm uma ovelha negra, e eu olho para o Inverno como a ovelha negra das estações, não gostamos, mas temos de levar com o Inverno porque faz parte do ciclo da vida.Para mim, o Inverno concentra em si o pior, a constar :

-Frio;

-Chuva;

-Dias mais curtos;

-Gripes (eu sei que há gripes o ano inteiro, mas o pico maior é no Inverno);

-...outras coisas desagradáveis que não me lembro agora.

Eu tenho síndrome de Raynaud (para mais informação pesquisem no tio google), e isso também não ajuda a que eu goste do Inverno, e que implique um bocadinho, mas eh pah...não gosto do Inverno. Ah...mas o Inverno tem as festas do Natal, o Ano Novo e o Carnaval, ok isso é verdade, mas não me leva a gostar dessa estação, a balança pende mais para o lado negativo, para mudar teria de haver mais umas quantas celebrações, ou então ser obrigatório fazermos como os ursos e hibernar o Inverno inteiro, aí sim, eu já iria gostar do Inverno, mas, se calhar ia acabar um bocadinho mais magra...e um pouco mal-cheirosa, nem tudo é perfeito, certo?! Hum, se calhar pensando bem talvez não seja tão boa ideia, vou pensar noutra coisa, mas até lá continuo a não gostar do Inverno. Só em jeito de informação, o Inverno chega por volta das 11 e tal da noite, fixe, mal saio do trabalho e já levo com o Inverno em cima, é mesmo a melhor coisa para terminar o dia.

Dom | 16.12.18

Um vício chamado...Netflix

Elisabete Pereira

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Pois é, até eu sucumbi aos encantos da Netflix, algo que não me deixa propriamente orgulhosa, mas o certo é que ao fim de uma semana fiquei completamente vidrada, já vi ao todo as séries "Desencantamento" e "Insatiable", vi os filmes "Agarra-te á vida. Não ao cabelo" e "Um príncipe de Natal" , actualmente estou a ver a 2° temporada de " The Crown" e vou por aí fora...o problema é o sono, quando dou por mim são quase 3 e meia da manhã, e fico a debater internamente se vejo ou não mais um episódio, no dia seguinte pareço uma zombie, mas o que interessa é que na véspera varri mais uma temporada de uma série qualquer, a sério, aquilo tem algo de viciante, como uma droga " só mais um episódio, mais um, mais um, mais um...."

E eu que era daquelas que ria para mim mesma quando algum amigo dizia que a Netflix suscitava discussões em casal, porque um deles começou a ver um episódio sem o respectivo cônjuge saber, agora sei que isso é uma realidade, pelo menos sei que isto vai durar apenas um mês, até porque é o tempo de utilização gratuita, e depois disso cancelo o serviço, porque não tenho nem vida nem dinheiro para andar de volta disto, felizmente , até porque a minha sanidade agradece, e a minha carteira também.

Sab | 15.12.18

A noiva de papel (parte 4)

Elisabete Pereira

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A notícia chegou três dias depois do desaparecimento de Kate Morgan, uma mulher apareceu na mercearia da aldeia a perguntar onde ficava o posto de policia mais próximo, era uma mulher com cerca de 40 anos relativamente baixa e morena, mais tarde ela surgiu no pub perguntando a Patrick se havia um local onde ela poderia ficar durante uns dias.

- Tem uma pequena hospedaria a dois quilómetros daqui. - respondeu Patrick solicito - Não é muito luxuoso , mas é um lugar simpático e barato.

- Agradeço a dica. - disse a senhora depois de tomar o café ao balcão - Vou precisar de ficar uns dias, e não tenho muito dinheiro para gastar em hotéis caros.

- Desculpe a pergunta. - Patrick estava bastante curioso - Mas o que veio fazer cá?

- Gostava de dizer que era por um motivo bom. - ela sorriu um pouco mas logo voltou a ficar triste - Infelizmente vim por causa do passado...

- Como assim?! - Patrick estranhou - Não percebi nada.

- Sabe, eu fui uma jovem inconsciente - ela baixou o olhar - Não me orgulho do que fiz, mas não posso negar o meu passado, nem as coisas que fiz. Durante muito tempo tive "problemas" com a bebida e substâncias ilícitas, acabei por fazer muita porcaria, felizmente estou afastada de tudo isso há muito tempo.

- Bem, isso não é lá grande resposta. - Patrick coçou a cabeça confuso - Continuo sem entender o motivo de ter vindo cá.

- Eu sou irmã de Henry Lane. - revelou ela - Ou melhor, meia irmã, como ele sempre fez questão de frisar, a verdade é que me encontraram há poucos dias por causa das ossadas de um recém nascido que foram encontradas no jardim da mansão do meu irmão.

- Você é irmã de Henry Lane? - os olhos de Patrick estavam muito abertos - Dessa eu não estava á espera, mas como chegaram a si?

- Através de análises de ADN , julgo eu... - ela parecia verdadeiramente triste - A bebé em questão era minha filha, chamava-se Daisy...

- Ah...lamento muito...- ele ficou constrangido - Mas porque foi enterrada no jardim, e não num cemitério?

- Pois, essa é uma boa questão.- ela encarava a chavena de café vazia - Mas nem eu sei o que aconteceu.

- Como assim? - Patrick encarava-a apreensivo - Não sabe?

- Não, não sei - os olhos dela encheram-se de lágrimas - Eu fugi mal ela nasceu, era uma jovem de 19 anos revoltada por causa de um pai que nunca me assumiu, embora pagasse as contas, uma mãe amargurada por ter caido na lábia de um homem casado, e eu sentia-me rejeitada por todos...então conheci o caminho do álcool e das drogas, foi uma espiral de situações que me levaram a dar conta que tinha batido no fundo do poço, mas a essa altura eu estava grávida em estado muito avançado, fui expulsa de casa pela minha mãe, a única saida era Henry, embora ele me detestasse, aceitou que eu ficasse lá em casa até a bebé nascer, aliás, ele fez um acordo comigo, ficava com a criança, e educava-a como se fosse filha dele e em troca dava-me dinheiro para eu desaparecer de vez da vida deles. Eu aceitei, não estava preparada para ser mãe, além disso precisava do dinheiro para o vicio, a ressaca era terrível, e há semanas que não consumia, pouco depois chegou o momento do parto, que decorreu sem problemas, nem precisei de ir ao hospital, horas depois já estava de pé e a receber o dinheiro que o meu irmão prometeu, fui embora sem olhar para trás, acabei por voltar a casa da minha mãe, dias depois recebi uma carta de Henry a dizer que a bebé tinha falecido...

- Ele não disse o porquê? - Patrick estava chocado com aquilo - Não lhe deu nenhuma explicação?

- Não, foi completamente seco. - ela falava com a vez embargada - Apenas três linhas numa carta. Mas não me surpreende, até porque ele não era muito dado a afectos, naquelas semanas que lá estive, vi a sua verdadeira face, e acredite que ele não era o anjo que as pessoas julgavam, muito pelo contrário.

- Não pode ser! - Patrick não estava a entender o porquê de ela falar assim do irmão - Eu tinha ideia de que o Henry vivia para o bem estar da família.

- Parecia não é?! - ela deu uma gargalhada triste - Ele disfarçava muito bem, sem dúvida. Mas os "castigos" que ele impingia á familia, eram uma autêntica tortura psicologia, a Hanna tinha tendências suicidas, várias vezes tentou cortar os pulsos, porque acha que ele foi embora com os filhos? Porque queria que ela se matasse, o que acabou por acontecer, a pobre deve ter tido um surto, e enforcou-se.

-Quem diria...- Patrick afagava a barba ruiva que já mostrava muitas brancas - Henry Lane sempre foi a imagem do pai de familia e marido perfeito.

- Mas você ainda não sabe a melhor, ou a pior neste caso. - ela parecia irritada - Ele colocou os filhos num orfanato para adopção, nem com os filhos quis ficar, que pai faz uma coisa dessas? E não foi por falta de condições financeiras que o fez.

- Ele...fez mesmo isso? - ele esbugalhou os olhos de espanto - tem a certeza disso?

- Tenho pois! - ela deu um murro no balcão - Foi o próprio que me contou, á cerca de 10 anos fui procura-lo, nessa altura eu tinha dado um novo rumo na minha vida, estava num emprego estável, casara á pouco tempo, e achei que era a melhor altura para me reconciliar com ele e estar com os meus sobrinhos, mas enganei-me, ele tratou-me muito mal, perguntou se eu andava atrás de dinheiro novamente, e para além disso ele contou que não fazia ideia dos meus sobrinhos desde que eles foram para o orfanato, fiquei para morrer quando ele me contou isso...ainda tentei procurar o rasto dos meus sobrinhos, mas não tive resultados, provavelmente foram adoptados e os seu apelidos foram mudados.

- Isso é terrível. - Patrick assentiu com a cabeça - Embora me custe a acreditar, é demasiado mau.

- Mas é a verdade - ela fungou antes de continuar - Eu diria até para lhe perguntar pessoalmente, mas tal não é possivel, Henry morreu há cerca de três anos.

- Henry morreu? Como?

- Daquilo que sei, foi uma sobre dosagem de medicamentos para o coração, acho que ele tinha um problema cardiaco qualquer e tomou comprimidos a mais.

- Não deixa de ser uma notícia triste, afinal o mais provável é que tenha morrido sozinho.

- Não se preocupe, ele morreu como quis. - ela sorriu e levantou-se do banco - Foi escolha dele. Já agora, o meu nome é Angela Morris, agradeço o café, mas tenho de ir, preciso de descansar.

- O meu nome é Patrick O'malley, se precisar de alguma coisa é só dizer. - Patrick sorriu para ela - Espero que goste da estadia por cá, apesar das circunstâncias. 

- Obrigado. 

                                                                  *******************

As sirenes dos carros da polícia faziam-se ouvir pela aldeia fora enquanto seguiam a toda a velocidade em direcção a white lake, foi encontrado um corpo a boiar no lago ainda de madrugada por um caçador que andava nas proximidades. O corpo de Kate Morgan foi levado para ser autopsiado, suspeitava-se que alguém a empurrou para dentro de água e que esta morreu afogada. A notícia apanhou todos de surpresa, e a ideia do fantasma de white lake ganhou mais força, e toda a gente da aldeia de Aubrey acreditava piamente que foi a fantasma de Hanna Lane quem matou Kate Morgan. Mas a policia tinha outra opinião, e poucos dias depois batiam á porta da mansão de white lake:

- Já descobriram quem fez isto á minha esposa? - perguntou John Morgan com ar aflito - Ainda nem acredito no que aconteceu...

Um dos policias chegou a frente e tirou um par de algemas do bolso e prendeu os pulsos de John Morgan, e este olhou atónito quando viu a prenderem-no:
- O que se passa? – olhava para o policia que o prendeu confuso – Porque me estão a fazer isto?
- John Morgan, está formalmente acusado do assassinato de Kate Morgan. – o policia deu-lhe um empurrão para que este entrasse no carro – É melhor para si não oferecer resistência à autoridade.
- Está tudo doido? Eu não matei a minha esposa!
- As provas dizem o contrário, John Morgan. – Fred aproximou-se dele e murmurou – Ou devo dizer Thomas Lane?
- Não sei do que está a falar – John empalidecera – Isto é um grande equivoco!
- Não, não é! Nós seguimos o seu rasto e o seu passado, e descobrimos que o seu nome é falso, também descobrimos algumas coisas muito interessantes sobre si.

Com um gesto vigoroso o policia fechou a porta do carro, e sem demoras John Morgan foi levado para a esquadra. 

Sab | 08.12.18

A aventura que é fazer o pinheiro de Natal cá em casa

Elisabete Pereira

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Cá por casa não é natal sem ter em conta, por exemplo, que o pinheiro seja natural (antes que a greenpeace me atire pedras, os pinheiros são semeados no jardim de casa, no fim servem para lenha para aquecer e cozinhar, e mais tarde as cinzas são usadas para semear batatas), os meus pais não acham particular graça aos pinheiros de plástico. Quando cheguei de folga a casa e vi o pinheiro já instalado na sala (ainda vazio de enfeites), pensei para comigo, "isto vai ser um instante para fazer, afinal é só colocar algumas coisas", mas enganei-me, primeiro de tudo, três pessoas de volta de um pinheiro a mandar bitaites sobre como se deve colocar as luzes nunca dá bom resultado, por isso, aceitamos por unanimidade que a minha mãe mandaria na ordem de decoração da árvore, eu e o meu pai, como somos mais altos, cada um ficou em dois lados paralelos em cima de cadeiras e lá fomos pondo as luzes, depois vieram os enfeites, e aí respirei um pouco porque pensei que o pior tinha passado, mas voltei a enganar-me, a minha mãe havia comprado uns enfeites novos (na loja dos chineses) e para sua tristeza, algumas das figuras não estavam no seu melhor, bora então de pegar na cola, e sujar os dedos enquanto tentava "operar" alguns enfeites, depois de ter ficado com os dedos numa lástima, e os enfeites em questão parecerem uma versão zombie do aspecto original, lá continuamos...faltavam as fitas, para meu grande erro, comecei a colocar algumas, mas a minha mãe não gostou da maneira como as coloquei e toca de tirar, " enfia esta naquela parte mais alta", lá ia eu para cima da cadeira tentar enfiar a fita para chegar na parte mais alta, pelo meio lá se iam espetando algumas agulha de pinheiro na minha cara (felizmente uso óculos). Finalmente ao fim de quase duas horas o pinheiro ficou pronto, pego na vassoura e na pá, e fico a varrer o espaço em volta, eh pah, a quantidade de glitter que estas bugigangas largam, fiquei um bom tempo a varrer, e quanto mais varria mais glitter aparecia, até no corpo apareceu glitter. Por fim respirei fundo, ainda faltava o presépio, mas isso era tarefa para o dia seguinte, e a minha mãe queria fazê-lo sozinha, missão cumprida...mais ou menos, conhecendo os meus pais, não duvidava nada de que até ao Natal os enfeites possam ser modificados algumas vezes.

Sab | 01.12.18

A noiva de papel (parte 3)

Elisabete Pereira

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Passado pouco tempo, veio-se a descobrir que Higgins tinha razão, as ossadas pertenciam a um recém-nascido, no entanto não se sabia a quem pertencia, no entanto, em busca de novas pistas a mansão de white lake foi praticamente tomada pela policia:

- Isto é ridículo! - John Morgan entregou o mandato de busca de volta para o policia claramente irritado - Temos obras para continuar, um projecto a fazer, o prejuizo...

-Sr Morgan, lamento, mas há uma investigação a fazer. - o policia não se intimidou com o ar irritado de John Morgan - Terá de se ausentar de casa por uns dias para não interferir nas buscas da polícia.

- Incrivel, até parece uma piada de mau gosto! - John resmungou - Nem em casa posso ficar!

Apesar da irritação e da apreenção dos Morgan, pouco tempo depois, eles colocaram algumas malas no carro, e rumaram para um pequeno hotel próximo da aldeia, as investigações foram decorrendo, até ao momento em que fizeram uma nova descoberta no jardim, um novo conjunto de ossadas foi encontrado, relativamente próximo do local onde foi encontrado as do recém-nascido, Higgins foi chamado pela policia para ajudar a identificar as ossadas, e os aldeões estavam em polvorosa, os boatos eram variados, mas ninguém sabia a verdade.

- E então Higgins? - Patrick perguntou assim que o viu dias depois - A quem pertenciam?

- Pertenciam o quê?! - Higgins estranhou a pergunta - Não me digas que...como é que soubeste?

- Vá lá, já toda a aldeia sabe que te chamaram para reconhecer novas ossadas. - Patrick cruzou os braços de impaciência - Não há necessidade de esconderes, somos amigos há muitos anos.

- Pois, mas não vou contar. - Higgins virou as costas, mas antes de ir embora disse - É um mau hábito querer se saber de coisas que não nos dizem respeito, pensei que com a idade fosses ganhar mais noção em relação a isso, mas pelos vistos enganei-me, provavelmente a companha de Judy e Emily está a afectar-te.

Patrick viu-o desaparecer na rua completamente perplexo:

- Não entendo, a chamar-me bisbilhoteiro, francamente... - disse ele indignado enquanto voltava para dentro do pub - Mas também...ele não vai conseguir esconder isto por muito tempo, deve achar-se muito importante...

Afinal as ossadas pertenciam a algum animal que fora enterrado, provavelmente um cão de estimação, o que se tornou uma desilusão para os habitantes de Aubrey, que adoravam a ideia de terem a mansão de white Lake ligada a um crime, além disso as investigações não deram em nada, embora ainda estivessem á procura de quem seria aquele recém-nascido.

- É uma pena realmente - Emily pousou a revista que estava a ler enquanto Judy lhe estendia uma chávena de chá. - Sempre nos veríamos livres dos Morgan, e eramos deixados em paz, imagina a nossa aldeia cheia de turistas.

- Pois, mas poderia acontecer o mesmo, caso se tivesse descoberto mais alguma coisa... - Judy pegou na sua chavena de chá e disse - As pessoas adoram ver desgraças, aquilo ia se tornar um local de peregrinação.

- Nisso tens razão -  Judy comeu um biscoito antes de continuar - É esperar que o negócio deles não dê em nada. Tu nunca deste conta de nada enquanto estiveste a trabalhar na mansão? Não fazes ideia de quem era aquele bebé?

- Não duvidava nada. - Judy deu mais um gole no seu cha - Não me perece que sejam pessoas muito entendidas no assunto. Em relação ao bebé, bem... eu pensava que conhecia os Lane, mas pelos vistos eles tinham mais esqueletos no armário do que eu imaginava, embora eu acredite que o bebé deve ser da meia irmã de Henry, agora falta saber o porquê de a criança ter morrido, e porque a mãe desapareceu sem deixar rasto.

- Realmente a situação é um bocado estranha. - Emily terminou o seu chá antes de continuar - Mas, mudando de assunto, no outro dia ouvi rumores sobre alguém que poderá estar a trair o marido...

- Quem? - Judy ficou alerta - Não me digas que estás a falar da Louise.

- Como sabes? - Emily ficou surpreendida - Eu soube disto de fonte segura... essa pessoa não tinha contado a mais ninguém, só a mim.

- Já desconfiava da Loise há algum tempo. - respondeu Judy com ar velhaco - O comportamento dela ultimamente também não deixa muita margem para dúvidas, coitado do Peter, não merecia isto, lembro muito bem de lhe ter falado antes de ele casar, para ter cuidado com a Louise, ela sempre foi muito dada, se é que me entendes, mas ele estava apaixonado e nem ligou aos meus conselhos, e só fiz isto pela amizade que eu tinha com a mãe dele, que coitada deve estar neste momento a dar voltas no túmulo.

- A juventude é assim Judy. - Emily resmungou - Acham que sabem mais do que nós, e depois acabam por se dar mal, no fim ainda nos dão razão.

                                                                                    ********

As obras em white lake estavam quase a chegar ao fim, depois de vários meses, a casa ganhou um novo aspecto, tudo parecia ter voltado á normalidade, todos já se tinham ambientado á ideia de terem um hotel rural, e até os Morgan já praticamente faziam parte da aldeia, arotina de ambos era conhecida por toda a gente, de manhã bem cedo os Morgan percorriam a aldeia a correr, mais tarde Kate Morgan ia de bicicleta até á mercearia da aldeia fazer compras, e ao fim do dia ambos iam ao pub "Trevo de ouro" :

- Então, qualquer dia a mansão está pronta, não?- Patrick perguntou a John - Imagino o alivio que deve ser.

- Alivio? - John deu uma gargalhada - O trabalho ainda agora começou, amanhã vou até Londres para tratar dos últimos detalhes, parece que quanto mais fazemos, mais coisas aparecem por fazer. Mas se tudo correr bem daqui a duas semanas vamos inaugurar o hotel.

                                                                     ************

Durante 3 dias, ninguém pôs a vista em cima dos Morgan, mas ninguém estranhou pois deveriam estar atarefados com a mansão, mas no 4° dia, já era noite quando John Morgan surgiu no pub, estava lívido e com ar preocupado: 

- Alguém viu a Kate por estes dias? - John virou-se para as pessoas que estavam no pub  - Voltei hoje à tarde e não a encontrei em casa.

- Ela não foi consigo a Londres? - perguntou Emily

- Não, ela ficou cá.- John esclareceu - Uns fornecedores iam levar algumas coisas lá a casa e era preciso estar alguém para os receber.

- Quando foi a última vez que a viu? - Patrick perguntou preocupado

- Foi antes de viajar, ela ia dar uma pequena corrida pelo lago - ele estava confuso - Não entendo, ela não se ia ausentar assim sem dizer nada a ninguém...

- Talvez ela tenha ido ter com a familia... -alguém atalhou

- Isso é impossível, ela iria avisar antes, pelo menos ligava-me para não me preocupar.

- Mas não lhe tem ligado por estes dias? - Patrick perguntou - Isso deveria ter sido um alerta que alguma coisa se passava.

- Não temos o hábito de ligar um para o outro com frequência, bem pelo contrário, só ligamos quando há um problema ou algum imprevisto, por isso não estranhei a falta de contacto, ainda por cima ela deixou o telemóvel em casa.

John Morgan saiu pouco depois do pub cabisbaixo sem saber o que fazer, todos no pub ficaram preocupados, aquilo não era sinal de bom agouro.

- Meteram-se com um fantasma e agora vê-se o resultado. - Emily abanou a cabeça - Acreditem no que digo, mas o mais provável foi isto ter sido obra do fantasma de Hanna Lane, nós bem avisamos, e agora aí está a consequência.