Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

The book of stories

The book of stories

Sex | 30.03.18

E de repente, quase nos 30

Elisabete Pereira

artflow_201803301742.png

 

No dia 30 de Março de 1989 nasceu esta menina que escreve neste blogue, e friso a palavra "menina", pois ainda estou nos vintes, e por isso me considero ainda uma miuda,mas para o ano não, porque já entrarei nos trinta e aí serei oficialmente uma "velha solteirona", e a minha vida acaba basicamente. Lembro-me de que quando tinha 15 anos de ter visto o filme "De repente já nos 30" em que a personagem principal do filme de início está com 15 anos e de repente acorda com 30 anos, lembro de na altura adorar o filme, hoje já nem tanto, porque o tempo realmente  passa a correr e é muito triste ver a juventude se esvair no ralo da vida, até porque ainda me sinto uma miuda de 15 anos. Pronto, vou deixar de ser exagerada, sim, eu sei perfeitamente que ainda sou muito nova e que tenho muito pela frente para viver, mas é mais o que a sociedade vê em relação ás mulheres com trinta (ou próximo dessa idade) que não são casadas e não têm filhos, quantas vezes não ouvi  "quando arranjas namorado?" , ou "com a tua idade já tinha um filho e vinha o segundo a caminho", enfim coisas muito meiguinhas de ouvir, e isto leva muitas vezes, mulheres como eu a pensar "o que eu tenho de errado?", e na verdade não há nada de errado, cada um é como é e ninguém tem nada a ver com as nossas escolhas (desde que a pessoa seja maior de idade e não prejudique terceiros). Com tudo isto posso tirar algumas conclusões, que não me casarei antes dos trinta (shame!!!), e que muito provavelmente também não terei filhos antes dos trinta, pode ser que no emprego ainda me safe.

Claro que também tive a sorte de a minha família não se importar muito com isso, (a minha mãe nunca foi daquelas que me impingiu para fazer um enxoval, graças a Deus) embora de vez em quando eu sinta pequenas alfinetadas em alguns comentários que fazem, mas honestamente não me incomodam, até levo isso na desportiva. Um dos motivos de não gostar do facebook (lamento Zuckerberg, mas não sou grande fã da tua invenção, embora por vezes até possa ser útil ) é o facto de aquilo ser um autêntico esfregar de sal nas feridas, quando vemos por exemplo antigos colegas de escola a mostrar ali as suas "vidas perfeitas" casados e com filhos, e nós vamos mostrar o quê, a foto do nosso gato com um olhar de que nos vai matar assim que virarmos costas? Pois, haverá sempre comparação, é mais forte do que nós como seres humanos, e no fim sairemos deprimidos porque não temos nada perfeito para mostrar. Se me arrependo das escolhas que fiz? Não, nem um pouco, essas experiências, boas ou más, são aquilo que nos tornam únicos, e o futuro nunca se sabe, se o principe encantado um dia chegar de cavalo branco, roubo-lhe o cavalo e vou pelo mundo fora!!

Portanto, parabéns para mim, e por me ter conseguido aturar a mim própria mais um ano, e que o próximo seja ainda melhor...e etc e coiso.

 

Sab | 24.03.18

Ter crescido na época das "Magicall Girls"

Elisabete Pereira

IMG_20171213_140630.jpg

Nascida em 1989, tive a sorte de ter vivido a minha infância na década de noventa ,e acho que é mesmo essa palavra "sorte", porque tive o melhor de dois mundos, por um lado as brincadeiras na rua (esfolei tanto os meus joelhos) eram uma realidade mas ao mesmo tempo foi na década de noventa que começaram a surgir as consolas de videojogos, as TVs privadas, os canais por cabo,a Internet e por aí fora. Era uma época algo inocente, eu acho, a humanidade era geralmente mais calma, o terrorismo era um termo quase desconhecido, havia maior confiança no futuro. Com tudo isto, lembro de na tv, á hora do lanche (pão com tuli-creme, claro) de ver os desenhos animados,  na sic e na tvi (principalmente) e de mais especificamente de ver raparigas vindas do País do sol nascente, que lutavam contra os maus, e que usavam umas roupas muito fixes ( sailor moon obviamente, sou grande fã), claro que na época eu não conhecia o conceito de "Magicall Girls", mas elas fascinavam-me, ok, eu sei que á vista de hoje em dia pode parecer algo piroso, mas a verdade, é que isso ensinou muito sobre o girl power, não só a mim, como a muitas miúdas que viam esses desenhos animados, era a primeira vez que as raparigas eram as principais protagonistas, não haviam ali princesas passivas á espera do principe para as salvar (excepto a Bunny Tsukino a.k.a. Sailor Moon, que se metia em sarilhos e era salva pelo Mascarado). Ah, se eu vejo mais alguém a dizer "navegantes" da lua, eu aperto-lhe o pescoço, é a "navegante da lua",ok!? Dá-me sempre comichão quando vejo ou oiço alguém dizer da forma errada. Por isso eu acho que elas foram tão importantes para toda uma geração. Claro que não há bela sem senão, e com isto eu confesso que uma vez torci o pé por causa do excesso de  visualização de desenhos animados, que depois de tanto os vermos, temos a sensação que podemos fazer tudo o que eles fazem (neste caso até foi por causa do Dragon Ball), eu vi tanto aquilo que achava que conseguia aplicar um grande golpe de karaté contra uns rapazes malvados que andavam a importunar as nossas brincadeiras no recreio da escola, e ia dar um valente pontapé num deles quando bati com o pé num pedregulho escondido numas ervas altas, e torci o pé...Pena a vida real não ser como os desenhos animados

artflow_201803181914.png

Outro desenho animado deste género era Sakura Card Captor, do qual eu também era, e sou fã (vinte anos depois há uma nova continuação do desenho animado, yay!!!), a única coisa que hoje em dia me faz confusão é o facto de não existir propriamente maldade no universo deste desenho animado, uma espécie anti-natural de felicidade, mas por mim na altura estava tudo bem, e hoje em dia também  (de vez em quando vou matando saudades da série através do youtube).

Mas é preciso aqui também dar uma menção honrosa a um anime japonês, que não teve tanto êxito em Portugal, mas eu achava também grande piada, era uma espécie de paródia às "Magicall Girls", que era a "Super pig" (Super Porca, em Português, eu sei que já há risadinhas desse lado, seus perversos!), façam uma pesquisa no motor de busca, caso queiram ver ou rever , do género "Anime Super Pig", porque se quiserem pesquisar pelo termo em português as respostas podem ser...um pouco diferentes, digo eu. Basicamente a personagem principal transformava-se numa fofa porquinha côr de rosa com uma capa e que tinha super poderes.

As "Magicall Girls" foram tão influentes, que o ocidente adoptou este género em desenhos animados mais recentes, as W.I.T.C.H. ( fiz colecção da B.D.) e as Winx são exemplos disso.

Agora uma coisa mais séria , sim estou a falar dos remakes de Sailor Moon e Sakura Card Captor(quer dizer, no caso da Sakura é continuação da história e não remake, e por acaso até agora estou a adorar, está incrivelmente bem feito, e história é muito boa), o caso de Sailor Moon é mais dramático, os bugs terríveis (parece que foram desenhados por mim), e á quase dois anos que não há notícias da continuação do remake, tá mal!!! Pelo menos levem o desenho animado até ao fim, porque o coração de um fã assim não aguenta.

Qua | 21.03.18

Um País que chora sobre uma bandeira de sangue

Elisabete Pereira

robert-nyman-442994-unsplash.jpg

Do outro lado do mar

Um País irmão é novamente abalado

Tiros se ouvem de fundo...

...e mais alguém foi silenciado!!

 

Mais uma vítima de invisível gangue

Na selva urbana da cidade maravilhosa

É mais um que cai!

Num imenso banho de sangue!!

 

 

Perseguem os justos, os que denunciam

Aqueles que não se calam, aqueles que gritam

De forma vil e cobarde se escondem nas sombras

Para ceifarem as vidas das suas vitimas

 

É um País que chora e que de luto se veste

Está a ferro e fogo em clima agreste!

Uma batalha urbana já se avista...

...mas não é com armas que a paz se conquista!! 

 

(Porque infelizmente no espaço de uma semana, mais uma pessoa faleceu de forma semelhante a Marielle Franco, e por isso este poema serve de homenagem a Paulo Teixeira e outras vitimas anónimas que tem assolado o Rio de Janeiro nos últimos tempos.)

Ter | 20.03.18

É Primavera!! Ou quase.

Elisabete Pereira

Oiço os pássaros a chilrear artflow_201803201507.png

Vejo as flores desabrochar

Por todo lado as árvores têm folhas a despontar

É a Primavera a chegar!!!

 

As andorinhas já regressaram de terras distantes

Como nómadas viajantes.

Mas...

 

...o tempo anda ao contrário

Os montes ainda têm neve

E está um frio do catano!!!

 

Ninguém diria que hoje começa a Primavera

Com as coisas desta maneira

Como se connosco brincasse

Até das minhas alergias já sinto saudade!

 

Se alguém por aí a vir, que lhe diga por favor

Que está atrasada, e que assim a vida não tem côr

Cada estação tem o seu momento certo

E que o tempo do Inverno já terminou

Para dar lugar á Primavera...que ainda não principiou!!

                                                                               

Dom | 18.03.18

Rosa negra em campo selvagem

Elisabete Pereira

cristiane-teston-321520-unsplash.jpg

Com coragem invulgar, ergues a tua bandeira

Denuncias o que está errado, e lutas á tua maneira

O teu objectivo é melhorar a vida dos que te rodeiam

Ser uma voz contra a maré.

 

Mas um dia decidiram calar-te para sempre

Ceifaram a tua vida precocemente

Aqueles que deveriam proteger

Viraram-se contra ti friamente

E sem arrependimento contra ti dispararam

 

A tua luta nunca será esquecida 

Os teus objectivos nunca serão ignorados

Porque novas bandeiras se levantam

Porque unidas nunca nos calaremos

E todas juntas lutaremos

E em tua memória também nós nos erguemos.

 

Como rosa negra deixaste a tua marca

Em campo selvagem fizeste a tua batalha

Com rudeza a tua vida foi arrancada

Mas as tuas sementes, ao vento foram lançadas

E um dia em campo selvagem serão também germinadas

E mil rosas surgirão, e mil rosas lutarão

E por fim todas elas vencerão 

Porque por ti foram inspiradas.

 

(homenagem á activista Brasileira Marielle Franco, que foi assassinada esta semana)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sab | 17.03.18

Borboleta numa cadeira de rodas

Elisabete Pereira

nathan-dumlao-264909-unsplash.jpg

De alma frágil e gentil,

surge na multidão deslizando numa cadeira de rodas de forma subtil

Tal singela figura, passa despercebida por toda a população 

Ninguém repara na sua graciosidade mesmo naquela condição. 

 

Nisto, ela vem ter comigo, sou tocada pelo seu brilhar

Ela pergunta quase num sussurro se eu a posso ajudar

Ajudo-a como posso com o meu jeito desajeitado

Ela sorri do meu pedido de desculpa atrapalhado.

 

No final coloca uma moeda na minha mão como pagamento

Como posso aceitar, se a minha ajuda foi feita com bom fundamento? 

Digo, "obrigada, mas não posso aceitar, 

mas, se um dia precisar, eu posso voltar a ajudar." 

 

Cada uma segue a sua direcção 

Vejo-a desaparecer na multidão

Num passo de magia, ela se evaporou

Como uma borboleta, ela abriu as asas e voou.

Com graciosidade na sua cadeira de rodas,pelo meio das pessoas ela deslizou. 

Qui | 15.03.18

Eu tenho dois amores

Elisabete Pereira

darren-coleshill-558550-unsplash.jpg

 

Confesso que tenho dois amores....sim, é verdade, e vivo um constante dilema porque nunca sei qual dos dois eu prefiro, a verdade é que quando estou com um, sinto que traio o outro, ambos têm as suas vantagens e acaba por ser difícil de escolher um dos lados da barricada, por vezes há a sensação que as coisas só se dividem desse modo, mas essa não é a minha opinião,é algo que me atormenta a mente e sobressalta o espírito ...sim,eu estou a falar de...livros,como é óbvio, que isto é um blogue sério não há cá poucas vergonhas (com muita pena minha porque há um tempo que não pinga nada para estes lados, mas "prontos" deixemos esse lado deprimente para outra altura.)

Falo mais concretamente dos livros digitais e dos tradicionais (de papel), eu adoro ler das duas formas, e por isso não consigo escolher um lado, adoro folhear um livro em papel, cheirar as páginas, principalmente para sentir aquele cheirinho a novo, e ter algo palpável em mãos é sempre outra coisa, assim como tirar e voltar a colocar o livro da estante; por outro lado essa invenção fascinante dos ebooks fez com que eu já tivesse lido uma infinidade de livros que de outra forma a minha pobre carteira não o permitiria, e nesta parte vou entrar em algo de que não me orgulho muito, sim eu já fiz download ilegal de livros (atirem-me pedras !!! É melhor não, que um calhau ainda aleija um bocadinho) e embora não me orgulhe disso não é algo do qual eu me arrependa, até porque foi assim que conheci livros bem antes destes chegarem a portugal, eu sei que a pirataria é algo de errado, mas por outro lado também serve como divulgação de livros que ainda não chegaram cá, e que quando chegarem cá se valerá a pena comprar, por exemplo, foi assim que vi que não valia a pena comprar certos livros que incluíam certo tau-tau e que no título dos livros tem referência a sombras (subtil hein?!) ainda por cima aquilo é carote, mas os livros são muito fraquinhos, e assim poupei uns trocados; outros acabei por comprar ou comprarei assim que chegarem a Portugal, por exemplo os livros da série "A rainha Vermelha" de Victoria Aveyard ( da qual eu virei fã, ainda só chegou cá o segundo livro, "a espada de vidro", quando em Maio deste ano vai sair o quarto e última livro "War storm", estou mortinha para que seja editado em Portugal  o terceiro livro "Kings Cage"... a cena da lama...ui ui)

Resumindo, claro que há quem use a pirataria para o mal, mas também pode ser usado como algo bom, por exemplo, divulgação de cultura, que de outra forma dificilmente seria possível,mas o importante de tudo isto, é que não importa o formato em que se lê, mas a experiência que se retira disso...e por falar nisso, tenho andado um pouco preguiçosa nas minhas leituras,  ( tenho o objectivo de ler 15 livros até ao final do ano ) já não pego num livro há quase um mês, por isso vou só ali por a leitura em dia...

Qui | 15.03.18

A princesa da torre

Elisabete Pereira

artflow_201803151131_2.png

Era uma vez um rei e uma rainha que não tinham filhos, e como estavam tristes por causa disso, decidiram ir á fada verde da grande floresta para que ela os podesse ajudar, a fada ofereceu-lhes uma grande planta, essa planta tinha um grande rebento na ponta e ela disse que aquela flor tinha de ser bem tratada para desabrochar, e que aí o seu pedido iria ser atendido, durante meses assim o fizeram, até que uma bela manhã a flor desabrochou  e lá dentro estava uma bebé pequenina . O rei e a rainha ficaram muito felizes por agora terem uma filha, mas eles tinham medo que fossem fazer mal á princesa e por isso contruiram uma torre no castelo para protegerem a princesa, e assim ela foi crescendo sem nunca sair da torre.

Um dia veio uma nova criada para trabalhar no castelo, essa criada tinha uma filha da idade da princesa, além disso elas era muito parecidas fisicamente uma com a outra, disseram que a menina podia ir brincar em qualquer parte do castelo, menos para a torre onde vivia a princesa, mas a menina era muito curiosa, e uma noite ela foi ás escondidas até á torre, e com um gancho do cabelo destrancou a fechadura da porta, e entrou na torre, onde encontrou a princesa a ler um livro

-O que estás aqui a fazer? - perguntou a princesa surpreendida

-Eu tinha curiosidade em conhecer a princesa, até porque dizem que somos muito parecidas, e eu queria saber se era verdade.

-Mas não podes estar aqui, é proibido.

-Eu sei, mas....eu tinha de vir.

-Como te chamas?artflow_201803151131_0.png

-Sara e o teu?

-Luisa, sou a princesa Luísa 

-Gostas de viver aqui?

-Bem, eu sei que estou aqui para minha segurança, os meus pais têm medo que me aconteça alguma coisa lá fora.

-Deve ser muito solitário viver sozinha nesta torre.

-Sim, mas tenho muitos livros aqui, que me fazem viajar para fora daqui.

-Eu nunca tive livros, eu e a minha mãe somos muito pobres e não temos dinheiro para comprar livros...

-Eu posso emprestar vários livros se quiseres.

-Eu tive uma ideia melhor.

-Qual ideia?

-Já que somos muito parecidas, podiamos trocar de lugar por um dia, e assim tu podias ir lá para fora e eu ficava aqui e poderia ler os livros que eu quisesse. Aceitas?

-Eu aceito, mas temos de combinar bem para ninguém descobrir o nosso segredo.

-Claro, então, fazemos o seguinte, vamos trocar agora de lugares, e amanhã á meia noite voltamos a trocar para o que éramos , mas tens de ter o cuidado de trazer o gancho para abrir a fechadura da porta da torre, senão, não consegues entrar, temos de ter muito cuidado para ninguém descobrir, porque podemos ser castigadas.

E assim as duas trocaram as roupas entre si, a menina virou princesa, e a princesa virou a filha da criada, despediram-se e a princesa lá foi toda contente, até ao quarto onde a menina dormia com a mãe.

De manhã,  no entanto a princesa percebeu algo errado, a mãe da menina estava a arrumar as roupas numa mala.

-O que se passa? -perguntou a princesa.

-Vamos embora, o meu trabalho terminou aqui, vamos regressar a casa.

-Mas não podemos, eu sou a princesa Luísa, temos de ir á torre, porque a sua filha Sara está lá, nós trocamos de lugar a noite passada.

A senhora sorriu e disse:

-Tens de deixar de ter tanta imaginação, vamos embora sim?

Apesar dos protestos da princesa, a senhora não acreditou nela, e pouco tempo depois partiram na carroça em direcção á vila, onde vivia a criada e a filha.

Entretanto á noite a Sara ficou á espera do regresso da princesa, mas esta não voltou como combinado, e ela começou a chorar com saudades da mãe, e com medo de ficar trancada naquela torre para sempre.

Os anos passaram-se, e entretanto cada uma delas habituou-se á sua nova vida, a princesa Luísa tornou-se uma artesã incrível, e os seus tapetes ficaram famosos por toda a região. E um dia foi chamada para aparecer no castelo para vender os seus famosos tapetes.

O rei ficou muito surpreendido com a semelhança que ela tinha com a sua filha na torre, mas não disse nada, comprou vários dos tapetes, e depois da jovem ter ido embora, falou com a rainha sobre a semelhança daquela rapariga com a filha deles, e por isso decidiram chamar a jovem novamente para a conhecerem melhor.

A jovem artesã ficou com receio daquele convite, o que o rei e a rainha queriam dela?

Mas ela lá foi, e eles fizeram-lhe muitas perguntas, até que ela falou da troca que havia feito há vários anos com a Sara ,mas os reis não acreditaram nela, apesar de ela jurar que era tudo verdade, então a rainha teve a ideia de chamar a fada verde, só ela poderia tirar todas as dúvidas.

Quando a fada verde chegou, disse que a verdadeira princesa tinha uma marca em forma de flor no braço esquerdo.

A artesã mostrou o braço e lá estava a marca, os reis ficaram muito surpreendidos com aquilo, e pediram desculpa á princesa Luísa por não terem acreditado nela, mas ela não ficou zangada, no entanto pediu para libertar a Sara da torre, para que esta podesse voltar para a sua mãe.

Quando as duas se reencontraram deram um grande abraço, e ficaram muito amigas ao longo da vida, e a Sara tornou-se numa contadora de histórias, que viajava muito para partilhar as histórias que havia lido naqueles livros todos que havia na torre. O rei e a rainha perceberam que não precisariam de proteger a princesa na torre, e assim a princesa viajava com frequência para regiões longínquas para vender os seus tapetes, e muitos anos mais tornou-se numa rainha artista muito conhecida.

 

Dom | 11.03.18

Era uma vez...uma entrevista de emprego

Elisabete Pereira

tim-gouw-79563-unsplash.jpg

 

Uma das coisas que passamos na vida adulta, e hoje em dia cada vez mais, são as fatídicas entrevistas de emprego, sim eu disse fatídicas, porque invariavelmente sentimos ( acho que é geral, ou talvez seja apenas eu ) que vamos a caminho do desconhecido, quase como se fossemos empurrados para o abismo, uma grande incógnita no resultado final, que nos turva os nervos, ainda por cima há sempre  aquelas perguntas armadilhadas que se não respondermos de forma conveniente somos logo postos de lado, e de nada vale investirmos no guarda roupa, resposta errada e somos logo atirados borda fora.

Já fui a várias entrevistas de empregos ao longo de anos, e apesar de hoje em dia estar a trabalhar, isso não significa que eu não vá procurar "novos desafios profissionais" (resposta típica de entrevistas de emprego, mesmo que seja para emprego de varredor), e foi numa entrevista recente que tive uma experiência caricata com o entrevistador.

Lembro perfeitamente da dificuldade em encontrar o local (eu devia ter desconfiado logo, era um sinal divino ou coisa que o valha), quando lá cheguei fui conduzida para uma salinha com música ambiente, e depois do que me pareceu uma eternidade (uns 10-15 minutos no mundo real), fui chamada pelo responsável até uma sala toda xpto na decoração, aí foi sendo desenrolada a entrevista, as coisas corriam bem, sentia que estava a cativar com o meu palavreado caro (que só uso nestas ocasiões) até eu dizer que tinha emprego, o que deixou o responsável surpreendido  (no entanto a informação estava bem presente no meu currículum, que supostamente ele deveria ter analisado antes de me fazer a entrevista, que conforme ele havia dito por telefone que fui seleccionada para entrevista por ter sido analisado o dito documento) , as coisas começaram a descambar quando ele deu a entender que, para eu deixar-me estar, não me meter naquilo ,para quê mudar de um emprego seguro e estável que eu tinha, para aquela oferta de trabalho, (quê?! Então mas...no fundo ele quer dizer que aquele emprego nem valia a pena, ou seja, nem ele acreditava na qualidade daquele emprego e da empresa...tá giro), entendo que muitas empresas prefiram contratar uma pessoa que esteja desempregada do que uma pessoa que tenha emprego, principalmente por causa da disponibilidade, mas não por o próprio empregador dizer o que me disse, enfim, aprendi que "só procura emprego quem está desempregado", no final ainda me disse que se entretanto ficasse sem emprego para lá ir outra vez....hum...não. A vida é uma aprendizagem realmente , e por isso aprendi, que...não volto mais ali, que aquilo deve ser uma maravilha, e isto foi apenas um resumo da entrevista, mas pronto, faz parte desta coisa de se ser adulto, imagino que hajam pessoas que passaram por coisas bem piores do que eu.

E depois há aquelas perguntas padrão que se fazem nas entrevistas de emprego, do género : "onde se vê daqui a cinco anos?", eu sei lá!? Nem sei onde vou estar na semana que vem,  apetece-me responder "bem, para isso é melhor chamar a madame Zing que prevê o futuro" ou então " eu ando a tirar um curso de taróloga é só deitar as cartas para ver o meu futuro daqui a cinco anos, mas isso vai custar 20 euros", mas em vez disso lá me esforço para dar uma resposta á altura. Depois também á aquela : "Qual o motivo para se ter candidatado a esta oferta de emprego?", uma pessoa poderia responder "então, o meu objectivo é daqui a algum tempo ficar com o seu emprego a entrevistar futuros candidatos a este emprego", ou :"estou aqui só por causa daquele tipo jeitoso das fotocópias". Outra também é :"o que você poderá acrescentar à empresa?",  uma resposta poderá ser "acrescento mais um par de bons...hum...motivos para a empresa", e também :"eu sou uma pessoa muito misteriosa, jamais revelo os meus truques". 

Mas a pergunta que eu mais gosto é que atribuído aos candidatos do sexo feminino: "Está a pensar em ter filhos nos próximos anos? (deixam quase sempre a parte dos anos um pouco vaga, não vá serem apanhados em falso, imaginem se ela se lembra de engravidar daí a uns 20 e tal anos...) uma resposta possível poderia ser o seguinte : "claro que não, eu vou sincronizar o meu relógio biológico de acordo com a empresa, e de caminho também vou começar a fazer uma dieta de acordo com o que a empresa me recomendar e fazer as minhas compras no hipermercado de confiança da empresa."

Claro que se alguém realmente responder tudo isto, corre o risco de não só ser logo dispensado, como possivelmente virão uns homenzinhos de bata branca colocar uma camisa de forças e a pessoa ir de ti-nó-ni para o manicómio. 

E por isso, tal como dizem alguns programas de tv "não façam isto em casa". 

Pág. 1/2