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Conto " O meu nome é Belle " (parte 1)

por Elisabete Pereira, em 28.09.18

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Falta pouco mais de uma hora para o comboio chegar á estação de Côte d'Azur, o Verão de 1946 está a ser particularmente quente, e mesmo com a janela aberta o calor teima em não ir embora, a nossa sorte é o nosso compartimento estar praticamente vazio, apenas mais uma pessoa partilha o espaço, uma senhora com os seus 40 anos, algo curvilinea que abana o seu leque de forma elegante, Mdme de Autibes é herdeira de uma fortuna, e não se importa de o demonstrar na sua maneira de vestir algo extravagante, no entanto foi simpatica o bastante para me ter oferecido uma caixa de bombons, ela diz que os chocolates são bem melhores do que amantes, porque só existe a parte do prazer e no fim não pedem dinheiro. Corine fica algo escandalizada com a conversa bastante atrevida da senhora,  mas eu não consigo deixar de sorrir, afinal tenho apenas 16 anos, e o que sei da vida? Eu nem me lembro de quem sou realmente, a minha memoria foi apagada no incêndio do Orfanato onde eu vivi até á bem pouco tempo.

-A senhora não devia ter esse tipo de conversa com uma criança presente aqui!- retorquiu Corine- É de um profundo mau gosto!

-Não estou a ver nenhuma criança aqui. - Mdme de Autibes sorri antes de apontar com o leque para mim - Ela já tem desenvoltura suficiente para ser uma mulher, e saber como as coisas funcionam, provavelmente não demorará muito para casar,  e é importante ir sabendo ao que vai, se a minha mãe o tivesse feito quando eu era mais nova, muito provavelmente nunca me teria casado.

-Como pode dizer isso de forma tão leviana? - Corine olha para ela estarrecida - O casamento é um contrato sagrado!

-Diz isso porque nunca casou obviamente! - responde Mdme de Autibes sem se alterar enquanto acende um cigarro e o coloca na boquilha - Posso lhe afirmar que agora que sou viuva, sou muito mais feliz do que quando era casada, Gastón era um imprestável enquanto foi vivo, quase delapidou a nossa fortuna no jogo e em mulheres, felizmente consegui trava-lo a tempo e dar a volta por cima, e hoje em dia consegui multiplicar a fortuna que tinha.

- Uma mulher deve sempre apoiar o seu marido, independentemente dos seus deslizes. - Corine contra-ataca - É verdade que nunca casei, para me poder dedicar á familia Tuvier, mas não me arrependo da minha escolha, e se tivesse casado era assim que iria proceder, a mulher deve ser sempre o pilar do seu marido, e nunca apontar as suas falhas.

- Os tempos são outros minha cara, a guerra mudou tudo, na época em que casei as mulheres eram obrigadas a casar com o homem que a sua familia escolhia, a sua vontade não era tido em consideração, assim foi comigo também. - ela dá uma pequena baforada na sua boquilha antes de continuar - Eu tive de aguentar muita coisa que não gostava, o divórcio estava fora de questão, o meu pai deserdava-me caso o fizesse, hoje em dia as coisas são mais praticas nesse aspecto, e ainda bem.

-É a sua opinião. - Corine decide voltar ao seu crochet e dar conversa por finalizada - Mas agradecia que não enchesse os ouvidos de Elise com as suas ideias "progressistas".

-Acho que ela é inteligente o suficiente para fazer as suas escolhas - diz madame de Autibes enquanto se levanta e sai do compartimento - Vou dar um passeio por onde as minhas ideias não escandalizem ninguém, se me dão licença...

Ela fecha a porta do compartimento, e quando o seu chapeu verde desaparece de vista, Corine dá um suspiro de impaciência. Ela já tem bastante idade, e imagino que isto lhe faça muita confusão,  mas eu adorei conhecer a Mdme de Autibes, ela é uma mulher muito segura de si mesma. Ajeito a manga do vestido por cima da gase que protege as marcas mais profundas das queimaduras que sofri no incêndio do orfanato, já não doi muito, mas o que custa mais é ter perdido a memória, não ter nada que me agarre ao passado, fui descoberta apenas por causa do medalhão que trago ao pescoço e assim ganhei uma identidade, sou Elise Tuvier, mas o nome soa muito estranho para mim. Corine nota o meu desconforto:

- Está tudo bem Elise? - Corine larga o crochet e olha para mim - As queimaduras estão a doer muito?

-Não mais do que o habitual. - respondo enquanto largo a manga do vestido - mas a gaze é um pouco desconfortável com este calor.

-Realmente está muito calor - ela retoma o crochet - mas a menina tem de usar a gaze até melhorar totalmente, além disso a pior parte já passou.

-Sim é verdade. - estremeço quando me lembro de quando acordei no hospital e as dores horriveis que tive de suportar - Há coisas muito piores.

- Como essa Mdme de Autibes! - Corine fala de maneira azeda - Onde já se viu uma mulher falar daquela maneira?!

 -Eu gostei dela. - digo encolhendo os ombros - é no minimo uma pessoa original.

- Original? É uma fresca, isso sim - ela olha para mim seriamente  - A menina não ligue aos disparates dela, por amor de Deus, essa mulher não tem juizo nenhum.

Sorrio em resposta, pelo menos serviu para me distrair dos meus pensamentos, sei que a minha mãe está á minha espera na estação, é terrivel não ter uma memória que seja dela, para mim é um fantasma sem rosto, tenho a esperança de que ao vê-la as minhas memórias possam começar a voltar, mas de momento a minha vida é um ponto de interrogação .

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publicado às 17:18


Conto "A metamorfose da água"

por Elisabete Pereira, em 27.09.18

Há umas quantas luas, participei de um concurso literário, e como não ganhei, pensei em colocar o conto no blogue, e assim o fiz.

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A metamorfose da água


Quando me olho ao espelho vejo aquilo que os outros não vêm, a Alice que aparece no reflexo do espelho esconde um segredo. Até aos 12 anos eu tive uma vida miserável, vivia com a minha mãe, uma mulher abusiva e instável que me usava como meio de sustento. Andava-mos de terra em terra como nómadas, onde eu era obrigada a pedir dinheiro ou a roubar, dormia-mos em lugares abandonados. Numa noite igual a tantas outras vi a viajar pelo céu, uma estrela tão brilhante que quase parecia o sol. Quando a vi cair sob o lago à frente da cabana onde estávamos, esgueirei-me porta fora, era quase fim do inverno e a neve e o gelo tomavam conta da paisagem, eu estava descalça mas mesmo assim segui caminho pela paisagem nevada até chegar ao lago, aproximei-me da margem, e verifiquei se estava gelado o suficiente até conseguir alcançar a estrela, escorreguei várias vezes até chegar ao centro do lago onde ela se encontrava. A estrela parecia pulsar com maior vigor, o seu brilho era quase hipnótico, mas quando estiquei o braço para lhe tocar, oiço um ruído por baixo de mim, o gelo começou a estalar e rapidamente caí dentro do lago. A água ia preenchendo os meus pulmões e o meu corpo, era como se quisesse fazer parte de cada célula de mim mesma, eu debati-me, mas era em vão, naquele momento eu sabia que ia morrer, a última coisa que me lembro foi de ver a estrela a aproximar-se de mim como se me fosse abraçar no meu último suspiro, eu não ia morrer sozinha, aquela luz quente iria ficar comigo, até que de repente tudo ficou escuro.
Fui resgatada do lago horas depois, por um grupo de caçadores que andava por aquela zona, inicialmente achavam que eu estava morta, foi praticamente um milagre ter sobrevivido. Levaram-me para o hospital local para fazer exames e para recuperar do sucedido, mas a minha mãe com receio da minha exposição nos jornais, e que isso chamasse atenções indesejáveis, achou melhor levar-me do hospital onde eu estava internada, e novamente regressamos aos velhos hábitos.
Até que conheci Eric, era filho dos donos de um supermercado dos arredores de onde vivíamos, era mais velho do que eu, foi o meu primeiro amor, sempre que podia, entregava-me sacos com comida ás escondidas dos pais. Nessa mesma altura, apercebi-me de que algo começava a nascer dentro de mim, inicialmente era uma espécie de ansiedade que eu sentia no peito, depois foi-se espalhando pelo meu corpo, como algo que borbulhava quase á superfície da minha pele, até que um dia percebi que conseguia controlar a água devido a um pequeno incidente, mas depois desse episódio, comecei controlar a técnica. Infelizmente um dia a minha mãe descobriu a minha habilidade e trancou-me em casa. Pouco depois, Eric soube o que a minha mãe me fez, e ajudou-me a fugir, mas ela apercebeu-se e alertou a policia da minha fuga, dizendo que eu tinha sido raptada por Eric, a policia da região andou á nossa procura, e em pouco tempo ficamos encurralados por um rio, nem eu nem Eric sabíamos nadar, não tínhamos fuga possível, então usei os meus poderes como último recurso, utilizei água do rio como parede de proteção entre nós e a policia, mas eu ainda não controlava bem a água, e infelizmente no meio da confusão, Eric foi inadevertidamente atingido pela parede de água e morreu afogado. Tentei reanima-lo mas era demasiado tarde, doeu demais saber que a única pessoa que me amava, havia morrido por minha culpa, além disso, iria ser presa e perder a pouca liberdade que tinha, até que eles apareceram. Duas pessoas, um homem e uma mulher, com um uniforme que eu desconhecia aproximaram-se de mim, eu tentei fugir deles, pensava que poderiam ser de algum hospício, e que me iriam levar para lá, mas asseguraram-me que não.
Mas eu tinha medo e não sabia quem eram, no entanto a mulher disse que vinham da parte de uma organização que apoiava pessoas como eu, e que a partir dali, se eu fosse com eles, não teria mais contacto com a minha mãe, ainda assim eu não podia deixar o corpo de Eric. Eles disseram que não havia mais nada que pudesse fazer por ele, mas ainda assim, eu não me sentia preparada para ir com eles, era muita coisa para processar naquele momento, lembro-me de olhar para os dois, de forma a tentar descobrir se existia algum indicio de que me estariam a enganar, mas momentos depois acenei afirmativamente, já não tinha mais nada a perder, a mulher sorriu para mim e estendeu-me a mão, instintivamente apertei-a. Segundos depois a paisagem mudou, e percebi que tinha sido teletransportada pela primeira vez na minha vida.

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publicado às 18:25


Rabiscando no tablet 17#

por Elisabete Pereira, em 22.09.18

Bora lá a mais um grupo de desenhos novos.

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 Por hoje é tudo. Mais desenhos virão. 

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publicado às 11:30


A eterna insatisfação de se ser apenas quem se é

por Elisabete Pereira, em 21.09.18

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Se há algo de que tenho bastante orgulho é de as minhas raízes serem do mesmo concelho de António Variações(e do chefe Silva também, mas isso são outros quinhentos). Para mim é uma referência de alguém que superou muita coisa e que ainda hoje em dia, apesar de ter falecido á cerca de 34 anos, continua a ser lembrado, a sua música é de uma originalidade tal, que mesmo nos dias de hoje não há quem imite o género, há quem diga que ele era uma pessoa á frente do seu tempo e que mesmo agora continuaria a estar á frente do seu tempo, infelizmente o seu brilho durou pouco, mas mesmo assim deixou marcas na música portuguesa.

Eu ainda era muito nova quando comecei a ouvir as músicas dele através dos discos de vinil que o meu pai colocava na aparelhagem com gira discos (que é bem mais velha do que eu, e que ainda hoje funciona), lembro de o meu pai de dizer com orgulho de que ele era natural de Amares, mais precisamente da freguesia de Fiscal e facilmente percebi o porquê desse orgulho, afinal, o concelho onde vivo fica no interior do minho, imaginem como eram as coisas há uns 30-40 anos, nao havia o desenvolvimento que há hoje, claro que sei que António Variações emigrou para Amesterdão bem antes de ter alcançado o estrelato, até porque a vida por estas bandas era muito dura (o meu pai também acabou por sair daqui, com 14 anos aventurou-se na cidade do Porto), penso que o meu pai chegou a conhecer alguns dos familiares dele, na altura em que fazia o trajecto Porto-Amares durante as férias na sua famel zundapp em que praticamente percorria as festas e romarias do concelho nos finais dos anos 70 e inicios dos 80. Este texto vem a propósito de eu ter lido algures que o filme sobre a vida de António Variações estaria a ser rodado, e até me lembro de ter visto na rua alguns folhetos colados em postes para quem estivesse interessado em fazer figuração no filme ( secretamente disse uns palavrões para mim mesma por neste momento não estar desempregada, porque eu iria querer participar no filme, mas como estou a trabalhar...ora batatas ), segundo li, o filme deverá estrear lá para 2019, e tem como protagonistas Sergio Praia, Lucia Moniz e Victória Guerra.

Confesso que estou em pulgas para a estreia do filme que acredito que irá a ajudar a conhecer melhor a vida deste ícone da música Portuguesa.

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publicado às 12:40

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Lembro bem de quando entrei na escola primaria há 23 anos, eu ia de mochila vermelha, branca e verde que tinha o logotipo do totobola ás costas, (foi-me oferecida uns tempos antes em conjunto com outros brindes dos jogos da santa casa)dentro da mochila iam várias coisas, o porta lápis herdado do meu irmão mais velho, os livros forrados com esmero pela minha mãe com aquele plástico transparente com figuras da Disney, assim como esses livros iam identificados com etiquetas pela letra redondinha da minha mãe com o meu nome, os cadernos novos, os marcadores carioca (aqueles que só traziam seis cores), os lápis e canetas novos... mas também lá dentro iam a alegria, a aventura pelo desconhecido, a ânsia de fazer novos amigos.

Para mim ir para a escola era uma aventura nova e divertida, ( rapidamente tornei-me uma das melhores alunas da turma ) estava muito feliz em começar algo completamente novo, sempre fui daqueles alunos que quando recebia os livros novos antes das aulas começarem, ficava horas a fio a lê-los (até os de matemática). Foi uma época muito boa, até porque nos primeiros tempos eu não tinha trabalhos para casa e brincava com o meu irmão, que é 5 anos mais velho do que eu, pelo facto de ele ter e eu não...mas daí a pouco saberia o conceito de T.P.C.

Quando me recordo de tudo isso é com nostalgia dos momentos em que tudo era novidade, as coisas eram mais simples, concluindo, era muito feliz mesmo sem ter a noção disso (ok, ainda sou feliz hoje em dia...hum...) mesmo não tendo coisas de marca, foi a época em que fui fazendo novos amigos, aprendi brincadeiras, que comecei a fazer aqueles teatrinhos escolares, etc. Também recordo que na altura, alguns colegas meus faziam um berreiro tal no primeiro dia de aulas, não largavam as mães de jeito nenhum, e eu não percebia o porquê disso, porque eles choravam para ir para a escola, hoje percebo perfeitamente, mas na altura achava que eram um bocado parvos.

A verdade é que partir daí, começou um novo capítulo da minha história, uma história que ainda hoje estou a escrever e em que novos capítulos são adicionados, mas sem dúvida de que para mim, este é um dos capítulos mais especiais.

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publicado às 17:07


"O cliente tem sempre razão"... Hum, nem sempre

por Elisabete Pereira, em 15.09.18

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Tem alturas em que uma pessoa pensa que não devia ter saído da cama, e foi o que eu pensei por estes dias, estava perto da hora de ir embora e ir finalmente de folga, quando surge uma cliente habitual (por norma só leva sopa para os filhos, e uma vez ou outra levou panados, se não me engano) com os filhos pela mão, pousou - os no balcão, e como passava ligeiramente das 22:30, e a essa hora a cozinha já não tem praticamente nada para servir, basicamente só sai frango assado. Foi isso que eu transmiti á cliente e ela passou-se, reagiu como se eu lhe tivesse dito um palavrão (que não disse, mas mais tarde apeteceu dizer), eu ainda fui á cozinha verificar se ainda podiam fazer alguma coisa, mas ela nem quis ouvir, queria porque queria , o livro de reclamações, perguntei então a um colega meu pelo livro, ele olhou para mim e disse :

-Estás doida?! Se lhe entregas o livro és despedida.

E fiquei chocada com aquilo, como é que é possível uma coisa daquelas, uma pessoa ser tão facilmente despedida, mesmo que o cliente tenha razão na queixa, ou não.

Entretanto esse meu colega foi ter com a tal rapariga e tentou acalma-la, e aí ela entrou em modo "bitch":

- O quê!? Não podem dar o livro de reclamações?! Se isso acontece é porque alguma coisa não bate certo! A sua colega não falou comigo da melhor forma, não tem nada lá fora escrito a avisar....e blábláblá...

E esteve nisto longos minutos, no final, foi embora sem levar nada. O que me custa nesta situação é ela ser uma cliente habitual e até ali nunca tive nada que dizer sobre ela, e também pelo facto de que eu sei que esta cliente também trabalha em algo semelhante, e nem por isso ter tido um pingo de empatia e entendimento. Dou-lhe o desconto de que provavelmente teve um dia mau e descontou em mim, mas saber que por causa disto o meu emprego esteve por um fio deixa-me bastante pensativa, porque afinal não existem empregos garantidos, mas pronto, isto também faz parte da vida, e serve como aprendizado.

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publicado às 16:15


Incrível como já se passaram 17 anos...

por Elisabete Pereira, em 11.09.18

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...desde a tragédia do World Trade Center, lembro perfeitamente desse dia, eu tinha 12 anos, e parecia ser mais um dia de verão igual a tantos outros até aí, as aulas estavam quase a começar, e lá para o final do almoço, deviam faltar uns 15-20 minutos para a 1 da tarde, e a emissão do programa de tv (acho que era a praça da alegria) foi interrompida por uma noticia de última hora por parte da Sky News, que mostrava um incêndio na torre norte do World Trade Center, a esta altura ainda ninguém fazia a ideia qual a causa do incêndio. Lembro de ver as pessoas na rua a olharem para as chamas do edificio, até que a dada altura começa a circular o boato de que poderá ter sido um avião a embater no edificio, pouco tempo depois é mostrado em directo o embate de um avião na torre sul, até aqui ninguém havia avançado uma tese de ataque terrorista, mas após este impacto essa hipotese começa a surgir, há pessoas nas ruas em volta do edificio que ficam paradas a observar aquele cenário, outras fogem dali, vejo pessoas que no desespero de não serem apanhadas pelas chamas que se atiram para a morte, vejo pessoas que acenam com lenços brancos através das janelas, pedindo socorro, mas como, se é impossivel lá chegar, há gritos, muitos gritos....de repente a torre sul cai, as pessoas nas ruas fogem em pânico, e de repente uma nuvem de pó e destroços invade toda a rua... Pouco depois, pessoas cheias de pó e sanguem surgem a correr a são apoiadas por outros, há demasiada confusão no ar, e nós, do outro lado do mar, sem nada podermos fazer, senão continuar-mos a observar atónitos para tudo o que está a acontecer. Minutos mais tarde cai também a torre norte, há momentos de pânico, mas sobretudo de estupefacção, aquilo parecia irreal, mas como aquilo era possível?

Durante o resto do dia, os noticiarios dos três canais generalistas mantiveram-se ininterruptamente durante toda a tarde e noite, ligados a esta tragédia, não me lembro de isso ter voltado a acontecer, o que dá para ver qual foi a dimensão desta tragédia. Durante semanas isto foi tema do dia, desde o resgate de possiveis pessoas vivas nos escombros, até á descoberta da identificação das vitimas, até aí eram milhares de pessoas sem rosto, mas quando se descobre um nome, é todo um impacto diferente, porque essas pessoas tinham uma vida, uma familia que ficou desvastada....

Faz hoje dezassete anos sobre esta tragédia, e de lá para cá, muito se escreveu, debateu, etc, não vou acrescentar mais, apenas direi que á dezassete anos o mundo mudou...perdeu a sua inocência.

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publicado às 16:30


Uma história ainda sem titulo (parte 12)

por Elisabete Pereira, em 10.09.18

Capítulo 12

 

Jane

 

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A reunião de véspera foi bastante produtiva, o plano finalmente vai entrar em marcha, se as coisas correrem como planeamos a revolução vai começar, mas ainda assim, estou um pouco apreensiva com uma parte do plano, tem tudo para correr muito mal, mas os outros elementos não concordaram com a minha observação e mantiveram as coisas como estavam. Dou uma vista de olhos na sala dos computadores, para esconder a minha ansiedade:

- O palácio está a fervilhar com o regresso do rei - Ted está visivelmente animado a olhar para os monitores - Assim ninguém dará conta de nada.

- Espero bem que sim...- digo enquanto olho para um dos monitores - Mas honestamente, algo me diz que as coisas podem não vir a correr exactamente como queremos.

- O que é que te está a preocupar Jane? - Ted olhou surpreendido para mim - O plano é perfeito.

- Não confio no Higgins e no companheiro dele - Ted sabe que aquilo me incomoda, aliás ajudou-me a investigar o Higgins depois daquele escândalo que quase acabou com a nossa organização - Sabes perfeitamente que ele não é de confiança.

- Outra vez a mesma história? - Ted revira os olhos exasperado - Deixa-te de coisas Jane, sabes perfeitamente que isso não deu em nada, não há provas.

- Eu sei que não há provas, mas o comportamento dele naquela época foi bastante suspeito, se eu fosse o "Chefe" tinha-o expulso.

- Ele é mais perigoso para nós caso viesse a ser expulso, ou achas que ele não ia dar com a lingua nos dentes sobre o grupo? Seria o nosso fim, é mais inteligente mantê-lo do nosso lado.

- Mesmo assim, não gosto da importância que ele tem na concretização do plano.

- Estás a fazer uma tempestade num copo de água. Eu também não morro de amores por ele, mas tens de concordar que ele até é útil, dá-lhe o benefício da dúvida.

- Veremos...- largo a cadeira ligeiramente aborrecida, esperava pelo menos ter o apoio de Ted, mas já vi que estou sozinha nisto - Porque sinceramente não quero ter razão neste caso.

Cá fora encontro Rafeiro com ar de quem foi apanhado em flagrante, sei perfeitamente que deve ter tentado escutar a nossa conversa, embora tente disfarçar o que fez, no entanto não estou minimamente preocupada, é escusado alguém querer ouvir alguma coisa, pois a sala tem um bom isolamento de som:

- Então miúdo? Não sabes que é feio estar a ouvir a conversa dos outros? - digo com um sorriso no rosto - Sabes perfeitamente que não vale a pena tentares enganar-me.

-Não é isso Jane, quer dizer....desculpa, é um velho hábito...- ele estava visivelmente envergonhado pelo seu comportamento - Não torna a acontecer.

- Não prometas aquilo que não podes cumprir, mas fico contente por te teres apercebido do teu erro, já é um progresso.

- Posso fazer alguma coisa para ajudar? Vi ontem aquela malta toda por cá e pensei que...

- Primeiro, isto são conversas de adultos , não são para ser partilhadas com mais ninguém, segundo, não te quero ver metido em confusões, a não ser que queiras a voltar a ter problemas com a Amy.

-Mas Jane, eu não tenho nada que fazer aqui,deixa-me ajudar nalguma coisa, além disso aquilo com a Amy foi um engano, eu não sabia que aquela coisa disforme e desbotada, era o urso de peluche que a mãe lhe tinha dado pouco antes de morrer...

Por um lado, até que não seria má ideia ter alguém como o Rafeiro de vigia, só para verificar que tudo corre como planeado, ele é suficientemente ágil para permanecer praticamente invisivel, mas tenho que ter cuidado para que ninguém descubra.

- Sabes uma coisa? - digo enquanto lhe dou uma palmadinha no ombro - Preciso que me faças um favor, mas tens de ser discreto.

- A sério Jane? - os olhos deles brilham de alegria - Eu faço qualquer coisa, basta dizeres!

*************

Anoiteceu mais rapido do que eu contava, estou sentada num ramo de uma das " árvores de aço " á várias horas, distraidamente balanço a minha navalha por entre os dedos, os meus pensamentos estão bem longe, mais propriamente no palácio real, a esta hora, os infiltrados já devem estar quase a assumir os seus postos, o sol põe-se o que dá uma atmosfera quase vermelho sangue á paisagem, só espero que não seja um mau pronúncio, mas uma revolução normalmente requer sacrifícios. Se as coisas correrem bem, daí a pouco o Rafeiro deve conseguir localizar a carrinha do Higgins, e assim que o fizer, irá avisar-me através do walkie talkie que lhe entreguei.

Está a ficar fresco, e por isso resolvo voltar para a sala dos monitores, Ted acena para que eu ocupe a cadeira ao lado dele, verifico as imagens em movimento, á espera do sinal que um dos infiltrados vai enviar, e assim sabermos que a revolução vai começar, o meu coração bate fortemente enquanto pego no radio e nos headphones que estão ao meu lado para alertar a base do inicio das operações.

-Jane ali! - Ted aponta para um dos monitores ao fim de cinco minutos - O sinal foi dado, alerta a base.

-Certo! - nervosamente falo pelo rádio - Casa da árvore, para gruta do dragão... escuto, escuto...temos indicação do sinal, o cavalo de troia vai entrar.

Segundos depois de estática, oiço a resposta do outro lado :

- Daqui gruta do dragão, informação obtida, escuto... que prossigam as operações ... fim da emissão...

Retiro os headphones, e suspiro, Ted olha para mim com ar triunfante, respondo com um pequeno sorriso, mas não me sinto tão optimista como ele, mas neste momento só me resta cruzar os dedos para que tudo se desenrole como queremos.

 

 

 

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publicado às 16:41


Rabiscando no tablet 16#

por Elisabete Pereira, em 04.09.18

Setembro começou, e com ele novos desenhos:

 

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Eu sei que não tenho escrito com tanta regularidade como antes, mas espero que compreendam, e prometo que brevemente vou voltar a escrever no blogue de forma mais regular. 

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publicado às 17:00


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