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Estive um pouco na dúvida, se deveria ou não escrever sobre o assunto, até porque está na ordem do dia, mas vi tanta gente a escrever sobre isso...bem do programa...mal do programa...mais ou menos do programa...

Já alguém dizia que não existe má publicidade (eu discordo um pouco, mas isso são outros quinhentos), e por isso porque não meter também eu, a minha colher nessa geleia semi-doce que é o Casados à Primeira Vista ? Hum, para mim é assim-assim, come-se, mas não é uma coisa por aí além; é aquele tipo de programa que se estiver a dar fico a ver, mas se der uma coisa melhor, aí mudo logo de canal, é excelente para um fim de dia de trabalho cansativo em que só ligamos a televisão para ouvir barulho, mas nem ligamos muito ao que está a dar. 

Na minha opinião, quem se inscreveu lá,foi com a mesma motivação de quem se inscreve nas apps de encontros (essencialmente para terem sexo) e também alguma fama; por dinheiro não acredito muito, embora eu acho que eles vão faturar bem mais após o programa terminar. Que me perdoem os românticos, mas eu duvido que algum deles se tenha inscrito para encontrar o amor ou a cara metade, e até aí tudo bem, cada um vai ao que quer, o problema é que o tiro saiu-lhes pela culatra, porque os "especialistas" baralharam-lhe as voltas, e apresentaram cada par...que mais parece que deitaram papeis com os nomes numa cartola e tiraram á sorte. Como é óbvio, a coisa foi feita um pouco de propósito, porque a polémica dá audiência, e os portugueses por norma gostam de ver desgraças alheias (também me incluo, embora não me orgulhe disso). Isto no fundo é um reality show, só que agora chamam-lhe "experiência social", sempre dá um ar mais digno á coisa; no fundo é como comprarem um jarro na loja dos chineses, dár-lhe uma pintura xpto, e depois colocar á venda num valor muito alto, dizendo que é um antigo vaso chinês da dinastia tang, mas pronto chamem o nome que quiserem, por mim tanto faz, mas, entretanto vou só ali ver só mais um bocadinho do programa...

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publicado às 17:21


Rabiscando no tablet 20#

por Elisabete Pereira, em 24.11.18

Mais um conjunto de desenhos terminados, vou notando algumas melhorias, mas ainda tenho que evoluir mais, mas acredito que vou pelo bom caminho

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publicado às 17:45


Os "tesourinhos" do dia-a-dia

por Elisabete Pereira, em 23.11.18

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Posso dizer que sou um pouco privilegiada pelo facto de ter contacto com o público diariamente, não o digo só por me aparecerem á frente pessoas simpáticas, aliás essas são infelizmente em menor número do que as outras, mas sim por causa da quantidade de aves raras que já atendi. Eu pensava que aquelas personagens de novela (ou dos reallity shows) só existiam na ficção, mas não, descobri que elas andam aí na vida real tal como todos nós, (mas também quem vive de comida de take way só pode ser um grande "personagem"), mas enfim, já vi coisas que se calhar se estivesse num emprego frente ao computador das 9 ás 5 não veria, e não teria assim material nem inspiração para escrever, um bem haja para essas pessoas por isso. 

No meu local de trabalho existem duas possibilidades de levar comida, no balcão do take way, ou se a pessoa preferir, dirige-se de carro até a uma janela do estabelecimento, e por aí recebe a refeição  (não, não trabalho num restaurante de fast food), com isto quero dizer que há pessoas que por exemplo, esperam numa enorme fila de carros para ir buscar apenas...dois rissóis (sim isto já aconteceu mais do que uma vez, rissóis esses que se comprarem uns três ou quatro custam mais do que comprar comprar daqueles pacotes ultracongelados do supermercado e fritarem em casa), aqui também posso referir quem vem apenas buscar meia dose de arroz ou batata frita, só o tempo que esperam na fila seria praticamente o suficiente para fazerem isso em casa.

Não me esqueço por exemplo de uma vez, uma senhora ter exclamado para mim "a menina está a prejudicar-me em 90 cêntimos!", isto sucedeu porque a senhora tinha feito um pedido que mais tarde pediu para alterar e acrescentar, ora se ela tivesse feito o pedido de uma vez realmente era mais barato 90 cêntimos, mas como optou por acrescentar, o valor era outro, bem ela fez um pé de vento, por causa de 90 cêntimos! Mas pronto, dei-lhe os 90 cêntimos só para a ver pelas costas, pronto senhora ganhou a sua causa.

Não gostam de ver aquelas pessoas na praia espremerem borbulhas das dos familiares, não é tão bonito? E no vosso local de trabalho? Pois, eu cá não gosto muito, esquisitisses minhas eu sei, e estes dias deparei-me com um cenário desses, pai e filho vão ao balcão de take way, fazem um pedido, e enquanto esperam frente ao balcão, olho de esguelha, pois estava a atender a parte dos carros e noto o senhor de volta do nariz do miudo (este deveria ter uns 12 anos), de inicio achei que estava a ajeitar os óculos do filho, só que quando me aproximo, para ir buscar algo, vejo que o homem estava realmente a espremer borbulhas no nariz do miudo, mas sem qualquer pudor á frente de quem quisesse ver, e pessoas até que tinham um ar bem apresentável (aparentemente), mas pelos vistos com uma completa falta de noção, no fim lá se foram embora como se nada fosse, o rapaz tinha o nariz que parecia a do batatinha de tão vermelha que estava. Aqui vemos como somos aparentados dos macacos, só falta começar a catar piolhos e comê-los, é entretenimento e aperitivo ao mesmo tempo.

Por hoje é só isto, embora tenha várias histórias do género, aliás há quem diga que devia escrever um livro só com estas coisas, mas eu acho que já há tão bom papel higienico por aí que não vale a pena criar mais um! 

 

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publicado às 18:02


A noiva de papel (parte2)

por Elisabete Pereira, em 22.11.18

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Judy duvidou daquilo, provavelmente era só uma história inventada, como tantas outras, ninguém no seu perfeito juizo iria comprar aquela mansão.
- Ouve lá, tens a certeza disso? – perguntou ela para Emily – Dificilmente alguém iria querer enterrar dinheiro naquele lugar, ainda por cima assombrado.
- Juro que é verdade! – Emily ficou indignada – Sabes que a minha filha é amiga da agente imobiliaria que está encarregue de vender a casa, eu era incapaz de inventar o que quer que fosse. Ela não lhe deu grandes detalhes, mas disse que quem comprou o imovel era um casal jovem de Londres.
- São doidos, só pode. – Patrick abanou a cabeça – Nem que eu fosse milionário compraria um lugar daqueles, credo!
- Muito provavelmente, não vão ficar nem uma semana. – Judy atalhou – Acreditem no que vos digo.

                                                                                 *****
Rapidamente a novidade se espalhou, e poucas horas depois já toda a aldeia sabia, as pessoas faziam apostas sobre quanto tempo iam ficar com a casa, mas só quase um mês depois é que viram os novos donos da mansão pela primeira vez. Rapidamente se tornaram objecto de curiosidade por parte dos habitantes de Aubrey, quando colocaram os pés no “ Trevo de ouro “ pela primeira vez.
Eram um casal bem disposto, ela era loira e magra, ele era também magro e usava barba, pareciam um casal saido de uma revista de moda, estavam vestidos com roupas casuais manchadas de tinta branca, pareciam despreocupados e alheios aos olhares de curiosidade. Chegaram ao balcão e pediram algumas cervejas.
- Não se preocupe, não são todas para nós. - riu-se o homem virando-se para Patrick vendo este a levantar a sobrancelha - São para levar para os outros trabalhadores da obra, claro que também vamos beber uma ou outra…afinal também temos direito, já que estamos á horas a pintar a casa, sabe como é.
-John, és mesmo parvo! – repreendeu a mulher – Não ligue ao meu marido, ás vezes ele pensa que é engraçado.
Patrick entregou as cervejas em silêncio, enquanto as restantes pessoas do pub continavam a observar os estranhos, de repente alguém pergunta:
- Foram vocês que compraram a mansão de White lake?
O casal olhou um para o outro antes da mulher responder:
- Sim compramos. – ela virou-se para a pessoa que lhe fez a pergunta – Porquê?
-Devo dizer que vocês têm coragem – disse Patrick – Não é qualquer um que compra uma casa assombrada.
- Nós não acreditamos nessas coisas – John sorriu – Mas respeitamos as vossas convicções.
- Não são convicções, são factos! – Patrick respondeu veementemente – O fantasma é real, a maioria da aldeia já a viu rondar a mansão, ela não gosta de estranhos...
- Eu entendo a vossa posição. – a mulher colocara o saco das cervejas numa cadeira vazia e continuou – Mas não se preocupem, a nossa intenção é construir um alojamento rural, para quem quer sair da rotina da cidade e passar uns dias no campo, todos têm a ganhar, a própria aldeia vai lucrar com isso.
- Ninguém está a por a vossa conduta em causa. – Patrick respondeu – Mas podiam usar outra casa ou propriedade da zona, até porque naquela mansão ninguém fica muito tempo, só vão gastar tempo e dinheiro. Oiçam o que vos digo.
- Não se preocupe, acreditamos que o nosso dinheiro será bem entregue – John pousou também os seus sacos e colocou as mãos nos bolsos – Por falar nisso, alguém conhece um jardineiro na zona que possa tratar do jardim da mansão? Aquilo parece um matagal.
- Podem falar com o Higgins, ele vive próximo daqui. – Patrick respondeu – Se quiserem posso dar-vos o contacto dele.
- Agradeciamos muito! – a mulher pegou num papel e numa caneta da bolsa e entregou a Patrick – Pode escrever o contacto dele?
Alguns minutos depois os dois foram embora, um velho que estava ao balcão resmungou com Patrick:
- Então tu foste dar o número de Higgins? Mais valia dizeres que não conhecias ninguém, com o tempo iam desistir da loucura de reabilitar a mansão e punham-se a andar daqui para fora.
- Não vale a pena, nota-se que são casmurros, deixa-os estar. – Patrick encolheu os ombros – Eles vão aprender por eles mesmos que nós temos razão, quem se mete com fantasmas acaba mal…

                                                                                 *****
Durante os dias seguintes foram vendo um grande movimento em volta da mansão, a casa aos poucos ia ganhando uma imagem nova, para surpresa da população de Aubrey nenhum incidente ocorreu durante as obras, com o tempo as população de Aubrey começou a pensar que o fantasma tinha ido embora, mas, semanas depois um acontecimento revelou o contrário.
Higgins havia saido mais cedo da mansão, e foi até ao pub “Trevo de ouro", que áquela hora não tinha ninguém, Patrick ficou surpreendido por o ver por lá tão cedo.
- Então Higgins?! - exclamou Patrick - O trabalho terminou por hoje?
- Mais ou menos… - Higgins parecia incomodado – Na verdade, foi por causa de algo que encontrei no jardim.
- Então homem? - Patrick parecia divertido – Não me digas que viste uma toupeira que te assustou.
- Quem me dera que fosse uma coisa tão simples. – o rosto de Higgins ficou sombrio – A verdade é que encontrei um osso enquanto cavava o jardim...
- Ora, isso podia ser de algum cão falecido…
- Era um osso humano! - guinchou Higgins visivelmente irritado - Os Morgan também pensaram o mesmo que tu, mas eu tenho a certeza de que é um osso humano.
- Humano?! Tens a certeza?
- Patrick, o meu pai era coveiro, como bem sabes, ajudei-o muitas vezes no cemitério, posso te afirmar que sei identificar um osso humano de um de animal até de olhos fechados.

- Mas isso não explica porque saiste mais cedo.

- Bem, como é óbvio, recusei a continuar o trabalho. - Higgins respondeu nervosamente - Não vou mexer com provas de um possivel crime.

- Crime? Não achas que estás a exagerar um pouco?

- Não, não acho. - Higgins ficou aborrecido com aquela afirmação - Aliás, eu chamei a polícia para verificar a ocorrência, até porque os Morgan acharam que eu estava a exagerar, ou a inventar uma desculpa para não trabalhar. Senti-me insultado, nunca em tantos anos de trabalho, faltei aos meus deveres de jardineiro, era só o que faltava, um casal de miúdos acusar-me de preguiça! Pedi a demissão na hora.

Ficaram ambos a conversar durante algum tempo, quando chegou o filho mais novo de Patrick que era polícia daquela região, este sentou-se na cadeira ao lado de Higgins.

- Então Fred, vai ser a cerveja do costume? - Patrick perguntou ao filho - Não contava contigo hoje.

- Não posso pai, ainda estou de serviço. - depois virou-se para Higgins - Tenho que te fazer umas perguntas Higgins. Por causa daquele osso que encontraste no jardim da mansão de White Lake.

- Pergunta o que quiseres. - Higgins levantou as mãos - Não tenho nada a esconder.

- Sabes mais ou menos determinar a idade da pessoa através das ossadas? - Fred tirou uma fotografia do bolso entregando-a a Higgins e continuou - Encontramos várias no jardim da mansão de White Lake, foram levadas para ser analisadas, mas isso vai levar semanas, e precisamos de investigar o mais rápido possível,  era uma ajuda termos para já uma ideia do que encontramos no jardim.

- Bem, pelo tamanho do ossos e do estado de deterioração, eu diria que pertence a um recém nascido - Higgins observou a foto por um momento e depois voltou a entrega-la a Fred - E mais, esse recém-nascido esteve enterrado mais de vinte anos.

- Tens a certeza? - Fred perguntou enquanto guardava a fotografia no bolso - Isso significa que...

Foram interrompidos pela entrada de Judy que tranportava consigo o trolley das compras, resmungava mais para si mesma, quando notou que todos olhavam para ela.

-Hum, interrompi alguma coisa? - perguntou ela com curiosidade - Se quiserem eu venho cá mais tarde.

- Judy, por acaso estava a pensar em passar por sua casa. - Fred levantou-se e pegou na cadeira ao lado dele - Gostava de lhe perguntar algumas coisas, podia sentar-se á minha beira?

- Claro filho. - Judy sentou-se de imediato na cadeira que Fred lhe indicou - O que queres saber?

- É sobre os Lane - ao ver Judy a erguer as sobrancelhas esclareceu - Apareceram novos indicios, e eu precisava que me ajudasse.

- Mau, outra vez?! - Judy bufou de impaciência - Parece que eu é que estou amaldiçoada, mais de 25 anos depois ainda sou perturbada por causa deles. Não é nada contra ti, mas isto já cansa.

- Eu entendo a sua situação -  Fred sorriu para a idosa - Mas é mesmo importante o seu depoimento.

- Muito bem, diz lá o que precisas de saber. - Judy suavizou um pouco o semblante - Mas acho que não te vou dar nada que já não saibas.

- Sabia se Hannah teve um outro filho? - perguntou Fred - Que tenha morrido ao nascer?

- Não filho, que disparate! - Judy respondeu  - Hanna só teve dois filhos, era demasiado vaidosa para estragar o corpo, além disso, ela teve complicações no parto do filho mais novo, o que fez com que fosse quase impossível voltar a engravidar.

- Então é impossível que ela tenha tido um terceiro filho? - Fred sentiu-se desapontado - Então estamos novamente na estaca zero.

- Mas, agora que falas nisso, lembrei de uma coisa - Judy fez em esforço de memória antes de responder - Henry tinha uma irmã mais nova, ou melhor, meia irmã, o pai traiu a mãe dele com outra mulher. Notava-se que ele não gostava da irmã, um dia ela apareceu na mansão de White Lake, teria uns 20 anos, estava num estado de gravidez avançado, ele aceitou-a lá mesmo de má vontade, ela esteve lá cerca de duas semanas, até que um dia desapareceu no ar. Eles disseram que Henry se desentendeu com a irmã e esta foi embora.

- Não soube de mais nada?

- Não, também não perguntei claro, não sou bisbilhoteira.

- Pode ser alguma coisa...- Fred levantou-se rapidamente - Tenho de ir embora, algo me diz que vou ter ainda um dia longo de trabalho. Adeus a todos.

Judy virou-se para Patrick mal Fred saiu do pub:

- O teu filho trabalha demais, já mal pára por cá. - depois notou Higgins na mesa ao lado com uma expressão estranha - O que é que se passa convosco? Até parece que morreu alguém.

 

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publicado às 17:25


Uma boa notícia!

por Elisabete Pereira, em 17.11.18

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Há umas semanas participei num concurso literário que vi no Facebook, participei na desportiva sem achar que iria ganhar nem nada, enviei um conto que já havia colocado no blogue, mas não acreditava que iria ser uma das vencedoras, já tinha participado noutros e nunca ganhei nada. Terminado o prazo de entrega dos textos a concurso, pensei para os meus botões "mais um concurso que não ganhei", entretanto recebo um email por parte da editora responsável pelo concurso a dizer que fui uma das autoras escolhidas e que o meu conto iria fazer parte do livro "Somos mais do que histórias II", nem queria acreditar, ainda não me caiu a ficha. Infelizmente não tive possibilidade de estar na cerimónia de lançamento do livro, mas, saber que o livro existe e que é real, é uma coisa incrível. O livro está disponível no site da editora, o link é este :

https://cordeldeprata.pt/livraria/somos-mais-do-que-historias-ii/

Claro que tenho de agradecer á editora por esta oportunidade, de divulgar novos autores, de dar a possibilidade de pessoas anónimas ganharem asas.

Vá lá, comprem, custa só 14€ e têm nesse livro um bom presente de Natal, quem é amiga, quem é?! Já agora, para quem tiver curiosidade, o conto que escrevi tem o titulo de " O meu nome é Belle", é uma história que se passa pouco depois da II Guerra Mundial em França, e gira em torno de uma jovem que se chama Elise Tuvier...o resto, bem, terão de ler não é?! Não vos ia dar a papinha toda!

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publicado às 18:09


A noiva de papel (parte 1)

por Elisabete Pereira, em 13.11.18

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Os habitantes de Aubrey dizem que ainda se vê em noites de lua cheia, a vaguear pela mansão do lago, o fantasma de Hannah Lane, vestida de noiva, da mesma maneira que foi encontrada á 25 anos numa manhã de Inverno pela criada da Familia, o momento ainda é contado nos dias de hoje no pub da aldeia, Judy entrou esbaforida pelo pub "Trevo de ouro", seria ainda bem cedo, Patrick o dono do pub ainda estava a arrumar as cadeiras que estavam ainda em cima das mesas, quando ela lhe pergunta se podia usar o telefone, que era muito urgente, Patrick ao vê-la naquele estado ficou algo confuso, mas acedeu ao seu pedido, daí a pouco a polícia chegava ao pub e Judy foi ter com eles, e desapareceram logo em seguida, só naquela noite quando Judy voltou ao pub é que se soube o que aconteceu. Perante uma plateia intrigada ela contou o insólito e macabro, Judy trabalhava três vezes por semana na casa dos Lane,  e na manhã seguinte lá foi ela fazer o seu trabalho quando viu a patroa enforcada á entrada do quarto vestida com o seu antigo vestido de noiva.

- Foi horrível. - disse ela com ar aterrado - Nunca irei esquecer aquela visão por mais anos que viva.

- A policia desconfia de alguém? - pergunta um velhote num canto do pub.

- Ainda é cedo para isso - Judy bufou -pelo menos foi o que disseram.

- E o marido dela Judy? E os filhos? - uma mulher próxima levantou a duvida - Ouvi dizer que ele desapareceu. Não é um pouco suspeito?

- Ora Emily, posso te afirmar que o marido não tem nada a ver com isso - Judy levantou-se indignada com a pergunta - Eu vi-o abandonar a casa com os filhos no último dia que lá estive, ele deixou a esposa de vez.

-Quê?! - quase todos perguntaram surpreendidos, os Lane eram conhecidos por serem uma familia modelo na aldeia.

- É verdade, e eu até acho que ele demorou em deixa-la de vez - ela rebate - Era uma galderia, e uma preguiçosa de primeira, não que eu lhe desejasse este fim...mas o marido dela passou por muito, acreditem que vi muita coisa naquela casa. Pobre sr. Jameson, ele sempre se preocupou demasiado com a filha, mais do que ela merecia, por isso ele contratou-me para ajudar a filha mal ela casou, infelizmente ela saiu á mãe, não fazia nada em casa nem tinha vontade de fazer, nem mesmo com os filhos.

Todos conheciam Hannah Lane, desde que ela nasceu, ela era a filha mais nova dos Jameson, uma familia remediada da aldeia que tinham uma padaria, a mãe de Hannah fugiu quando esta tinha quatro anos, e foi o pai que sozinho criou os três filhos ao mesmo tempo que trabalhava na padaria, enquanto que os irmãos mais velhos eram trabalhadores e esforçados, Hannah era o oposto, até na escola, era inteligente e esperta, mas não gostava de estudar, e o pai temendo pelo seu futuro, acabou por coloca-la a trabalhar ao balcão da padaria da familia, infelizmente ela não revelava interesse, e quando um dia Henry Lane apareceu na padaria pela primeira vez, ela decidiu seduzi-lo e conquista-lo, ele não era rico, mas era trabalhador e ambicioso, e rapidamente colocou o seu plano em prática, não foi fácil, porque ele era um homem timido e respeitador, mas ela conseguiu dar-lhe a volta, e pouco tempo depois ela ficou grávida, foi um choque para o pai dela, mas Henry disse que assumiria a criança e que iria casar com ela. O pai dela e a família dele queriam que eles casassem o mais rapidamente possível, para não se notar a barriga, mas Hannah bateu o pé, ela queria uma grande festa, e não um casamento á pressa, queria usar um vestido de princesa, e não um vestido para ocultar a barriga, a contragosto a família de Henry concordou, e para espanto da população de Aubrey, Hannah desfilava sem pudores a sua enorme barriga pela aldeia, as pessoas comentavam sobre o seu estado, mas ela nem ligava para isso. Meses depois, o casamento realizou-se, era digno de um conto de fadas, Hannah estava felicíssima, e foi sem dúvida o grande destaque com o seu vestido de noiva, que chegou a escandalizar algumas almas mais conservadoras devido ao seu generoso decote.

A vida parecia correr na maior tranquilidade para os Lane, inicialmente eles foram viver para uma casinha alugada, mas Henry rapidamente foi promovido no emprego e cerca de três anos depois ele comprou uma mansão ao lado do white lake que fica um pouco afastado de Aubrey, nessa altura Hannah estava grávida novamente, foi nessa altura que o pai de Hannah contratou Judy para esta ajudar a filha, e assim as coisas foram andando durante quase onze anos, em aparente harmonia, até ao dia em que Hannah foi encontrada morta.

As pessoas remexiam-se incomodadas nas cadeiras do pub "Trevo de ouro", ninguém imaginava aquilo, todos acreditavam que Henry era apaixonado por Hannah, ele era muito dedicado á familia e á esposa.

- o que aconteceu Judy? - perguntou uma mulher ao lado dela - Porque ele foi embora?

-Bem...eu só sei que tudo teve a ver com um diário, era tudo o que eu entendia nos gritos dele. - ela respondeu pensativa - Pelos vistos ela tinha um diário secreto onde escrevia, e ele encontro-o. Devia estar mesmo bem escondido porque eu limpava aquela casa de uma ponta a outra e nunca o encontrei. Mas não me esqueço da cena, ela estava na sala a ver televisão, as crianças estavam a dormir nos quartos, e eu estava num anexo ao lado da sala a passar roupa a ferro, deviam ser quase quatro horas da tarde, quando oiço um carro a parar do lado de fora da casa, estranhei porque ele só chegava a casa por volta das sete da tarde. Rapidamente Henry foi ter com a esposa á sala, só ouvi gritos da parte dele, ela ouvia tudo calada, quando quis ver o que se estava a passar ele veio ao meu encontro e pediu-me para eu fazer a mala dele e das crianças pois eles iam embora dali, obedeci e pouco tempo depois ele colocou as malas no carro e eu ajudei a levar as crianças ainda sonolentas para o carro, ele por fim pagou-me adiantado o mês e disse-me que não era necessário eu voltar mais ali, ele depois voltou para dentro de casa, e eu fui embora. Foi a última vez que o vi, eu tive pena dela e decidi ir hoje fazer umas limpezas na casa, ver se ela precisava de algo, tentei ligar para casa deles mas a tempestade da noite passada deitou abaixo o poste do telefone que fazia ligação para minha casa, e por isso fui a pé até lá, quando a encontrei pendurada na trave da porta do quarto. Provavelmente matou-se porque sabia que não ia voltar a ter a vida de rainha. Enfim, pelo menos que isto sirva de exemplo para quem lhe quiser seguir as passadas .

Durante dias a polícia rondou a mansão, mas chegaram á conclusão de que aquilo terá sido suicídio, o funeral foi realizado, com muitos curiosos das redondezas a encher a pequena igreja da aldeia, inclusive o jornal local deu destaque aquela morte bizarra. Mas passado pouco tempo tudo passou ao esquecimento. E assim foi durante 25 anos. Pelo meio a mansão passou por várias pessoas, mas nunca ninguém ficava muito tempo, nos últimos 10 anos não vivia lá ninguém e a casa deteriorou-se bastante, o jardim parecia uma selva, a vegetação subia sem critério pelos muros, a própria casa mostrava sinais de obras urgentes. 

Num dia aparentemente igual a tantos outros, os habitantes de Aubrey descobriram que a casa havia sido novamente comprada, tudo começou quando Judy tinha regressado de Londres e passou pelo trevo de ouro.

- Olá Patrick. - acenou ela para o dono do estabelecimento - Queria a bebida de costume. 

- Então, como foi a semana em Londres Judy? - Patrick entregou-lhe um copo com xerez - Gostaste de lá estar?

- Aquilo não é para mim Patrick - ela pegou no copo e deu um gole - É demasiado movimentado para mim, demasiadas pessoas...

- Mas pelo menos estiveste com a tua filha e os teus netos. - Patrick voltara para o balcão para continuar a limpar copos - Sempre deu para matares saudades.

- Um pouco, mas os meus netos já são adolescentes, são bons miúdos, mas as maquinetas estragam um pouco...Bem, não ligues aos meus resmungos, coisas de velha. E por cá, houve alguma novidade na minha ausência?

- Sabes como é, nada de especial ou relevante, tirando a cadela de Algie que finalmente teve cachorros, infelizmente todos mortos.

- Pobre Algie, a criação de cães galgos é o seu ganha pão, ainda por cima ele perdeu quase todos os cães que tinha no ano passado, a esperança dele estava na velha Magie e na sua última ninhada.

- É, ele está devastado, está inclusive a pensar em deixar Aubrey e...

Emily entrou interrompendo a conversa, estava com ar de quem sabia de coisas que os outros não sabiam.

- Vocês não imaginam o que eu acabei de saber- ela fez uma pausa dramática antes de continuar- compraram a casa dos Lane!

- O quê? - Patrick perguntou atónito- Quem iria querer comprar aquela velharia?

(Continua)

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publicado às 17:01


O flagelo das árvores de Natal em Novembro

por Elisabete Pereira, em 12.11.18

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Não sei o que passa pela cabeça de algumas pessoas de montarem a árvore de Natal ainda no inicio do mês de Novembro, das duas uma, ou se enganaram no mês, ou então estão tão ocupadas até á véspera de Natal e por isso adiantaram trabalho. Eu sei que o Natal é quando o Homem quiser, mas...não é preciso exagerar, a árvore ali, a ganhar pó...ácaros e todas essas coisas até ser hora de ser desmontada (caso seja) lá para o mês de Março ou Abril, sim porque isto é malta que é capaz de deixar ficar a árvore montada o mais tarde possível, tipo véspera da Páscoa, e ainda por cima são árvores de plástico, já ninguém vai ao monte de serra na mão á procura de um pinheiro, ok, aí até têm razão, e realmente os pinheiros naturais agradecem. Mas eu penso que a culpa disto tudo são dos centros comerciais, mal acaba o Halloween, e como por magia gnoma, exactamente no dia 1 de Novembro já estão decorados com motivos natalícios,  ora as pessoas ao verem isto pensam, "espera lá, já está na hora de tirar os enfeites do sótão e montar a árvore de Natal", o conceito até é giro, mas na prática fica só estranho, reparem, vão por uma rua ao escurecer, cheia de prédios, tudo escuro á vossa volta, e de repente vêm ao longe uma luz, não, várias luzinhas coloridas que piscam alternadamente, vocês a medo aproximam-se e vêm que é uma árvore de Natal, é um bocado estranho não acham? Como ouvi alguém dizer uma vez que o "All I need for Christmas is you" de Mariah Carey,  só faz sentido ouvir na altura do natal, porque se ouvirem aquilo no Verão, a coisa não faz muito sentido, nem dá vontade de ouvir. Era por exemplo, se as pessoas começassem agora a andar de pijama na rua...ah esperem, algumas pessoas já o fazem, quando vão ao pão, levam o lixo para a rua, vão passear o cão, ou a Sarah Jessica Parker. Assim sendo, um Feliz Natal, um Bom Ano Novo, um bom Carnaval, um bom dia do Pai, uma boa Páscoa, um bom dia da Mãe, um bom dia da Criança, um bom Hallowen, um bom Natal...pronto assim já adianto tudo e no próximo ano, já não tenho que dar felicitações a ninguém.

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publicado às 16:24

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Por vezes há situações que nos levam a pensar que gostariamos que fossem realidade, por exemplo o caso que me aconteceu ontem, estava eu a aproveitar o intervalo do trabalho para fazer o costume, sentar na zona de restauração de um centro comercial, e colocar-me na minha bolha, de headphones nos ouvidos e usando o tablet para desenhar, ás vezes penso que fico invisível para os outros, e realmente isso acontece na maioria das vezes (acho), uma vez por outra há alguém que dá um pequeno comentário, mas basicamente é só isso. Mas ontem foi diferente, até porque o centro estava apinhado de gente, o que não é costume, e mais uma vez lá estava eu na minha bolha, quando de repente dois miúdos se aproximaram da minha mesa, deveriam ter  uns 4-5 anos, e faziam-me perguntas enquanto eu desenhava, pouco tempo depois chegou o pai de um deles a dizer para eles não me importunarem, eu disse que não havia mal, depois o filho perguntou ao pai se eu realmente estava a desenhar e o pai responde " Sim filho, ela é artista plástica,  está a fazer o seu trabalho." Eu apenas sorri e eles foram embora, claro que por um lado eu queria dizer que isto não é a minha profissão, mas apenas um hobby, mas por outro lado senti-me tão contente por alguém acreditar que eu era uma artista...

Mas não, sou apenas uma funcionária de take way, que gosta de desenhar no seu pouco tempo livre, mas quem sabe se um dia não irei conseguir viver do que faço? Até lá, tenho de trabalhar como toda a gente para poder pagar as minhas cuecas e afins.

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publicado às 18:04


Uma história ainda sem titulo (parte 13)

por Elisabete Pereira, em 01.11.18

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Aquele fio é lindo, mas eu não posso aceitar, Hethel no entanto sem ligar aos meus protestos coloca-o no meu pescoço.

O delicado fio de ouro tem um ligeiro toque frio em contacto com o meu pescoço, o pendente em forma de estrela dança ligeiramente acima do decote do meu vestido, tenho que concordar que Violet é verdadeiramente uma mestre em criar vestidos, aquele em particular é de cortar a respiração, a combinação do corpete com o vestido de tule em tom de vermelho sangue, e bordado com fio dourado, que se vai ramificando pela saia de tule, dá-lhe um ar de sofisticação. Ela própria está satisfeita com a sua criação.

- O fio fica-te mesmo bem - respondeu Hethel afastando-se um pouco para me observar - Trata bem dele durante o baile, é muito importante para mim, foi me dado pela minha mãe na minha primeira apresentação em público,sempre me deu muita sorte.

Hethel é bailarina, lembro de a ter visto uma vez na t.v. na casa de uns vizinhos, num programa especial de Natal, há cerca de dois anos.

- Se é assim tão importante o melhor é ficares com ele... - digo enquanto levo a as mãos ao fio para o tirar - Não quero que se estrague ou se perca.

- Não sejas parva! - diz ela com um sorriso - são só umas horas, além disso o que é que iria correr de mal no baile?

**************

Dentro de momentos vamos entrar no salão de baile, tento distrair o meu nervosismo observando as pessoas á minha volta, embora sejam apenas eu e a familia real naquele lugar, a verdade é que á nossa volta gravitam vários criados á nossa disposição, a rainha ajeita o fato de gala do rei, este embora um pouco debilitado, consegue passar uma aura de poder e segurança, a rainha está mais bela do que nunca, desta vez optou pelo cabelo solto de um dos lados do rosto, o que lhe dá uma aparência mais jovem,e usa um vestido azul escuro de mangas transparentes, eles sorriem um para o outro, são o retrato vivo da felicidade. Peter está mais afastado encostado á janela, não dá para ver a sua expressão pois está de costas para mim, Noah está ausente, disseram que ele estava indisposto, mas eu sei que o motivo é outro, muito provavelmente voltou a ter uma crise, lamento muito por ele. Uma mulher jovem aproxima-se de mim, tem penetrantes olhos verdes como o rei, e o cabelo castanho igual ao da rainha, deduzo logo que se trate da princesa Ariana:

- Deves ser a Lucy, certo? - diz ela cumprimentando-me - Peter e Noah já falaram algumas vezes de ti, confesso que fiquei com curiosidade em te conhecer.

- Ah....obrigado, mas não sei se é caso para tanto. - digo meia envergonhada - tenho a certeza que a princesa vai ver que eu não sou assim tão interessante...

- Eu acho que não te valorizas o suficiente Lucy. Espero que não te importes que te trate por tu... - responde ela -  E não me chames de princesa, só Ariana.

- Pois, vou tentar, mas não prometo que consiga.- sorrio para ela - Nervosa?

- Não, já não é propriamente uma novidade para mim - ela dá de ombros - Basicamente é só mais uma formalidade, e tu?

- Só um pouquinho. - admito enquanto olho para Peter - Confesso que ser o centro das atenções deixa-me desconfortável.

- Isso é porque ainda não estás habituada. - ela acompanha o meu olhar para Peter - Vais ver que quando te habituares será apenas mais uma coisa normal.

- Habituar-me? - desta vez olho para ela surpreendida - O que queres dizer com isso?

- Nada. - ela pisca o olho para mim - Dou-te um conselho, diverte-te e aproveita o momento.

- Vou tentar. - digo respirando fundo - É só um baile, não é?

- Exactamente, é esse o espirito! - diz ela enquanto levanta o polegar e se afasta de mim para se juntar aos pais - Diverte-te!

Pouco depois as conversas cessam, está na hora, as pessoas vão se colocando na sua posição, Peter junta-se a meu lado, os reis vão logo atrás de nós, Ariana vai atrás dos reis acompanhado por um homem desconhecido para mim, provavelmente algum namorado, a rainha não parece muito bem impressionada com ele, a julgar pelo olhar que lhe deitou, noto que eles vão cochichando bastante divertidos, a rainha parece ainda menos satisfeita com isso, mas não dá para ver mais, porque sou interrompida por Peter.

- Vamos?- ele estende o braço para que eu segure -Está na hora.

-Certo - digo agarrando o braço dele com alguma força - vamos lá.

Fico cega por uns segundos, por causa da luz forte e do brilho da decoração do salão de baile, mal os meus olhos se habituam ao ambiente tive de fazer um esforço para não ficar parada a olhar para o salão, parece um cenário saido de um livro, reparo que a multidão que não tira os olhos de mim, sinto-me desconfortável, como se estivesse despida, Peter sussurrou no meu ouvido quando percebeu o meu desconforto:

- É só fazer de conta que eles estão a usar roupas ridículas...ou nús, comigo costuma funcionar.

- Acho que prefiro fazer de conta que eles não existem, a ter de pensar que estão nús! - faço um pequeno esgar de nojo ao sem querer começar a imaginar as pessoas sem roupa - Credo, acho que vou ter pesadelos esta noite.

Peter dá uma pequena gargalhada, o que me faz sentir um pouco menos nervosa, até consigo esboçar um sorriso para a multidão, rapidamente chegámos próximo a um púlpito onde o rei vai discursar antes do inicio do baile, o rei apesar da sua fragilidade, tem um andar decidido, e ligeiramente apoiado na rainha aproximou-se do púlpito:

- Povo de Eran, o meu discurso será breve, infelizmente tive pouco tempo para o preparar como deve ser, mas eu queria, mesmo assim, demonstrar que apesar do duro golpe que me causaram, que tenho um compromisso para convosco, para o meu reino, eu não quero que vocês sintam que vos abandonei, jamais irei virar as costas. Mesmo ainda não estando a 100%, o momento é de celebrar, e por uma noite, deixar-mos as preocupações para trás. Divirtam-se!

Todos batemos palmas, pouco depois, as luzes baixam e percebemos que é a hora do baile começar, Peter guia-me até ao meio do salão, a  multidão afasta-se para nos dar espaço, a orquestra no canto inicia uma melodia lenta e nostálgica, Peter coloca uma das mãos nas minhas costas e a outra segura a minha mão, ele vai-me guiando na valsa, sinto como se estivesse a deslizar nas nuvens, no entanto sinto-me ao mesmo tempo embaraçada pela proximidade com ele, a dança parece durar uma eternidade, é uma tortura para mim estar tão próxima dele. Quando a música termina, praticamente fujo dele e escondo-me entre as pessoas que se aproximam da pista de dança, ele nem teve tempo para me procurar, várias mulheres estavam á volta dele para poderem dançar com ele. Pouco tempo depois a orquestra inicia uma nova música, e eu aproveito para me ir sentar ao lado de Violet.

-Já te cansaste do principe? -diz ela com um copo de champanhe na mão, claramente ela já se encontrava "alegre" - Se fosse comigo, não o deixava escapar.

-Pois...- respondo enquanto lhe seguro no copo,que balança perigosamente da mão dela- Não achas que ainda é muito cedo para apanhares um pifo?

- Buhhh...a Lucy está a ser muito mandona hoje! -ela ri e volta a pegar no copo- Relaxa, hoje é dia de Festa!!!

Hethel vem ao nosso encontro sorridente, ela senta-se ao nosso lado, está radiante, estranhamente feliz.

- Lucy, estavas linda! - ela suspira ao falar comigo - A noite está incrível não acham!?

Então noto algo que brilha na mão esquerda nela, um anel...

- Isso é aquilo que estou a pensar? - franzi o olho - Não sabia que tinhas um namorado!

Ela cora ligeiramente e sorri, mostrando o anel de brilhantes antes de responder:

- Eu e o Neill namoramos há vários anos, e hoje ele veio ao baile de propósito para pedir-me em casamento, amanhã vou falar com o príncipe Peter para deixar de ser candidata a princesa, estamos a planear casar daqui a poucos meses, Lucy, não imaginas o quanto eu me sinto feliz!

- Desejo-te as maiores felicidades, e espero um convite para o casamento claro, mas tenho uma dúvida, porque te candidatas-te a princesa?

-Foi uma estupidez da minha parte, mas dias antes tinha discutido com o Neill, e por ciúmes inscrevi-me, é escusado dizer que me arrependi quando descobri que era uma das selecionadas...mas, agora está tudo resolvido entre nós.

- Ainda bem que alguém está feliz hoje. - sorrio para ela - Que pelo menos alguém se divirta.

-Que queres dizer com isso? - Hethel olha para mim surpreendida - Vá lá,  hoje é um dia diferente é para nos divertirmos, porque não vais dançar para te animar?

-Hum, acho que não... - respondo enquanto observo Peter a dançar com uma senhora bastante desastrada e que de vez em quando lhe pisa os pés - Vou só ficar mais uns cinco minutos, e depois vou para o meu quarto.

-Pareces uma velha a falar! - Ela riu - Fica por mim, sim? Vou te apresentar o Neill, vais adorá-lo!

Nem tenho tempo de responder, ela desaparece entre a multidão e cinco minutos depois volta com o rapaz que deve ter uns vinte anos, é bastante alto e parece ser simpático, comprimento-o e logo se inicia uma alegre conversa entre nós, de vez em quando dou uma espreita para Peter, mas ele afastou-se da pista de dança, e encontra-se a conversar com um homem de farda militar, noto que Violet desapareceu, provavelmente deve estar encostada a alguma sanita, contando com o que bebeu, deve estar neste momento a aliviar todo o conteúdo do estômago.

Passado um tempo, pareceu-me ver algo pelo canto do olho, mas o que sucede a seguir é demasiado rápido para eu perceber o que se passa, Peter vem de repente na minha direção e atira-me para o chão, oiço o som de tiros e de coisas a partir, uma confusão de pernas á minha volta, rastejo cuidadosamente para não ser pisada por alguém para debaixo da mesa mais próxima, não conversamos, apenas observamos aterrorizados o que está a acontecer, muitos fogem em pânico, há pessoas caidas no chão, algumas gemem, outras estão imoveis, provavelmente estão mortas a julgar pelas poças de sangue que as rodeiam, dou um grito quando encontro com o olhar o corpo de Hethel no chão, os seus olhos estão abertos, e próxima á orelha esquerda está um orifício redondo de onde jorra um pequeno fio de sangue, percebo de imediato que está morta, olho para Peter, mas ele já não se encontra ao meu lado, também não vejo ninguém da familia real. Estou tão distraída que mal percebo alguém a tentar agarrar-me pelas costas, instintivamente dou um pontapé para trás e atinjo a pessoa que dá um urro de dor, mas logo a seguir sou imobilizada, e colocam um lenço no meu nariz, de repente tudo fica negro á minha volta.

 

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publicado às 09:53


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