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Uma Princesa de quatro patas

por Elisabete Pereira, em 28.06.18

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Á poucos meses perdi o meu último gato, o Biscoito (podem ler sobre isso aqui: https://thebookofstories.blogs.sapo.pt/ao-meu-biscoito-4045 ), nessa altura a minha família decidiu que não teríamos mais gatos (porque em menos de três anos perdemos quatro gatos, e custa-nos bastante cada perda de um amigo de quatro patas). No entanto, antes do Biscoito morrer, ele arranjou uma "amiguinha", a "Princesa", que é a gata de uma vizinha e que era quase da mesma idade dele, eles andavam sempre juntos, e por isso ela começou a vir várias vezes ao nosso quintal, curiosamente quando o meu bichinho morreu ela estava ao lado dele a miar muito. A partir daí, ela foi aparecendo cada vez mais por cá, sempre a miar bastante, como se estivesse a chamar o meu Biscoito para irem brincar, e como a vizinha hoje em dia passa mais tempo em casa da filha do que na sua própria casa, devido á sua idade avançada, ela acabou por ir fazendo aos poucos, companhia á minha mãe quando esta estava nas suas lides no quintal, a minha mãe foi-se apegando á gata, e por vezes dava-lhe da ração para gatos que ainda tinhamos, outras vezes dava-lhes espinhas de peixe, e ela foi aparecendo com mais frequência, eu própria fiquei apegada á gata, de inicio ela era um bocadinho desconfiada da minha presença, o que é normal, pois eu estava poucas vezes em casa, foi durante as minhas férias que ela se aproximou de mim, e hoje em dia, basta eu chamar por ela, que em dois tempos está ao pé de mim, ela é super meiguinha. Entretanto ela deu á luz, e tempos mais tarde, vi que um dos gatinhos era parecido com o Biscoito, será filho dele? Não se sabe, até porque por aqui há bastantes gatos, e na altura em que as gatas estão no cio, até parece que saem gatos debaixo de pedras e tudo. Nenhum animal substitui outro, mas ajuda a amaciar a saudade e aquece-nos o coração. 

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publicado às 21:06


Uma história ainda sem titulo (parte 8)

por Elisabete Pereira, em 27.06.18

Capítulo 8

 

Charlotte

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O pó entranhou-se em todo o lado, por mais vezes que eu limpe, o sotão ganha rapidamente uma nova camada de pó e teias de aranha surgem espontaneamente, é uma tarefa da qual já deveria ter desistido, mas que no entanto, me consegue manter ocupada, a ideia de tornar este espaço num estúdio de pintura, está a dar mais trabalho do que imaginava, eu sempre adorei pintar, e este espaço tem uma luz natural muito boa, parecia uma boa ideia. Dou uma trégua aos panos e á esfregona, para observar a aldeia ao longe através da janela, neste momento a minha mãe deve estar a dar mais uma das suas consultas lá, ela conseguiu arranjar uma velha bicicleta que estava esquecida algures num canto deste castelo, e com a ajuda de Nick, ela conseguiu pôr aquela sucata a andar, para se deslocar até á aldeia, infelizmente os aldeões têm pouco dinheiro, e por norma pagam em géneros alimentares, se fosse noutros tempos eu iria sentir-me indignada pela minha mãe se sujeitar a tão pouco, mas os tempos são outros, e tudo o que vier é bem vindo, pelo menos não passamos fome . De repente o silêncio é quebrado por um buzinar de um carro, será algum condutor perdido por estas bandas?Desço para ver o que se passa, quando a meio do caminho cruzo-me com Nick que traz uma mala de ferramentas na mão, deve tir ido arranjar mais alguma coisa neste amontoado de pedras a que chamam de castelo, de repente ele pára e olha para mim, e para meu espanto, desata a rir, fico chocada com a atitude dele, mas depois noto o porquê de ele se rir de mim, ao ver o meu reflexo numa janela, noto que estou repleta de pó e teias de aranha, e parte dos meus cabelos saiu fora do lenço que eu havia colocado na cabeça para proteger do pó, estou assustadora. Corro imediatamente para o meu quarto, cheia de vergonha do meu aspecto e para me arrumar devidamente, quando Eleanor bate á porta:
-Menina está aqui um advogado que quer falar com a sua mãe. - fico tensa de imediato, será que ele traz alguma novidade sobre o meu pai? - Quer que eu lhe peça para aguardar?
- Sim - digo enquanto enfio um vestido á pressa, e apanho o cabelo num rabo de cavalo - Diz-lhe para aguardar, que eu vou já falar com ele.

- Com certeza menina.

Num ápice chego á sala de estar, onde o advogado do meu pai se encontra sentado num sofá a observar a pintura de uma antepassada minha na parede em frente dele, a figura algo curvada e careca, segura uma pasta nas mãos:

-A minha tia avó Enid, era uma mulher lindissima - digo enquanto eu própria observo o quadro - Infelizmente morreu demasiado jovem, uma tragédia terrível, foi atacada subitamente por um vírus que a matou em pouco tempo, o seu noivo enlouqueceu e enforcou-se pouco depois.
-Era uma jovem extraordináriamente bela, não há dúvida, mas a menina Halle não lhe fica atrás. Como vai? - diz o advogado enquanto me cumprimenta com um aperto de mão, algo bajulador para o meu gosto - Desculpe vir incomodar, mas trago novidades sobre o processo e gostaria de falar com a sua mãe.

-Infelizmente ela não está, e ainda vai demorar, mas pode transmitir-me as novidades, ou esperar por ela, mas asseguro-lhe que ela ainda vai demorar cerca duas horas a voltar. Desculpe os meus modos, quase me esquecia, vai desejar tomar algo? A Eleanor pode trazer um café, ou um sumo natural.

-Obrigado, aceito um café com todo o gosto.

Chamo Eleanor, que rapidamente traz uma bandeja com café e bicoitos caseiros, e serve uma chavena de café para mim  e outra para o advogado, durante uns minutos ficamos ambos em silêncio.

-Bom, o café estava excelente, mas infelizmente não tenho tempo para esperar pela sua mãe - diz enquanto pousa a chavena vazia e se serve de alguns biscoitos - por isso se não se importa, vou direto ao assunto, até porque não posso me demorar muito, o caminho para cá foi mais complicado do que eu pensava e tenho outros assuntos pendentes para tratar, mas enfim....Como o seu pai está numa situação muito dificil, neste momento ele só tem uma saída. 

-E qual é?
-Afirmar que sofreu de insanidade temporária...
-O meu pai não é maluco!- digo indignada.
-Oiça menina, é a única saida que ele tem, se ele afirmar isso será transferido para o hospital psiquiátrico de imediato, e assim ganhamos tempo para melhorar a sua defesa.
-Mas...
-Eu compreendo que seja difícil aceitar, até porque está em causa o o bom nome da sua familia, mas sabe, eu sou advogado há muito tempo, mais do que a menina tem de vida, e já vi muito, já defendi muita gente, culpados e inocentes, e posso lhe assegurar, que o seu pai atingiu o rei com a espada, não sei o porquê do motivo, mas ele fez isso, e a acusação também o sabe, por isso cabe-me defender o meu cliente da melhor forma possível, e esta é a a única jogada que irá salvar o seu pai da pena de morte.
Afundo no sofá ao meu lado e ponho as mãos na cabeça, o meu pai a ser dado como louco é uma verdadeira humilhação para o nosso nome, além disso isso significa que as minhas hipóteses em reconquistar Peter estão a ir por água abaixo. 

-Lamento menina, mas é o único caminho. Bem, se me dá licença, ainda tenho um longo caminho a fazer. - diz enquanto me entrega uns documentos, imagino que seja uma cópia do processo do meu pai. 

-Claro - digo em voz quase sumida - a Eleanor acompanha-o á porta.

Oiço os passos deles a afastarem-se, e pouco depois o barulho da porta de entrada a ser fechada, Eleanor rapidamente chega á minha beira.

-Menina...

-Eleanor, peço-te que não fales com ninguém sobre o que aconteceu aqui.

-Mas...

-A ninguém!! -grito fazendo-a dar um salto de susto.

-Sim menina, se é o que deseja.

-Óptimo, podes sair e ir fazer as tuas coisas, já não preciso de ti.

-Com certeza .- diz enquanto coloca as chavenas vazias na bandeja e as leva para a cozinha.

Fico parada no mesmo lugar durante um bom tempo, até que oiço a voz da minha mãe:

-Hoje o dia foi bem produtivo, não temos dinheiro, mas temos legumes frescos e ovos caseiros. - diz ela alegremente enquanto coloca uma enorme cesta á minha frente, e só depois é que repara em mim - Então Charlotte,o que se passa? Não me digas que voltaste a encontrar mais um rato no sotão.

-É pior do que isso, o advogado do pai esteve cá, e disse que a única forma de ele se safar é se declarar que sofreu de insanidade temporária.

-Se é a única forma de salvar o teu pai, o melhor é aceitar.

-O quê?! Não percebes? Isto é uma tragédia, uma nódoa terrível no nome da família, agora é que o Peter não vai querer voltar a olhar para mim!

-Querida, por vezes a melhor maneira de resolver as coisas não é exactamente as que idealizamos.- diz enquanto afaga o meu cabelo - A vida do teu pai é mais importante do que tudo o resto.

Afasto-a de forma brusca, e levanto-me do sofá rapidamente, ela não compreende o que tudo isto pode implicar para mim.

-Charlotte...- diz ela, mas eu não respondo, estou com demasiada raiva-...filha...

-Eu não sou tua filha!!! - grito-lhe de volta, mas arrependo-me logo- ....eu...não era isso o que eu queria dizer...

-Eu vou levar isto á Eleanor, acho que ainda deve sobrar alguma coisa para comermos durante uns dias, mas tenho de pedir ao Nick a ver se ele concerta o frigorifico - ela pega na cesta e rapidamente abandona a sala.

Sei que a magoei de várias maneiras, por vezes sou tão estupida! A minha mãe sempre foi a minha melhor amiga, como a pude magoar tanto? Arrependo-me amargamente do que disse, mas já não dá para desfazer aquilo que foi dito. Eu sempre tive uma grande admiração pelo meu pai, mas também sei dos terriveis segredos que ele esconde da sociedade, apesar da aparência perfeita da nossa familia, aliás, eu sou a maior prova desses deslizes da parte dele.

**********

O jantar foi bastante silencioso, depois do que disse à tarde fui incapaz de dizer uma palavra de jeito durante todo o jantar, a minha mãe também não falou muito, apenas o essencial, e rapidamente foi para o quarto dela.

Mais tarde o sentimento de culpa fez com que eu fosse ter com ela, mas também entender melhor sobre o meu passado, eu nunca abordei muito a minha mãe sobre isso, e a discussão de hoje fez aumentar a minha curiosidade. Mas claro, para isso, tenho de lhe levar aquilo que é o seu ponto fraco, chocolate quente.

- Podes entrar Charlotte. - diz a minha mãe em resposta mal bato á porta do seu quarto - Desde que tragas chocolate quente, claro.

Sorrio, e entro de imediato, o quarto dela é dos mais bonitos do castelo, e o mais bem conservado, a cama enorme de dossel é algo de se fazer inveja, até na nossa antiga casa não tinha nenhuma cama tão bonita, transporto duas canecas vazias numa mão e um termo com chocolate quente na outra, ela vem ter comigo e pega numa das canecas e no termo enchendo logo em seguida a sua caneca com o líquido fumegante e sentado-se numa cadeira, eu pego e faço mesmo mas sento-me na cama dela, brinco com um dos buracos da colcha com a mão livre, não é facil para mim perguntar sobre isto, porque não sei como a minha mãe iria reagir, mas é algo que eu tenho de lhe perguntar, embora não tenha coragem de o fazer:

-É bom de vez em quando podermos ter estes pequenos luxos - diz ela enquanto sente o cheiro do chocolate na sua caneca - não sei por quanto tempo ainda teremos dinheiro para estas coisas, vou ter de concentrar o pouco que temos no essencial.

-Eu posso trabalhar - mas já sei qual é a resposta dela a isso- posso ensinar na aldeia as crianças a tocar algum instrumento ou algo do género, ou...

-Charlotte, isso está fora de questão, sabes bem qual é a minha opinião sobre isso.

-Ok, ok. E alugar uma parte do castelo? Sempre entrava mais algum dinheiro, isto tem tantos quartos.

-Pois mas para isso era necessário restaurar o castelo, e para isso é necessário dinheiro, coisa que neste momento pouco temos. De qualquer forma não quero neste momento falar de dinheiro, vamos mudar de assunto? Como têm andado as coisas por cá?

-Nada de especial, o Nick passa o dia a concertar coisas sem concerto possivel, e eu ando a ver se consigo dar uso áquele sotão imundo, mas sem sucesso. Tirando a Eleanor, que cozinha maravilhosamente, mesmo com poucos ingredientes.

-Sempre te decidiste voltar a pintar? -pergunta a minha mãe com um brilho nos olhos - pensei que era apenas um ato de teimosia da tua parte.

-De inicio era, - digo com sinceridade - mas agora penso que seria boa ideia voltar a pintar.

- O teu avô iria gostar muito - diz ela com a voz um pouco embargada de emoção - vocês eram os melhores companheiros de pintura.

Sorrio com a recordação de infância que surge na minha mente eu e o meu avô a pintarmos a paisagem de um lago que ficava próximo da casa dele, eu comecei a pintar muito nova, o meu avô materno era um pintor exímio, e para além da loja de artigos eletrónicos, ele por vezes era convidado para fazer exposições de pintura na cidade onde vivia, eu comecei a imita-lo e com o tempo fui também adquirindo o gosto pela pintura, eu pintava sempre com o meu avô ao lado, foi o melhor mestre que podia ter, até que ele faleceu, tinha eu 15 anos, e a partir daí abandonei a pintura.

-Mãe posso fazer-te uma pergunta? - pretendo mudar de assunto, não me quero recordar da perda do meu avô, e também porque o motivo que me levou a ter com ela é outro - Porque ainda continuas casada com o pai? E eu, porque me aceitaste? 

-Ah, porque me casei com o teu pai?...essa é uma boa questão. Quando me casei com o teu pai, eu era muito nova, muito ingénua, ainda era estagiária no Hospital, ele no entanto, já era um homem feito, afinal temos quase dez anos de diferença,era um homem com um grande carisma, e charme. Fiquei logo fascinada por aquele homem misterioso. É engraçado, mas, a minha mãe na altura tentou travar o nosso namoro dizia que ele era como "um poço sem fundo", que assim que eu me atirasse nunca mais iria conseguir sair, palavras sábias as dela. Só que na altura eu não quis saber, achava que era excesso de protecção da parte dela. Entretanto casamos, e mais tarde, sofri um duro golpe em saber que não podia ter filhos, e foi pouco depois que descobri que ele me traia, só que eu sentia que ele fazia isso por culpa minha, como eu não podia ter filhos, ele procurava outras mulheres. Até que um dia apareceu á porta de nossa casa uma rapariga com pouco mais de 18-19 anos, ela tinha a roupa muito estragada e um ar de quem não se alimentava como deve ser há algum tempo, e nesse momento reparei também que ela trazia nos braços algo envolto em trapos, quando me aproximei vi que era uma bebé de poucas semanas, ela disse que a bebé era filha dela e do teu pai, mas que ela não tinha como manter a criança e por isso veio entregar ao pai, confesso que quando vi aquela bebé a senti de imediato como filha, nunca senti nenhum género de repulsa ou raiva, tomei a decisão naquela hora, de ficar com a bebé, e assim, dei algum dinheiro há rapariga para que ela fosse recomeçar a sua vida noutro lado, e fiquei com a bebé. O resto da história já tu a conheces. 

Escuto-a em silêncio enquanto bebo o meu chocolate quente, e reflicto no que ela acabou de dizer:

- E o pai, como ele reagiu a isso?

- Ele não ficou muito feliz na altura, mas depois percebeu que isso iria calar muitas vozes e boatos dos que nos criticavam na época por ainda não termos filhos.

-E mesmo assim depois de tudo, ainda continuas casada com ele? 

-Sabes, ao fim de um tempo, as coisas...a vida encaixa-se de um jeito estranho...eu habituei-me a estar casada com o teu pai...não me iria habituar a uma vida sem ele, sabes, no fundo acho que nem eu própria sei explicar o porquê. 

-Hum, entendo. E aquela mulher...a minha...a..

-A tua mãe biológica? Nunca mais ouvi falar dela. Mas gostavas de a conhecer?

-Não, não é isso, mas era bom saber que ela alguma vez se tenha preocupado comigo, se quis saber como eu estava, sei lá...

-O facto de ela te ter deixado comigo já prova que ela se preocupava contigo, ela soube que ficaste em boas mãos.

-Talvez. Bem, não te vou maçar mais- pego na minha caneca vazia e na dela- vou levar isto para a cozinha e vou-me deitar em seguida. Até amanhã mãe.

-Dorme bem querida - a minha mãe beija-me a testa- e não fiques a pensar demasiado em coisas que não valem a pena.

***********

Vou pelo corredor na penumbra da noite, as janelas altas absorvem a luz da lua, e os meus pensamentos estão longe, como será a minha mãe biológica? Ainda é viva? Terei irmãos? Uma violenta dor de cabeça desperta-me para a realidade, bati contra alguma coisa, depois percebo que não é uma coisa quando oiço a praguejar:

-Não sabes ter cuidado por onde andas?- Nick esfrega o ombro no local onde eu embati contra ele - Lá porque és magra, não quer dizer que não magoe á mesma.

-Uau! Que cavalheiro! - digo sarcástica - sempre com um comentário apropriado.

-A princesa quer que eu lhe faça uma vénia é?! - responde ele com uma venia grosseira- Esqueci que o mundo gira á sua volta.

-Não, não gira. Mas adiante, por acaso eu até precisava de falar contigo.

-Sobre?-ele franze a testa desconfiado- Se é para eu te ajudar naquele sotão, esquece, tu é que te meteste nisso. 

-Não é nada disso! - digo de forma impaciente - Ouvi o teu tio a dizer que estavas a estudar advocacia, é verdade?

-É sim, porquê?

-Porque preciso de um favor teu, vou só buscar uns documentos ao meu quarto e venho já. 

Entrego-lhe as canecas vazias, e vou a correr até ao meu quarto. Não sei porquê mas fiquei com a impressão de que o advogado do meu pai estava a ocultar alguma coisa, e por isso preciso de uma segunda opinião sobre o processo. Algures dentro de mim acende-se uma pequena luz de esperança. 

 

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publicado às 21:48


Uma história ainda sem título (parte7)

por Elisabete Pereira, em 23.06.18

Capitulo 7

 

Lucy 

 

Algures durante o meu sonho sinto uma enorme falta de ar, e quando acordo, noto que não é um sonho, mas que alguém aperta o meu pescoço com muita força , sinto as mãos da pessoa a estrangularem cada vez mais, tento em vão gritar, mas não sai nenhum som, debato-me contra quem me está a atacar, mas é mais forte do que eu , é impossivel soltar-me, nesse momento penso que vou morrer, não tenho hipóteses, acabo por perder os sentidos pouco depois de ouvir alguém a gritar algo, e de repente tudo ficou negro. Oiço alguém a chamar ao longe pelo meu nome, será um sonho? Será que morri? Abro os olhos lentamente e dou de caras com o do principe Peter a olhar para mim, parece preocupado, o que me deixou algo surpreendida:

-Está tudo bem consigo? Quer ir até á enfermaria? -diz ele enquanto me observa com cuidado, nesse momento noto que estou ao colo dele, o que me faz corar- Se quiser eu levo-a até lá.

-Hum...eu, acho que ...- digo, antes de ver que atrás do principe, três seguranças agarravam firmemente o principe Noah que se debatia furiosamente. - Não é necessário, estou bem.

-Tem a certeza?! Deveria pelo menos ser observada por um médico, eu chamo o medico do palácio para a atender aqui se quiser, o Dr Simons pode observa-la...

-Não é preciso,eu estou bem.

Durante uns segundos o principe observa-me sem dizer nada, de seguida coloca-me na minha cama, e fica ao meu lado, de repente um dos seguranças chama por ele:

-Alteza, o principe Noah já acalmou, quer que o levemos para o aposento dele?

-Sim, e certifiquem-se de que desta vez o quarto fica devidamente trancado.

-Sim senhor.-respondeu o segurança e rapidamente pega no principe Noah ao colo, que agora estava completamente quieto, e leva-o para fora do meu quarto, os outros dois seguranças vão tambem embora de seguida.

-Peço imensa desculpa por isto...o meu irmão...ele não é mau, só que...

-Ia-me matando!!!-  digo recuperando o meu mau humor- peço imensa desculpa, mas o seu irmão é um perigo ambulante!

-Tem toda a razão, e tem todos os motivos para estar zangada, mas infelizmente houve uma falha de segurança...

-Outra falha em menos de 24 horas! Acho que precisa de repensar os procedimentos de segurança do seu irmão, porque obviamente não estão a funcionar!

-Eu entendo a sua revolta, mas não precisa de ser desagradável! 

-Desagradável?! Eu tive alguém no meu quarto a tentar matar-me!

-Desculpe, mas isso não teria acontecido se tivesse trancado o seu quarto, a porta estava praticamente escancarada e ele entrou, a sua sorte é que eu o vi a seguir por este corredor... - e olhando á sua volta, perguntou perplexo -Onde está a sua criada?

-Dispensei-a - respondi sem rodeios  - Em casa sempre me vesti sozinha, não preciso de Amas para tratarem de mim.

-Eu vi logo - ele diz enquanto passa a mão pelo cabelo - as criadas sabem que devem manter as portas sempre trancadas, e que devem dormir no quarto da candidata em questão, elas têm inclusive formação em defesa pessoal, e você acabou por se expôr demais, não estou a tirar as culpas do sucedido, mas você também facilitou...foi muita imprudência da sua parte, poderia ter ocorrido uma tragédia.

Honestamente, já não me estava a agradar o rumo que a conversa estava a seguir, parecia que ele me estava a querer dar um sermão, e por isso decidi pôr um ponto final no assunto:

-Muito bem, se é tudo pode sair, não estou para sermões.

-Está a expulsar-me de uma divisão da minha casa?

-Pode ser a sua casa, mas de momento este é o meu quarto e tenho direito á minha privacidade, portanto, peço-lhe educadamente para que saia.

-Se é o que quer - diz ele encolhendo os ombros e levantando-se rapidamente do meu lado, parecia ter ficado magoado, mas acho que é só impressão minha- Não a incomodo mais.

Assim que ele saiu levantei-me da cama e fui até ao espelho da cômoda e vejo as marcas no meu pescoço a adquirirem aos poucos um tom arroxeado, duvido que desapareçam rapidamente e por isso amanhã terei de vestir algo que tape os vestigios do que aconteceu á pouco, vou até ao meu roupeiro ver se encontro algo do género, mas sem sucesso, todos os meus vestidos são têm algum yipo de decote, nenhum tapa o pescoço, a dada altura oiço um bater á porta do meu quarto, meia apreensiva autorizo a pessoa a entrar, Claire surge no meu quarto de forma quase silenciosa e vem ter comigo dizendo:

-O principe Peter pediu para que eu viesse e...-ela interrompe o seu discurso quando vê o meu pescoço e coloca as mãos na boca em sinal de choque, mas logo se recompõe -Temos de ocultar isso, ou vai haver demasiadas perguntas.

-Já tentei ver se arranjava algo que possa esconder isto, e não encontro um vestido que me tape o pescoço.

-Não precisa ser um vestido, basta um lenço ou echarpe... - mas ao ver que eu torcia o nariz parente estas sugestões , emendou - ...ou basta colocar um pouco de maquilhagem que disfarça perfeitamente.

-É uma boa ideia, embora eu não perceba nada de maquilhagem.

-Mas percebou eu, se a menina não se importar eu trato disso.

-Não me importo nada, até agradeço.

Ela sorriu e pegou em vários frascos que estavam na minha cômoda e que eu nunca havia usado, e começou a tapar as marcas no meu pescoço, passado menos de cinco minutos finalizou o trabalho e quando voltei a encarar o espelho as marcas tinham sumido.

-Amanhã posso fazer o mesmo, até porque me parece que os hematomas vão demorar um pouco a desaparecer.

-Obrigada - digo com um sorriso- desculpa por aquilo de ontem.

-Tudo bem - respondeu ela enquanto procurava algo na minha cômoda - mas já agora, se me permite o reparo, tenho notado que o seu cabelo está um bocado estragado, e precisa de ser cortado.

-Hã?!- Seguro na minha enorme trança e olho para as pontas, mentalmente concordo com ela, parte do cabelo está bastante estragado- Bem...talvez precise de uma aparadela.

-Aparadela? - diz ela olhando para mim e franzindo a testa - no minimo precisa de ser cortado pela metade, mas se quer a minha opinião seria melhor cortar pelo pescoço, dava-lhe um ar menos pesado e mais jovem.

-E sabes cortar cabelos?- digo receosa enquanto a vejo a pegar numa tesoura e numa escova- é que não me apetece ficar com um desastre capilar neste momento.

-Claro que sei!!- diz ela depois de colocar uma toalha á minha volta de modo a impedir que os cabelos cortados caiam na minha roupa e desfazendo a seguir a minha trança- eu cortava o cabelo dos meus irmãos muitas vezes.

-Ah... sendo assim...- mas mesmo assim não estou muito confiante do resultado e por isso fecho os olhos - faz a tua magia.

À minha volta oiço o som metálico da tesoura, Claire inicialmente dá cortes mais vigorosos e rápidos, mas depois os cortes tornam-se mais lentos e precisos, até que por fim declara triunfante:

-Terminei!

Abro os olhos e lentamente espreito o meu reflexo, antes de abrir a minha boca de espanto, eu não me lembro de me ver com o cabelo tão curto, as pontas perfeitamente cortadas dançam no meu pescoço enquanto mexo a cabeça, o cabelo foi cortado em camadas o que o tornou bastante mais leve, pareço outra pessoa.

-E então? - pergunta ela na expectativa da minha reação - Gostou do resultado?

-Sim, muito. - respondo enquanto me levanto e tiro a toalha -Já valeu a pena ter vindo para cá, nem que seja apenas por causa do cabelo.

Ambas rimos , e por fim ajudei-a a varrer os cabelos do chão, embora ela tivessa protestado um pouco.

 Então lembrei-me de lhe perguntar:

-Claire, tu sabes quem me fez isto, não é verdade?

Ela não responde, apenas baixa o olhar e continua a varrer, o que me leva a crer que sabe perfeitamente.

-As outras criadas também...

-Todas, menina. - ela interrompe-me a pergunta - Todas sabem sobre a condição do príncipe Noah.

Terminamos o resto da tarefa em silêncio, e no final ela ajudou-me a trocar de roupa para me deitar. Mas os meus pensamentos não me queriam deixar dormir, imagino a quantidade de segredos que as criadas ocultam, e sinto uma imensa pena por elas, autênticos seres invisiveis, que são obrigadas a esconder coisas que não lhes pertencem.

 

****************

 

A manhã do dia seguinte trouxe uma surpresa, o principe Peter surgiu no salão de refeições enquanto tomavamos o pequeno almoço, o que fez com que algumas raparigas soltassem gritinhos de excitação, foi uma visita rápida e sem grande história, mas que serviu para acalmar os ânimos:

-Senhoras, podem continuar a tomar o pequeno-almoço á vontade, vim apenas dar-vos as boas vindas ao Palácio, e desejar que a vossa estadia seja o mais agradável possivel- ele olha brevemente para mim, mas eu prefiro concentra-me nos meus cereais- e pedir desculpa por não ter aparecido mais cedo, não é de bom tom deixar tão distintas damas sem nenhum dos anfitriões darem as boas vindas, espero que perdoem esta falha.

Todas as raparigas batem palmas,mas eu prefiro manter-me na minha, e por fim o principe retira-se

-Oh, ele é tão lindo, e um verdadeiro cavalheiro- responde uma rapariga próxima de mim chamada Kate - Acho que estou apaixonada.

As outras raparigas á sua volta concordam com ela, e rapidamente um burburinho de vozes discute alegremente a súbita aparição do principe, aproveito essa altura para pegar numas quantas torradas, embrulho-as num guardanapo e dirijo-me ao quarto de Violett, bato á porta, e a criada dela abre uma fresta da porta para ver quem é, rapidamente ela indica-me para entrar, e vejo Violett dar os últimos retoques num vestido colocado num manequim.

-O que achas? -pergunta ela aproximando-se de mim - não está um pouco exagerado?

-É o vestido para a cerimónia de recepção?

-Não, esse está bem guardado até porque ainda preciso de melhorar umas coisas, este é um vestido menos formal e mais leve, é mais para ser usado num dia de Verão, o vestido da cerimónia apenas vais ver no próprio dia, vais ver, mas posso adiantar que me esmerei bastante.

Aproximo-me do manequim e observo com maior atenção o vestido lilás, desde o decote em barco, ás mangas curtas, é um vestido não muito comprido e bastante simples, mas não deixa de ser elegante.

-Está óptimo! - e nisto entrego-lhe as torradas no guardanapo- Vê se comes alguma coisa antes da aula.

-Obrigada.- diz ela enquanto come as torradas alegremente- Ás vezes fico tão absorta no trabalho que esqueço-me de comer.

 

*********

 

O dia da cerimónia chegou a correr, nunca me senti tão nervosa na vida, saber que vou aparecer perante o o reino inteiro deixa-me agoniada, o palácio está em polvorosa, as pessoas correm de um lado para o outro para deixar as coisas prontas para a emissão em directo.

A noite chega rapidamente, e as candidatas estão reunidas numa sala lateral, só iremos aparecer após o discurso da rainha que na ausência do rei , é agora a regente do reino, na sala existe uma televisão onde poderemos ver o discurso da rainha, o burburinho termina quando a televisão exibe a bandeira de Eran, e logo após surge a rainha em grande plano, e os filhos logo ao lado dela. Verdade seja dita, ela está magnifica, foi mestre em conseguir um figurino que demonstra força, poder e elegância ao mesmo tempo, o vestido comprido e escuro dá-lhe um ar sofisticado, o cabelo está preso num coque, o que dá maior destaque á sua coroa, o seu semblante é serio, mas não retira a sua beleza, e rapidamente inicia o seu discurso:

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-Povo de Eran, recentemente sofremos um duro golpe na nossa essência, o nosso amado rei foi vitima de um vil golpe de traição, mas alegra-me poder dar-vos a notícia de que o rei se encontra livre de perigo e que brevemente irá voltar a reunir-se com o seu povo. - Há de imediato, um aplauso geral na sala onde nos encontramos , uma ou duas raparigas inclusive têm os olhos marejados de lágrimas - Mas até lá, eu irei dar o melhor de mim, para poder continuar com a harmonia do nosso reino. Além disso, devido a circunstâncias inesperadas, iniciamos um novo rumo, e por isso novas convidadas habitam o palácio por estes dias, uma delas será um dia rainha de Eran, e por isso desejo de todo o coração a todas elas o melhor e que possam desfrutar de uma experiência única na vida delas, resta-me como rainha, mas sobretudo como mãe, apoiar o meu filho na sua decisão.

Ela troca um breve olhar para com o seu filho mais velho e sorri levemente e este, por sua vez, retribui o gesto com um educado acenar de cabeça, então, nesse momento ele surge ao lado da mãe, noto que o principe usa um traje cerimonial semelhante ás altas patentes do exercito do nosso reino, com várias medalhas ao peito, duvido que ele alguma vez tenha estado na frente de batalha e essa constatação faz-me sentir mais irritada com ele. Tracy e Andrea, os apresentadores mais famosos de Eran, surgem no ecrã da televisão, usando roupas a combinar, de um tecido tão brilhante que parecem transportar o sol.

-Que discurso tão comovente vossa majestade! - diz Andrea enquanto faz uma pequena reverência á rainha - tenho a certeza de que todos estão unidos em desejar as rápidas melhoras do nosso amado rei.

-É verdade Andrea, todos estamos unidos neste momento tão dificil- responde Tracy- mas não podemos esquecer o motivo que nos trouxe hoje aqui, dentro de momentos surgirá por aquela porta, trinta escolhidas do nosso reino e que uma delas será a futura esposa do principe herdeiro e futura rainha. Trinta filhas de Eran foram escolhidas para a difícil tarefa de ser a escolhida do principe e nós vamos acompanhar todo o processo. E sem mais demoras, que entrem as candidatas. 

Entramos no salão principal em fila e ficamos de frente para as câmaras, Andrea de microfone em punho perguntou a todas nós o nosso nome e a região de onde vinhamos. No fim Tracy entregou o microfone ao principe e este iniciou um pequeno discurso:

- Antes de mais, gostaria de agradecer a todas as jovens aqui presentes por confiarem o seu destino numa causa tão nobre, e por permitirem a oportunidade de as pessoas de Eran poderem acompanhar a sua vida no palácio. Prometo que a seleção correrá da melhor forma e que as que ficarem pelo caminho não ficarão desamparadas. Desejo a todas o melhor, e que prometo perante o reino inteiro, respeitar todas as candidatas e a sua vontade.

Há um aplauso geral, e mais uma vez, noto o principe Peter olhar para mim, mas, mais uma vez, decido manter a minha atenção a ajeitar o vestido.

Tracy e Andrea aproveitam para fazer perguntas aleatórias ás candidatas,e a dada altura, Tracy para á minha frente e exclama :

- Lindo vestido, não sabia que as costureiras do palácio eram tão prendadas!- depois ele pega gentilmente na minha mão e me conduz para fora da fila - este vestido merece um destaque especial, é no mínimo magnífico, não se importa de dar uma voltinha?

Bastante envergonhada, dou uma volta sobre mim mesma, mas ele tem razão, Violett esmerou-se no vestido, é um vestido azul escuro comprido, com pequenas pedras incrustradas, o que lhe confere o aspecto de uma noite estrelada, o decote em coração realça o meu busto, além disso o próprio vestido dá-me um porte diferente, mas o facto de ter o cabelo mais curto e joias a ornamentar o meu pescoço também ajuda.

-Na verdade foi Violett quem o fez- digo enquanto aponto para ela- É uma das candidatas e um verdadeiro talento.

-Sem dúvida!- diz Andrea, dando agora atenção para Violett- Posso lhe perguntar porque preferiu fazer um vestido para outra candidata e não para si?

-Lucy tem uma figura mais elegante do que a minha- diz ela num completo á vontade para com Andrea- Se eu usasse aquele vestido o resultado não seria o mesmo, não iria conseguir realçar o vestido como gostaria, além disso eu gosto de ver os outros a usarem as minhas peças.

- Mas não se preocupa de que isso possa retirar a atenção do principe de si?

- Não me parece que seja um vestido a tirar a atenção do principe, até porque não acredito que ele seja superficial a esse ponto. - Diz ela piscando o olho a Andrea - Mas já que gostou tanto do vestido, se quiser eu propria lhe faço um semelhante aquele.

- Quem sabe um dia.- respondeu ela sorrindo - Podemos neste momento estar perante uma futura estilista de renome, ou rainha de Eran, só o futuro o poderá dizer, mas de qualquer forma julgo que ainda iremos ouvir falar bastante desta jovem, parabéns pelo seu talento.

Tracy então aproveita para terminar o programa :

-E assim terminamos por hoje a nossa emissão, esperemos que tenham gostado. Amanhã voltaremos com novos desenvolvimentos e novidades sobre a seleção - e piscando o olho para a câmara, acrescenta- Não deixem de acompanhar o nosso programa, uma boa noite, e até amanhã!

Mal as câmaras se desligaram, a familia real desapareceu de vista, e nós decidimos fazer o mesmo. Respiro de alivio, consegui sobreviver a esta noite, agora só falta sobreviver ao resto que vier.

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publicado às 11:18

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Nos últimos tempos, por vários motivos tenho andado um pouco a mil á hora, e eu por vezes, confesso, sou um pouco desleixada com a minha saúde, (esqueço-me de que quando era miúda andava constantemente doente, e que a minha saude hoje em dia está bem, mas que preciso de ter um certo cuidado, porque volta e meia fico novamente doente) e na minha cabeça pequenina, penso que o que quer que seja, que passa num instante, ou basta tomar um anti-inflamatório que logo desaparece...mas não é bem assim, e a provar isso, foi o que me aconteceu estes dias, em que comecei a sentir vertigens, náuseas, dor de cabeça, etc...e já não é a primeira vez que me acontece, mas das outras vezes deixei andar, e desta vez como os sintomas não desapareciam com anti-inflamatórios , decidi ir ao médico para saber o que é que se passava comigo. O diagnóstico não foi conclusivo, sei apenas que isto é um sindrome vertiginoso, mas isso é muito vago, podem ser várias coisas, mas para já o medico mandou-me tomar medicação para ver se os sintomas melhoram e descansar bastante, portanto neste momento estou a "sopas e descanso". Agora, quer queira ou não, vou ter que abrandar o ritmo, porque o corpo assim o pede.

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publicado às 10:45


Rabiscando no tablet 12#

por Elisabete Pereira, em 18.06.18

Ora, mais uma semana e mais uma nova rodada de desenhos 

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E pronto, pra semana há mais.

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publicado às 18:43

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Eu sou um pouco aquele tipo de pessoa que tem bichinhos carpinteiros, porque estou sempre em busca de novos desafios e coisas originais ( mesmo que seja apenas na minha mente) , e o facto de ter ido para o curso de Animação Socio-Cultural, fez florescer a minha criatividade, porque faziamos objectos e coisas que estavam relacionadas com o nosso curso (pintar telas, fazer máscaras, fazer porta-chaves em feltro, fazer roupa para pequenos espantalhos que em vez de palha, usávamos jornal enrolado...) nessa altura veio-me á ideia de que um dia eu gostaria de trabalhar com algo relacionado a criar e vender coisas feitas por mim, mas foi apenas uma ideia, e aquilo ficou adormecido. Entretanto terminei o curso e anos mais tarde, durante o tempo em que estava desempregada comecei a pintar umas telas com café solúvel para vender...mas a verdade é que nunca as consegui vender, tentei nos sites de venda, e por lá andaram bom tempo, mas ninguém lhes pegava, ver até viam, mas ninguém se chegava á frente...e as telas ficaram esquecidas num canto, até que um dia lembrei que o Facebook tem a possibilidade de criarmos uma loja on-line, e foi o que fiz, o pior foi arranjar um nome, e por isso arranjei algo temporário, mas o entusiasmo depressa resvalou, e num dia de frustração minha pensei: "Rai's-me a parta! Ninguém quer comprar as minhas telas, será que eu pinto mal? Não tenho sorte nenhuma..."telas pra que te quero!" E foi aí que encontrei o nome para a minha, digamos, "loja", agora vamos ver no que vai dar, mas em princípio irá ter outras coisas para além das telas, mas para já como não tenho muito tempo livre começo por aí (no inicio de Janeiro lembrei de começar no ponto de cruz, mas isso no entanto tem estado meio em stand by, porque não pensei nisso quando estava desempregada...)

Partilho aqui o meu link e se puderem partilhem o meu novo projecto.

 

https://www.facebook.com/Telas-pra-que-te-quero-170735273585365/

 

Divulguem, divulguem

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publicado às 18:04


Uma história ainda sem titulo (parte6)

por Elisabete Pereira, em 10.06.18

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 Capítulo 6

Lucy

 

Mexo-me com desconforto na cadeira, e agora?! Se digo que o livro é meu posso ser expulsa de imediato, mas se digo que não é meu, ele apanha-me na mentira,por isso prefiro manter-me na defensiva:

-O que o leva a pensar que o livro é meu?

-Talvez por causa disto - diz ele com um pequeno sorriso enquanto folheava o livro e me mostrava o carimbo da biblioteca de Green bay - imagino que seja a única candidata dessa região.

-Sim é verdade, mas eu posso explicar tudo, eu não roubei o livro...eu...eu...

-Não tem de se justificar - diz ele com um aceno - não estou aqui para a condenar por causa de um livro "emprestado" da biblioteca, o meu motivo de a ter chamado aqui é outro, tem a ver com o que viu ontem á noite no jardim.

-Hum, desculpe...eu não tinha intenção de o fazer...mas...

-A culpa não é sua, a verdade é que houve uma quebra de segurança, e o meu irmão conseguiu fugir para o jardim...ele tem um problema de saúde ainda desconhecido, mas que basicamente por vezes o faz perder o controlo do próprio corpo e por isso tem de ser constantemente vigiado de perto, pode tornar-se perigoso para si mesmo...ou para os outros. Por isso é que não aparecemos tanto em público, imagine se a doença do meu irmão viesse a público, provavelmente ele teria de ser internado, e a nossa reputação abalada, poderia ser o nosso fim. Peço-lhe que guarde segredo sobre o que viu.

-E porque iria divulgar isso? Não tenho por hábito coscuvilhar a vida alheia, nem me passou pela cabeça faze-lo, sou uma rapariga honesta- ok, nem sempre, mas ele não precisa saber isso.

-Desculpe, mas eu tinha que me assegurar que este segredo não era revelado.

-Não se preocupe, não o farei - e como finalizando a nossa conversa, estendo o meu braço para pegar no livro que ele tem na mão e assim poder ir embora, mas o principe não tinha intenção de mo devolver - se me der licença alteza, tenho de ir.

Ele folheava o meu livro distraidamente , parecia completamente absorvido, acho que a dada altura nem deu mais conta de mim

-Estes Britânicos são engraçados, a maneira como conseguem manter o leitor preso á história...

-Já leu esse livro?

-Não, aliás nunca li nenhum livro desta autora, mas já li outros autores Britânicos...não sou muito dado a historietas românticas, não me leve a mal, mas não é um género que me atraia minimamente.

-Se assim é, acho que posso ter o meu livro de volta- digo enquanto me estico para chegar ao livro, mas ele tira-mo do meu alcance o que me faz ficar irritada- tenho a certeza de que não lhe irá interessar.

-Hum...talvez - diz ele enquanto se afasta de mim - mas isto é uma garantia...

-Garantia de quê?! - quase grito enquanto me levanto.

-De que não irá contar nada do que viu ontem á noite - respondeu ele no momento em que guardava o livro numa gaveta da secretária e a fechava á chave - não posso arriscar, há demasiadas coisas em jogo.

-Eu disse que não contava a ninguém!- gritei sentido-me insultada- sou uma pessoa de palavra!

-A última vez que confiei em alguém, isso quase tirou a vida ao meu pai! - repondeu-me ele encarando-me com um olhar intenso - Mas se quiser, pode regressar a casa neste preciso momento, a decisão é sua.

-Eu...eu...- de repente toda a minha coragem se desvaneceu, o meu irmão precisa de mim, tenho de engolir o meu orgulho - Muito bem, sua alteza ganhou.

O seu rosto suavizou-se um pouco, no fundo não eramos assim tão diferentes, ambos fazia-mos de tudo para proteger os nossos irmãos, aproveitei então para sair já que o assunto ficou esclarecido, fiz uma pequena vénia algo desajeitada e dirigi-me á porta, mas a minha curiosidade era mais forte e não sei porquê , deixei escapar a pergunta:

-Amava-a?

Ele estava de costas para mim, e como pensei que ele não ouvira a minha pergunta decidi sair, até que o oiço a falar:

-O que custa mais, é que apesar de tudo ainda a amo.

-Imagino que isto para si seja um grande sacrificio.

-Não mais do que o necessário-respondeu ele num encolher de ombros - o bem da nação deve ser maior do que os nossos caprichos.

-Entendo, mas se quer um conselho, deveria começar por aparecer mais, porque as restantes raparigas estão a começar a ficar histéricas sem a sua presença, daí a pouco começam a haver massacres, e um bando de mulheres em fúria num palácio não é coisa bonita de se ver.

Ele deu apenas uma gargalhada sonora, e eu também acabei por sorrir, fiquei contente por o ter animado com as minhas piadas, haja alguém que goste delas. E assim, saí da pequena biblioteca, mesmo a tempo de ir para a primeira aula.

                                                               *************************

Quando entro na sala, todas as raparigas já lá estão, Violett guardou-me um lugar á beira dela:

- Onde te meteste?- perguntou ela quando me sentei ao seu lado

-Perdi-me - minto - o palácio é enorme, parece um labirinto.

-É verdade- respondeu ela- ainda á pouco, esqueci de virar no corredor certo, e fui parar ás cozinhas.

-Deviam por umas placas de sinalização.-respondi a rir imaginando todo o palácio repleto de placas.

-Ia ser lindo de se ver - disse Violet reprimindo uma gargalhada.

Não tivemos muito mais tempo para conversar, até porque naquele momento uma mulher baixinha, e elegante estava á nossa frente com as mãos na cintura:

-Com que então, as meninas parecem estar muito divertidas, querem partilhar com o resto da turma? - ela tinha uma trança loira que lhe rodeava a cabeça como uma coroa, e uma voz doce e musical, parecia saida de um conto infantil, tirando o seu olhar, que fez-nos sentir umas meras formigas na sua presença -Bem me parecia, como estava a dizer antes de ter sido interrompida por estas duas damas, o meu nome é Agnes Valder, e sou perceptora particular da familia real, e durante a vossa estadia por cá, ficarei encarregue de vos educar de acordo com os modos de uma princesa, vão aprender de tudo um pouco, desde etiqueta até diplomacia, uma futura princesa deve ter as caracteristicas necessárias para saber desempenhar bem o seu papel, e eu irei certificar-me de que cada uma de vocês terá aprendido tudo correctamente, incluindo as meninas.

Nisto apontou apontou para mim e Violett, e nesse momento percebi que aquilo não iria ser nada fácil, e nas horas seguintes esse facto tornou-se realidade, aquela perceptora era um verdadeiro general de saias. No final do dia, estava tão cansada que decidi ir logo deitar-me sem antes jantar, e acabei por desabar na cama sem sequer ter trocado de roupa.

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publicado às 16:47


Rabiscando no tablet 11#

por Elisabete Pereira, em 09.06.18

Esta semana é mais curtinho, só dois desenhos, não deu para fazer mais, mas para a semana compenso.

 

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Para a semana ficam prometidos mais desenhos

 

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publicado às 18:00

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"Uma princesa não fuma" é a mais recente curta-metragem direccionada ao combate e sensibilização do uso do tabaco, basicamente vamos vendo ao longo do enredo a interacção de uma mãe fumadora e da sua filha ainda uma criança que como muitas meninas da sua idade tende a imitar o comportamento da mãe nomeadamente no uso do cigarro, a mãe, mesmo depois de ser diagnósticada com cancro do pulmão, não consegue deixar de fumar, e é quando já num estado muito avançado da doença vê a menina num gesto em que faz de conta que fuma, a mãe percebe que precisa de fazer alguma coisa para evitar que a filha seja uma futura fumadora...e claro está, isto tinha que dar polémica, mas não pelo mais evidente, (mostrar a crueza de um cancro terminal, por exemplo, que poderia ser chocante de mostrar na televisão, e ser visto por crianças) mas porque algumas vozes (mulheres sobretudo) se levantaram contra esta campanha, de que isto era reduzir a mulher a um estereótipo ultrapassado em que a mulher é vista apenas como mãe e princesa...a sério?!  Eu até entendo que haja quem não se reveja na curta metragem, ou até que não goste de todo, mas chegar ao ponto de querer que se retire a campanha e que uma plataforma feminista apresente queixa contra a campanha, é esticar um pouco a corda, é no fundo demonstrar o preconceito que ironicamente costumam criticar nos outros, porque é um apontar de dedo a todas as mulheres que optaram por serem mães a tempo inteiro, em vez da carreira; é acreditar que as princesas são seres frágeis e que precisam de ser protegidas, até a Disney começou a mudar os conceitos de princesas nos últimos filmes animados. Uma mulher não deixa de ser forte e corajosa, nem de perder a sua identidade por ser mãe e/ou princesa, por isso bora lá desempoeirar essas mentes, até porque isto infelizmente, no fundo não passa do clássico "mulheres a criticar outras mulheres", curioso não?! Algumas feministas precisam de rever a palavra "Sororidade", que é só e apenas um dos pilares do feminismo. Lamento é que no meio de isto tudo, se tenha perdido a verdadeira mensagem que esta curta-metragem queria passar.

E eu que até nunca fui muito fã de princesas quando era criança, não me importava de ser como a princesa Mérida do filme "Brave". 

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publicado às 23:23

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                                                          (Eu na fase desdentada dos 6 anos)

 

Já passou algum tempo, desde a minha infância, esse tempo feliz de despreocupação e brincadeira, e que rapidamente passa, mas sou da opinião de que nunca se deve deixar a criança interior morrer, nem que seja para recordar a infância ou os momentos mais marcantes da mesma, claro que a esta altura ao ver as fotos de quando eu era criança, desde a roupa, até ao penteado, me faça agradecer o facto de hoje ser adulta, porque aquilo era um bocado...hum...mau. Mas vamos deixar esses conceitos de moda um pouco para o lado e focar no essencial, eu sou de uma altura em que as crianças basicamente só recebiam presentes no dia de aniversário e no Natal, pronto, ok, ok, eu também recebia quando passava de ano, mas basicamente era quase isto, e ainda assim considero que tive muita tralha (cheguei a ter dois caixotes de papelão cheios de brinquedos) quando cheguei por volta dos 14 anos, tomei uma decisão, doar os brinquedos que estavam bons, e deitar fora os que estavam estragados, (excepção dada aos peluches com os quais a minha sobrinha hoje em dia brinca) no entanto, decidi guardar para mim 3 brinquedos pelos quais ainda hoje tenho grande estima, o meu computador de brincar, a mansão da polly pocket e o melhor de todos...o meu Game Boy Color. Tenho uma afinidade em particular pelo meu Game Boy Color, é de longe o meu brinquedo favorito de sempre, lembro perfeitamente de ver o anúncio na televisão nos idos de 1999, e foi a minha prenda de Natal daquele ano, não consegui esperar até ao dia 25 de Dezembro para o jogar e por isso pedi autorização aos meus pais para abrir a prenda mais cedo, joguei muitas horas naquela pequena máquina, o primeiro jogo que tive foi o do Hugo, lembram-se desse programa de televisão, em que os jogadores usavam o telefone para jogar com o personagem principal? Pois eu tive a versão para o Game Boy Color, mais tarde tive mais cartuchos com diferentes jogos, só nunca tive nenhum da mania que existiu a certa altura....os Pokémons, mas não houve problema, porque os meus primos tinham todos os jogos, e emprestaram-me muitas vezes. A dada altura, a minha mãe, temendo pelo facto de as minha notas terem baixado um pouco (mal ela sabia que no nono ano eu iria ter 5 negativas), e que isso podesse se dever ao Game Boy Color, escondeu-me a consola, e eu estive quase um ano sem a encontrar, acho que acerta altura ela própria se tinha esquecido de onde a escondeu, lembro do glorioso dia em que encontrei a consola por detrás de uns cobertores que estavam no armário do quarto dos meus pais, fiquei mesmo feliz, foi como ter encontrado um tesouro...bem...mais ou menos.

Foi sem dúvida um brinquedo que estimei muito, e embora tenha jogado bastante (quase chegando a estar viciada) ainda hoje se encontra bem conservado e funciona perfeitamente, e já lá vão quase 19 anos, agora quem brinca com ele é a minha sobrinha quando vem cá a casa. Foi bom recordar algo da minha infância neste post, e poder partilhar uma memória neste dia que é de todas as crianças, mesmo aquelas que já têm mais de...29 anos

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                                                      (He he, ao fim de quase 19 anos o meu game boy color ainda funciona na perfeição.)

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publicado às 16:24


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