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Uma história ainda sem título (parte 2)

por Elisabete Pereira, em 28.02.18

 

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 Quando Lucy e Charlotte se encontraram , naquele momento, eu pensei que iria haver confronto entre ambas, são duas raparigas de génio forte, mas distintas,era como se ambas medissem forças uma com a outra, como se instintamente soubessem que viriam a ser rivais uma da outra.

A Lucy é uma rapariga que apesar de reservada e um pouco desconfiada, decidiu também contar a sua história, e claro eu aceitei ouvi-la. 

 

 

                            Capítulo dois

                                                Lucy

 

O Verão é uma altura bonita em Green Bay, uma antiga zona balnear de familias aristrocatas e onde um importante porto recebia mercadorias de todo mundo e daí iam de comboio para todos os cantos do reino, no entanto a construção do aeroporto na capital, fez com que a maioria da mercadoria fosse desviada para aí,  e com isso a cidade foi perdendo cada vez mais importância e turistas ,hoje em dia é habitada sobretudo por idosos e pescadores, dos tempos de opolência sobraram os antigos chalés imponentes e que agora ameaçam ruir, e a antiga estação de comboio que conserva as suas magnificas pinturas no tecto, que representavam tempos antigos, e hoje são apenas memórias de tinta. Os meus passos deixam um rasto na areia molhada enquanto as ondas banham os meus pés descalços, decido seguir a linha da praia até chegar ao fim da vila, aí sigo um atalho que vai até á floresta que fica fora da estrada principal, volto a calçar os meus sapatos, não é longe mas prefiro evitar magoar os pés,vou directa a casa de Mcray, suspiro fundo, tenho que mandar o meu orgulho para trás, e faltar a uma promessa que fiz a mim mesma há um tempo, mas por um amigo sou capaz de qualquer coisa. A vida corre devagar por cá, não há muito para fazer nesta pequena vila, há poucos empregos, e é quase um milagre os meus pais terem trabalho, já que a maior parte da população é analfabeta, tal como Thomas, meu amigo de infância (e que agora vai ser enviado para a morte) os meus pais são professores, e acaba por ser complicado ter dinheiro ao fim do mês, a nossa sorte é não termos que pagar casa, porque vivemos no antigo chalé de veraneio dos antepassados da minha mãe, eles eram de pequenos industriais de uma fábrica de conservas que acabou por falir, e por isso o dinheiro já não chegou a nós. Desde miuda que lidei com dificuldades económicas, e embora não me orgulhe disso tive de várias vezes recorrer a Mcray, um velho contrabandista da zona, já fui um dos seus "pardais", (ele usa crianças para fazerem diversos "trabalhos" pouco legais, um sistema perfeito já que ninguém desconfia de crianças aparentemente inocentes, a comunicação entre os "pardais" é feita através de assobios numa linguagem complexa e dificil de decifrar.)

Mal dobro a esquina e já o vejo no quintal com a sua inconfundivel cadeira de rodas de volta do que parece uma televisão, não demora muito para ele me ver exclamando:

-Não pensei voltar a ver o teu traseiro magro por aqui Brown!!- o ar zombeteiro surgindo no seu rosto- Ou devo dizer, a futura sua majestade!!

-Cala a boca Mcray!-  resmunguei - Não sou futura rainha, se fosse, há muito que estavas preso, na verdade vim cobrar um favor.

-Hum, o que vem daí Brown?Alguma coisa para o teu irmão?

-Não, Eric está bem, felizmente...na verdade é para Thomas...ele foi recrutado, vai para a frente da batalha - quase falho a voz, quando me lembro que aquilo é a morte certa para o meu amigo, raro é o soldado que sai de lá incólume, a batalha entre os reinos vizinhos, Vemion e Táris, é algo completamente bárbaro, ele não vai sobreviver aos três anos de recruta obrigatória lá.- eu queria que através dos teus contactos fosse possível mudá-lo de posto, sei lá, como guarda no palácio ou mesmo noutra região de Eran...

-Queres que mexa os cordelinhos para ajudar o teu namorado, é isso?

-Ele não é meu namorado, mas sim eu quero que o ajudes.

-Sem efeito miúda, nem pensar!

-Quê? Como podes fazer isto a mim, eu já livrei a tua pele várias vezes!

-Não se trata de não te querer ajudar , mas há demasiadas coisas em jogo aqui, não posso fazer nada por ti mesmo que quisesse, lamento.

Nisto ele vira costas para mim, e segue para o interior de casa, mas dizendo antes:

-Mas posso oferecer-te uma caneca de chá...se quiseres claro!

Entendi a deixa e entrei atrás dele, é incrivel como ele se movimenta de cadeira de rodas dentro daquela casa atafulhada de quinquilharia

-Tens de contratar uma empregada para te limpar a casa! -digo enquanto afasto uma bicicleta ferrugenta para me sentar na cadeira ao lado da mesa da cozinha-Isto não sao modos de se receber visitas.

-Fica registado, para a próxima vez que voltares, a casa estará a brilhar!!- respondeu ele a rir enquanto pegava em duas canecas do lava loiça e de seguida na chaleira que estava no fogão -não quero fazer má figura.

-Não haverá próxima vez Mcray- digo enquanto pego na caneca com o chá a fumegar lá dentro-Eu afirmei que não voltaria cá, só o fiz agora porque o caso é de estrema urgência.

-Estás a arriscar demasiado em vir cá Brown! - respondeu ele com ar sério e visivelmente preocupado - És demasiado popular neste momento para te expores assim, há demasiados intrusos por aí....

-Que queres dizer com isso?

-Não reparaste ainda que desde que o teu nome apareceu no sorteio, que tens pessoas a vigiar-te? Um passo em falso e ficas fora. Além disso é mau para o negócio, não gosto de intrometidos por aí a meterem-se nos meus "assuntos".

-É por isso que não queres ajudar? Não pensei que fosses tão mesquinho...

-Não te posso prometer nada, nem os meus contactos chegam tão longe...mas tenho um antigo amigo e colega que combateu comigo, é um antigo coronel, pode ser que ele consiga ter alguma influência, mas não prometo nada.

-Para mim isso já conta muito -sinto o meu coração mais leve, levanto-me para ir em embora mas antes detenho-me na porta e viro -me para ele - obrigado pelo chá...e obrigado por tudo.

-Só o faço para ficarmos quites, não gosto de dever favores.

-Certo- digo num aceno de despedida- a gente vê-se por aí.

-Cuida-te, e vê lá se ganhas a coroa, precisamos de uma rainha com fibra.

 

                                                   ***********************************

 Digo a Thomas sobre as novidades, mas ele não fica muito entusiasmado, bem pelo contrário.

-Ele não te prometeu nada Lucy -disse enquanto arrumava as redes de pesca no barracão ao lado da casa dele, estava a anoitecer e daí a poucas horas ele iria novamente para o mar-  não te entusiasmes á toa.

-Mas é sempre alguma coisa a que nos podemos agarrar...

-Nos podemos agarrar? Sou eu que vou para lá, não tu, aliás eu nem te pedi nada, já me mentalizei do que me vai acontecer...

-Ainda estás zangado por ter me inscrito no sorteio? Ao fim deste tempo todo? Já passou quase um mês!

-Mas não disseste nada a ninguém, principalmente a mim!

-Porquê principalmente a ti?

-Porque...porque..- ele parece embaraçado com alguma coisa- não interessa, fiquei magoado e é isso que interessa.

Reviro os olhos para Thomas, como pode ele zangar-se comigo por um motivo tão parvo, ele sabe perfeitamente o meu feitio, e obviamente não vou dar satisfações da minha vida a ninguém, nem devia ficar zangado com isto, até porque a minha decisão não o deveria afectar, ele sabe que eu fiz isto pelo meu irmão, pela minha familia, como meu melhor amigo devia apoiar-me e não criticar o que eu fiz. Para minha surpresa ele pega na minha mão e diz numa voz quase sumida

-Não tens de te sacrificar por toda a gente, podes desistir dessa ideia de querer ser princesa, e eu deixo a recruta ,podemos os dois fugir e conseguir um emprego fora e assim ajudar as nossas familias e...

-Estás doido?! - largo a minha mão da dele de imediato- Já ouviste o que estás a dizer? Isso não faz sentido nenhum!

-Desculpa. -respondeu ele cabisbaixo- Falei sem pensar...

-Já vi que isto não vai a lugar nenhum, é melhor eu ir para casa - e viro costas para ele sem me despedir.

-Lucy!! - gritou ele enquanto me afasto, mas não me viro, estou demasiado chateada com para lhe responder- Lucy, desculpa!!

 

                                                       *******************************

 A notícia chegou rapidamente no dia seguinte, o barco do pai de Thomas apanhou uma tempestade em alto mar, e praticamente se desfez em mil pedaços de madeira que davam agora á costa na areia da praia, eu estava aflita pela falta de novidades do meu amigo, ninguém sabia se havia sobreviventes, uma multidão juntara-se na praia enquanto outros barcos faziam buscas no mar, aos poucos foram juntando os corpos que resgataram do mar, o momento de maior comoção foi quando resgataram o corpo do pai de Thomas e o depositaram na areia seca da praia ao lado dos outros, foi horrivel ver a mãe de Thomas chorar aos prantos debruçada sobre o corpo do marido, tive de me segurar para não chorar também. Era quase fim do dia quando encontraram Thomas e mais dois pescadores, que sobreviveram agarrados a uma tábua do barco, eu corri até eles, mas o meu amigo estava inconsciente naquele momento, para alem dos arranhões e da roupa rasgada, uma das pernas apresentava um corte enorme,parecia tão frágil, temi pela vida dele naquele momento. Dias depois pude visita-lo ao hospital, mas o seu humor não era dos melhores, tinha recebido há pouco o diagnóstico de que nunca iria recuperar totalmente da perna.

- A minha vida acabou - disse ele sem olhar para mim- sou um inválido, um imprestável!

-Isso não é verdade- respondi com veemência - podes fazer outras coisas.

-Que coisas? Eu não sei ler, só tinha este oficio, e agora nem isso posso fazer- num resmungo acrescentou - pelo menos livrei-me da recruta, a carta chegou ontem a dispensarem-me do serviço militar.

 Não consegui responder, e ficamos em silêncio um bom tempo, até que tomei a iniciativa:

-Desculpa,não te devia ter virado costas- um soluço quase me fez chorar- fui uma idiota.

-Não tens que pedir desculpa, até porque é por tua causa que eu ainda estou aqui, quando aquela onda enorme varreu o barco e me atirou para fora dele,o meu único pensamento eras tu, eu precisava de me agarrar á vida porque não podia morrer antes de fazermos as pazes- nisto ele limpa uma lágrima que me caía pelo rosto, nem tinha notado que estava a chorar- Mas agora não vale a pena falar mais disso, o que importa é que agora estamos aqui os dois e vamos por uma pedra no assunto.

-Sim- respondi com um meio sorriso- A nossa amizade é muito mais importante do que qualquer briga parva.

-É mesmo- de repente ele endireita-se na cama do hospital e encara-me nos olhos com ar sério- Quando é que partes?

-Amanhã...- desvio o meu rosto e encaro a janela ao lado da cama dele - eu queria ter vindo mais cedo, mas não deixavam que tu recebesses visitas enquanto não ficasses estável o suficiente.

-Entendo. Eu sei que o que eu disse sobre isso te magoou, e embora eu ainda pense o mesmo, eu vou estar aqui para o que der e vier - voltei a encara-lo e ele deu-me um sorriso - mesmo que as coisas não corram bem podes sempre contar comigo.

-Obrigado, isso é muito importante para mim - nisto vejo que ele pega num embrulho em papel pardo e entrega-mo- O que é isto?

-Abre, considera um presente de despedida e de boa sorte. Eu sei que é um pouco errado, mas quando a Vicky me trouxe isso, percebi que era o presente ideal para ti.

-Ela roubou isto da biblioteca? - Vicky é a irmã mais nova de Thomas, e a que dá mais problemas, mesmo com 6 anos dá para perceber que Thomas vai ter muito trabalho com ela,( desconfio que ela trabalha para Mcray, mas não quero preocupar o meu amigo com isso) o livro que tirei do embrulho era o meu favorito, trazia o carimbo inconfundível da biblioteca da vila,mas mesmo assim, como é que aquela pestinha sabia que eu gostava daquele livro? - eu não deveria aceitar um livro roubado...mas se ninguem disser nada sobre isto, é como se o assunto morresse por aqui.

-combinado- responde ele- Boa sorte.

-Obrigada -digo abraçando-o - Prometo ligar sempre que possivel, para saber da tua recuperação.

 

                                                            ************************

 Vejo aquela rapariga loira a entrar no automóvel e fico encarando um bom bocado até o carro desaparecer da minha vista, se não tivessemos sido interrompidas por aquele homem, ela teria ouvido umas quantas, quem ela se julga? É a rainha do planeta por acaso? Estes tipos riquinhos pensam que são melhores do que os outros só porque nasceram em berço de ouro, deve ser mais uma dequelas pessoas que gravitam em torno da familia real e acha que isto tudo lhes pertence, provavelmente irá passar a temporada de Verão na sua quinta de luxo algures, a imaginar a quantidade de malas que levava consigo.

-Bem, isso é que foi dar um baile á Charlotte Hale, os meus parabéns! - diz uma rapariga baixinha aproximando-se de mim.

-Quem?- pergunto-lhe algo surpreendida, o nome que ela citou não me era estranho, mas não me recordava onde já tinha ouvido falar dele.

-A ex-futura princesa disto tudo- diz ela acompanhando com um gesto dos braços- olha que não é qualquer um que a consegue enfrentar e sair ileso, dizem que ela é terrível com os criados.

-Ah,não admira que ela estivesse com aquele mau humor- respondo-lhe- perder de repente o posto para uma de nós, não deve ser fácil de engolir.

-Bem, mas a culpa não foi propriamente dela. O pai é que tentou matar o rei. Enfim mas agora isso não interessa- e virando-se para mim diz- o meu nome é Violet Harris, e o teu?

-Lucy Brown- digo enquanto subimos a escadaria em direcção ao palácio, observo a sua fachada imponente e de repente sinto-me pequenina- Este lugar é impressionante!

-Isto é apenas o palácio de Verão, devias ver o palácio oficial,é praticamente o dobro deste- diz ela como se isso fosse a coisa mais natural do mundo, talvez o fosse para ela, e parecendo que adivinhava os meus pensamentos completa- já fui várias vezes com os meus pais ao palácio oficial, eles são costureiros bastante conhecidos, e já fizeram vários trajes de cerimónia para a rainha.

-Então conheces o principe?-pergunto

-Não, a verdade é que nessas ocasiões só vi a rainha- e depois acrescentou em voz baixa- são um bocado esquisitos.

-Como assim?

-Têm uma certa panca com a privacidade, não gostam de aparecer, tem de ser tudo programado com antecedência, até uma simples prova de vestido é uma dor de cabeça, a minha mãe numa ocasião teve de lá passar uma semana por causa de um vestido de cerimónia para a rainha, e dessa vez nem eu a pude acompanhar, a minha mãe só pode fazer ajustes do vestido na rainha uma única vez, o resto ela acabou por usar um manequim com medidas semelhantes ás da rainha, e nem dessa vez ela viu algum outro membro da familia real, são muito restritos.

-Pelos vistos até têm os seus motivos- digo encolhendo os ombro- Olha o que aconteceu ao rei.

-Certo, mas ainda assim são um bocado estranhos para mim, é como se guardassem um segredo.

-Olha lá, mas se os achas tão estranhos porque te candidataste a princesa?

-Na verdade o meu motivo é outro- nisto os seu olhos adquirem um novo brilho- eu quero fazer o vestido de noiva da princesa, eu também faço costura, mas vivo á sombra dos meus pais, e com um projecto destes a minha carreira iria descolar.

-E como pretendes fazer isso?- digo dando uma risada- vais dar cartões de visita a todas as candidatas?

-Não, muito melhor- e dito isto pegou na enorme bolsa que trazia a tiracolo e tirou uma mini maquina de costura lá dentro- vou usar isto e mostrar a qualidade dos vestidos que faço.

-Vais fazer vestidos para todas?- pergunto incrédula- é impossível, vais morrer de exaustão.

-Não, vou usar uma delas como modelo, aliás já sei até quem vou usar como modelo. Tu.

-Eu!? Mas porquê?

-Tens as medidas certas para modelo, alem disso, convenhamos que estás a precisar da minha ajuda, com esse vestido do século passado não vais cativar o princípe.

-E quem te disse que o quero fazer?- pergunto em tom de desafio,ok o meu vestido não era dos melhores, pertenceu a Heather, a irmã mais velha de Thomas que quando casou deixou várias roupas em casa dos pais, como eu nunca usei vestidos, e precisava segundo a minha mãe "parecer uma senhora" foi a solução arranjada á última da hora, mas pior mesmo foi a parte da maquilhagem, não entendo como as mulheres se sujeitam a isso. - Por acaso tenho cara de quem quer saltar para o colo do príncipe?

-Porque me parece que estás aqui por outro motivo,eu sou muito observadora e já reparei que não és como as outras que concorreram para estar aqui, uma rapariga como tu não perde tempo a andar atrás de príncipes, a não ser que tenha um motivo forte, estou certa ou não? No entanto precisas de continuar mais tempo por cá, e para isso tens de te esforçar mais para seres notada, e só vais conseguir isso com a minha ajuda. Aceitas ou não?

Eu encaro o chão antes de lhe responder e cerro os punhos,Eric precisa que eu continue aqui, os seus tratamentos são caros demais para os meus pais, a minha mãe quase teve um ataque quando desisti da bolsa para a universidade para me candidatar a princesa, aqui ganho o suficiente para pagar os tratamentos do meu irmão mais novo, mas para isso tenho de ficar o máximo de tempo possível, mas ainda assim é humilhante admitir que ela tem razão, não tenho nenhum glamour,não sou de famílias influentes, e por isso sei que sozinha não duro nem uma semana aqui.

-Bem, digamos que eu aceito a tua proposta-encaro o seu olhar triunfante- não estou a dizer que aceito, mas...posso pelo menos dar uma ideia do que quero usar? Não quero parecer um espanador.

-Claro, sou uma profissional- respondeu ela colocaando a mão no peito- é certo que nos vão dar vestidos novos, mas eles não tem aquele tchanam, aquele brilho como os que eu costuro.

-Porque não usas tu os vestidos?

-Já te disse, eu não quero impressionar o principe....

-E eu quero?!

Ela revira os olhos e diz:

-Se não queres, eu posso arranjar outra modelo.

-Eu só faço isso por causa do meu irmão que precisa do dinheiro para os tratamentos, mas apenas por causa disso!

Ela pega na minha mão e diz:

-Temos acordo então? - limito a acenar com a cabeça -Parece que isto vai ser o inicio de uma grande amizade!

 

 

 

 

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publicado às 19:35


Ao meu Biscoito

por Elisabete Pereira, em 26.02.18

Era uma vez um gato preto e branco chamado Biscoito...podia ser o inicio de uma história infantil, mas as histórias infantis têm finais felizes, mas esta termina de forma trágica na madrugada de hoje, com o meu gato morto na estrada ao lado de minha casa.

Não quero dar ênfase a sua morte, até porque já é demasiado triste lembrar como morreu, prefiro antes contar como conheci e convivi com este meu "pequeno rei", era da primeira e única ninhada da minha gata Pipoca (também já falecida), foi amor á primeira vista, fiquei apaixonada por aquela pequenina bolinha de pêlo, eram três gatinhos (duas femeas e um macho), o macho ficou connosco, e fui vendo este pequenote a crescer e a tornar-se um lindo gato, muito meigo, bastava chamar por ele que já ouvia o seu miar ao longe, adorava roçar nas pernas das pessoas com quem tinha confiança, adorava receber festinhas, mas não gostava de que lhe pegassem ao colo, nunca o vi alguma vez ser agressivo durante a sua vida (1 ano e 7meses), mas tinha uma teimosia....nossa!!! Quem tem gatos sabe que quem manda são eles e não nós, as regras são deles, e se por exemplo esta noite não quiser ficar fechado não fica, nem vale a pena fazermos mil e um malabarismos escapam sempre, um episódio desses foi quando na noite da véspera de Natal o quis fechar no espaco onde ele dorme (por norma era sempre...ou quase sempre, quando ele deixava, fechado á noite para segurança dele) pois ele fincava os pés no chão, eu empurrava-o, e ele voltava para trás...pegava ao colo e ele saltava logo...estive nisto quase meia hora, fui vencida por ele, raios do danadinho, claro que não o podia culpar,  ele não entendia que eu fazia isto para o bem dele, e que o meu receio era que ele fosse atropelado ou morto por cães vadios (infelizmente "depositam" muitos por cá), que foi o que aconteceu esta madrugada.

Mas, vou guardar no meu coração o meu bichinho, e por lá irá morar até ao fim da minha vida.

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Um desenho inspirado nele

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publicado às 16:48


Amor de vidro

por Elisabete Pereira, em 22.02.18

Quando sinto o vento no meu rosto, lembro das tuas palavras

De como envolviam a minha alma, de como aqueciam o meu coração 

Como frágil vidro, um dia se partiu no chão 

Deixando os estilhaços espalhados por aí, não sobrando mais nada.

 

Fragmentos se alojaram na minha alma

O teu falso amor me infectou

Deixou um vazio que no meu coração se alojou

Um frio de alguém que já não ama

Mas que apenas sobrevive mais um dia que passa.

 

Um dia espero que encontres alguém 

Que a ames como um dia eu te amei

E que ela faça, como tu fizeste também 

E que te deixe, arrasado, magoado, como eu fiquei.

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publicado às 17:24


Dançando sob o abismo

por Elisabete Pereira, em 21.02.18

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...um,dois,três,e eis que a bailarina surge resplandecente.

Com o seu vestido tecido de estrelas, ela sorri suavemente.

E de repente sob a trave que atravessa o abismo, dança graciosamente.

A multidão capta a sua performance surpreendente.

 

...mas já alguém parou para pensar nela?

Ninguém pensa no sofrimento por detrás de sua dança bela.

Ninguém compreende a dor escondida por ela...

 

E por fim...a sua dança termina.

E ela desaparece pela cortina...

O seu rasto desaparece como neblina...

 

Amanhã mais uma vez

A sua dança irá continuar

E depois de amanhã, para sempre...um, dois, três...

 

 

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publicado às 22:16


Rabiscando no tablet 1#

por Elisabete Pereira, em 18.02.18

Uma das coisas que eu gosto de fazer é desenhar, eu desenhava muito mal em criança, mas sempre fui insistente, com o tempo a minha técnica melhorou muito, não que eu desenhe por aí além, mas, á uns tempos decidi fazer um desafio a mim mesma, desenho digital,mais especificamente no tablet, durante um tempo torci o nariz a isso, não me parecia uma boa ideia trocar o papel e lápis por algo digital e frio, mas cheguei á conclusão de que estava a ser uma xoninhas, e decidi dar uma oportunidade ao tablet, e fui insistindo, e aquilo até não correu mal, e desde aí sempre que tenho oportunidade, lá vou fazendo um novo desenho no tablet, aqui apresento alguns....

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... os restantes vou publicando aos poucos. Me aguardem ;) 

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publicado às 21:51


A minha professora da escola primária

por Elisabete Pereira, em 13.02.18

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Á uns dias ouvi na rádio sobre o facto de este ano ser atribuído o prémio de melhor professor do ano em Portugal, e recordei-me da minha professora da escola primária, a professora Conceição, ela acompanhou-me do primeiro ano até ao terceiro ano, altura em que mudei de escola.

Considero aínda hoje uma professora muito especial, e apesar de ter perdido o contacto com ela há muitos anos, guardo no coração as memórias que tenho dela, desde logo o facto de ter sido com ela que aprendi a ler e a escrever, o que só de si já é algo muito importante, mas também quando ela pegava nas composições que eu escrevia e ia mostrar ás outras professoras da escola porque eu escrevia muito bem para a idade que eu tinha na altura, e de como ela incentivava toda a turma a ler, numa época em que aínda nem existia o plano nacional de leitura, recordo de uma ocasião em particular em que ela pegou na coleção dos livros da Anita da própria filha, e colocou á disposição da turma para cada um de nós levar para casa e ler.

No final do nosso primeiro ano, ela levou-nos para fora da sala de aula e disse que tinha uma noticia para nos dar, que tinhamos passado de ano, e nisto entrega a cada um um livrinho de presente, o meu era, se não me engano "Pateta o detective".

Acho que o meu gosto pelos livros se deve muito á professora Conceição, mal acabei de ler os livros que podia levar para casa, ela deixou que eu levasse os exemplares de livros escolares que as editores entregavam nas escolas para os professores escolherem os que iriam usar no ano lectivo seguinte ( só levava os de Português e os de Estudo do Meio), no fim do terceiro ano ela deixou que cada aluno ficasse com exemplar desses livros.

A minha mãe por vezes, diz na brincadeira que eu fui demasiado mimada pela professora, mas eu até merecia, era boa aluna e gostava da escola (claro que quando fui para a preparatória a minha opinião sobre a escola mudou um pouco)

Já não a vejo á quase vinte anos, mas ainda assim é com grande carinho que relembro estas memórias que tenho dela.

(Na foto eu sou a magricela de óculos e cabelo á tigela...parece que estou numa posição estranha, mas estou apenas a comer o meu pão com tuli-creme, afinal a foto foi tirada na hora do lanche da manhã)

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publicado às 17:04


Uma história ainda sem titulo

por Elisabete Pereira, em 11.02.18

 Eu tenho uma imaginação muito fértil , gosto de sonhar acordada, e é nessas alturas que algumas histórias vêem ter comigo, muitas sao apenas pequenos fragmentos muito frageis e que rapidamente se desvanecem (vão directamente parar ao lixo), raras vezes surgem historias suficientemente consistentes e com capacidade para serem levadas até ao fim, mas esta é uma delas. Tudo começou com Charlotte, uma jovem um pouco impaciente e altiva que quis começar a contar esta história, eu aceitei e ela foi começando a desenrolar o novelo da história.

 

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(Ainda sem nome)

Capitulo1

Charlotte

Ainda não acredito no que está a acontecer, parece um longo pesadelo, o meu pai nunca faria aquilo contra o rei, a nossa familia sempre foi leal ao reino e ao nosso soberano, os nossos antepassados combateram para proteger a familia real, doaram o seu sangue e as suas vidas em nome dessa causa! Eu sei que ele foi apanhado com a espada ensaguentada nas mãos e o rei caido de bruços ao lado dele, mas ele afirmou que apenas tirara a espada das costas do rei, ninguém acreditou nele, até porque a única pessoa a poder confirmar, estava inconsciente a seu lado, e assim, foi levado como um reles bandido a tribunal, foi duro de o ver naquela situação, nunca tinha visto tão derrotado, tão exposto, foi uma humilhação! E o Peter?! Durante todo o julgamento ele nunca olhou para mim, manteve o olhar impassivel, mas eu conheço-o, sei que o que ele sente por mim, e isso não desaparece assim, é só uma fachada, ele tem de manter a postura como principe herdeiro, dar o exemplo, mas ainda assim doi muito, doi não poder ter o abraço dele e ele me dizer que vai correr tudo bem, doi vê-lo tão distante de mim. Tinha esperança que o meu pai fosse absolvido, mas não, deram-lhe pena de morte, com ordem de ser executado em praça pública daí a seis meses, a partir daí não ouvi mais nada, quando dei por mim, estava a acordar num espaço desconhecido, percebi que era a enfermaria do palácio real, ao meu lado estava a rainha, ela olhava para mim com um misto de preocupação e pena, ela e eu sabiamos que tudo estava acabado, não havia retorno, eu teria de ir embora, na minha mente imagens fluem em sucessão: quando conheci o principe tinha eu 11 anos e eu ainda nao usava vestidos nem joias e aínda subia ás árvores, e lhe dei um murro quando ele tentou me beijar,  apesar disso ficamos amigos, e com o tempo a amizade evoluiu para namoro e mais tarde no pedido formal de casamento, esse foi o dia mais feliz da minha vida,e como manda o protocolo, fui viver para o palácio na ala da princesa, aí fui aprendendo os ritos e a etiqueta para me tornar princesa e mais tarde rainha. Entretanto começaram os preparativos para o casamento, a primeira prova do vestido, o vestido que nunca irei usar,as aparições oficiais com a familia real, o baile da Primavera, em que eu e o Peter abrimos a pista de dança com uma valsa, naquele momento senti que eramos o par perfeito, eramos um só e o mundo parecia ter parado, eu estava tão feliz. Até que naquela fatidica madrugada tudo se estilhçou em mil pedaços, quando fui acordada aos solavancos pela minha criada, e esta me vestiu apressadamente sem olhar para mim, parecia ter visto os olhos dela vermelhos e inchados (estaria a chorar?) no fim fez algo que nunca havia feito, deu-me um beijo no rosto e saiu do meu quarto, entretanto guardas entraram no meu aposento, fiquei atónita com aquilo, não entendi porque me invadiram o quarto, até que um deles leu uma folha em que dizia que o meu pai foi apanhado em flagrante em acto de grande traição contra o rei e a coroa, nisto fui escoltada por eles que me levaram até ao tribunal que ficava próximo do palácio.

Chorei tanto naquela enfermaria, os meus sonhos desfeitos a injustiça contra o meu pai, a rainha foi bondosa e deixou-me ficar uma semana no palácio até ter a minha vida em ordem e partir, fui para uma ala mais afastada do pálacio e proibida de me encontrar com a familia real. Hoje é o meu último dia aqui, disseram que eu podia sair pelas traseiras se quisesse, mas eu não sou nenhum rato, não vou fugir como se fosse uma criminosa, o meu pai está inocente e eu vou prová-lo, ainda não sei como, mas vou fazê-lo. Acabo de retocar a maquilhagem ao espelho, dou uma olhada geral, estou incrível, apesar de tudo o que se abateu sobre mim, o vestido azul faz um bom contraste com a minha pele clara e o meu cabelo loiro, termino a indumentária com um chapeu de abas da mesma cor do vestido, pego na minha malinha que está em cima da cama e saio do quarto, sei que ninguém se irá despedir de mim, mas ainda tenho esperança de que Peter ainda me venha ver uma ultima vez, os meus pensamentos são interrompidos por uma algazarra de vozes femininas vindo do hall de entrada, dou um suspiro,um peso se abate sobre mim, são as candidatas para casarem com o príncipe herdeiro,o meu Peter... sei que é o protocolo,interiorizei isso durante toda a semana, acreditava que estava preparada para as enfrentar sem me afectar, mas ainda assim....

O hall de entrada estava repleto de raparigas de mais ou menos da minha idade, deviam ser umas trinta, uma por cada região do nosso reino, assim funcionava a lei, o principe herdeiro teria de se casar antes de ser coroado rei, o rei é coroado no dia em que faz 21 anos, é assim a lei, ele pode escolher quem quiser, mas se até 3 meses antes da coroação não encontrare ninguem com quem se queira casar, a "selecção da princesa" torna-se obrigatória, uma rapariga por cada região será escolhida por um grupo especial de homens ligados á coroa, e nas semanas seguintes vão sendo descartadas até restar aquela que será a futura rainha.

O meu coração aperta, por um instante penso que perdi Peter para sempre, mas eu ainda estou na luta,é só uma retirada estratégica, eu serei a futúra rainha e esposa de Peter, essas miudas não irão ganhar a mim, Charlotte Halle, filha dos duques de River Castle, e futura soberana de Eran.

No meio de tudo isto, uma das raparigas esbarra em mim, distraida observando em toda a volta.

-Cuidado!!!- grito-lhe irritada, observando o seu vestidinho completamente sem graça e fora de moda, provavelmente o vestido é de alguma irmã mais velha, e acrescento com desdém enquanto ela murmura um pedido de desculpas enquanto olha para o chão envergonhada.

-Não te vás acostumando a este lugar queridinha, o teu lugar não é aqui!

-Veremos!!-respondeu ela encarando-me determinada, com um sorrisinho no rosto, reparo que apesar da aparência algo desleixada que é uma rapariga muito bonita, seria até uma boa rival para mim,mas ela não tem hipótese, Peter ama-me.

Somos interrompidas por um dos mordomos do palácio:

-Menina Halle, os seus pertences estão no carro e o motorista está pronto para a levar para casa- Mais uma alfinetada no meu orgulho, já não sou mais "sua alteza, futura princesa Charlotte", sou apenas mais uma daquelas raparigas ali.

-Estou pronta- respondo com um ultimo laivo de dignidade, e viro costas á rapariga que me encarou e entro no carro, onde posso desabar sem ninguem ver.

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publicado às 17:06


Devo a minha adolescência a Harry Potter

por Elisabete Pereira, em 10.02.18

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O titulo pode parecer exagerado, mas para mim é bastante verdadeiro para mim, as aventuras do jovem feiticeiro criado por J.K.Rowling acompanhou-me desde os meus 10-11 anos. Tudo começou quando a biblioteca da minha escola renovou (finalmente) o stock de livros que se podiam requisitar e levar para ler, lembro perfeitamente do aspecto novo em folha daqueles livros, na altura, eu e a Cristiana (a minha melhor amiga daquela altura e que também adorava ler) vimos dois exemplares de "Harry Potter e a pedra filosofal", nós ficamos fascinadas pelo título, ainda não se falava do filme nem nada, por isso aquele universo ainda era desconhecido para nós, mas decidimos cada uma levar um exemplar e ver se o livro era bom...e era fantástico, lemos o livro num instante, e fomos as duas a correr para requisitar o livro seguinte, mas havia apenas um exemplar de "Harry Potter e a câmara dos segredos", por isso corremos até á biblioteca,  mas a minha amiga era maior e mais rápida do que eu, e ganhou-me (maldita seja!!!), não tive outro remédio que requisitar o terceiro livro da saga, até gostei do livro, mas como ainda não tinha lido o segundo livro, senti-me meia perdida em algumas partes que faziam referência ao livro anterior, mas isso não fez com que eu perdesse o fascinio pela saga, bem pelo contrário, no Natal seguinte já tinha em mãos os três primeiros livros, só não tive o quarto pois havia esgotado (a Cristiana só tinha comprado nessa altura o terceiro livro, toma, toma!!!), a partir daí todos os anos no Natal tinha um livro novo.

Lembro de na altura quando eu e a minha amiga trocávamos impressões sobre o livro, houve uma palavra que ela leu por engano e que ainda hoje me faz dar gargalhadas sempre que lembro disso, o termo era "cepa-torta" ( que é quando um filho de feiticeiros não tem poderes magicos, ou seja, é um "muggle"), a minha amiga por engano leu "vaca-torta"!!

Lembro também de como conseguimos convencer a nossa professora de Inglês do 7 ano a irmos ver ao cinema o primeiro filme de Harry Potter, a professora gostou tanto da ideia que a partilhou com outros professores, e assim todas as turmas de 7 ano da nossa escola foram ver o filme ao cinema.

Confesso que tive uma queda por Daniel Radcliffe ( que fazia a personagem de Harry Potter), mas também por Tom Felton (que fazia o personagem de Draco Malfoy), e tudo o que saísse sobre eles nas revistas adolescentes da época, eu fazia coleção, ainda hoje guardo o dossiê com as paginas que eu destacava das revistas. Também nessa época eu procurava estar actualizada sobre as novidades e os spoilers dos livros ou dos filmes,  e por isso guardei outro dossiê com coisas que tirava da internet relacionado com Harry Potter (spoilers, teorias, noticias, etc), enfim a minha vida adolescente girava muito á volta de Harry Potter, de tal modo que comecei a escrever algumas fanfics, nomeadamente uma sobre os fundadores de Hogwarts, em que eu escrevi sobre como eles tiveram a ideia de criar Hogwarts, ( já nem lembro bem como, nem lembro da história direito) inventei, inclusive uma personagem, o nome dela era Samantha Lewis, ela era descendente de Ravenclaw, e andava obviamente na equipa dos Ravenclaw, ela era do mesmo ano que a Luna Lovegood e a Ginny Weasley, enfim criei algumas aventuras sobre esta personagem criada por mim, que acabaram no vale do esquecimento que é o caixote do lixo.

No entanto, a verdade é que hoje em dia as coisas esmoreceram um pouco, não sei se foi por me ter tornado uma adulta, ou se foi o sétimo livro que me fez desiludir um pouco, inclino-me mais para a segunda hipótese, até porque só li o livro duas vezes desde que o comprei ( já o comprei á mais de dez anos), não gostei muito do final, a sério (vou dar spoiler), o Harry fica com a Ginny Weasly?? Para mim aquele final foi um pouco sem sal e nada a ver, mas entendo que a autora tenha sentido a pressão dos fans e criou aquele afinal, porque eu não acredito que fosse a ideia original, tudo levava a crer que ele iria morrer (pelo menos é a minha opinião).
Mas pronto, isso não mancha o carinho que eu tenho pela série de Harry Potter, nem pela autora, que eu acho que deve ser uma pessoa incrível , e que nos deu tanto, eu lembro que quando acabei de ler o primeiro livro, ainda eu era criança, e eu pensei "esta adulta tem uma imaginação incrível ", eu acreditava até ai que os adultos não tinham imaginacão ( ainda hoje acredito que há muitos adultos que não tem imaginação). Por isso, obrigado J.K.Rowling por ter colorido a minha adolescência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 17:37


A menina que sonhava com as estrelas

por Elisabete Pereira, em 08.02.18

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Era uma vez uma menina muito inteligente e corajosa que vivia num lugar muito distante daqui, essa menina tinha um sonho, voar até ás estrelas e pegar na mais brilhante de todas, e iluminar a sua casa, pois a sua familia era muito pobre e não tinha luz em casa. Mas as estrelas ficavam muito longe, e não havia escadote que fosse grande o suficiente para lá chegar, então ela decidiu construir umas asas e como os pássaros, chegar até ao céu buscar estrela, foi então procurar as penas em muitos lugares, nos galinheiros dos vizinhos, nos ninhos abandonados, arranjou então muitas penas, mas ainda faltava uma, então lembrou-se da pena que a mãe lhe ofereceu no seu aniversário, era uma pena de pavão linda, então ela foi buscar a sua pena e colou-a com todas as outras penas que encontrou e construiu as suas asas, coloco-as nas suas costas e prendeu as pontas em cada braço, depois foi para uma colina que ficava ao lado de sua casa e comeceu a correr muito rápido e a bater braços, quando chegou ao fim da colina deu balanço e, de repente começou a voar, cada vez mais alto, primeiro por cima das árvores e das casas, depois ultrapassou as nuvens. Quando chegou muito alto e via a sua casa como um pontinho muito pequeno, ficou com medo, e pensou :

-E se eu me perder? E se não conseguir voltar para casa?

Mas depois quando viu a estrela maior e mais brilhante de todas, esqueceu o medo, mal estendeu as mãos para a apanhar, a estrelaa abriu os olhos e disse-lhe :

-Não me leves para longe das minhas irmãs, eu quero ficar com as outras estrelas que são a minha família. A menina respondeu:

-Mas eu queria levar-te para minha casa, lá podes brilhar e iluminar a minha casa, tambem podes ver as outras estrelas à noite.

A estrela respondeu:

-De certeza que também não gostarias de deixar a tua familia pois não? Irias ter muitas saudades deles.

-Tens razão -disse a menina com voz triste- Mas eu fiz uma viagem tão longa, e agora vou voltar para casa sem nada.

-Não é verdade - espondeu a estrela - Nós podemos ser amigas, e assim quando voltares para casa podes dizer que és amiga da estrela mais brilhante de todas.

-Mas ninguém vai acreditar em mim, não tenho como o provar.

A estrela entrega á menina uma caixinha e diz:

-Esta caixinha tem um pó especial e muito raro, é pó das estrelas, quem usa este pó consegue voar e brilhar como uma estrela.

-Obrigada - Respondeu a menina e pegando na pena de pavão, entregou-a á estrela - Como sinal de agredecimento vou te dar a pena mais bonita das minhas asas.

A estrela agradeceu, e as duas deram um grande abraço, depois foram voar pelo ceu fora, brincaram muito e a estrela mostrou-lhe muitos lugares bonitos no universo.

No fim as duas despediram-se e a menina regressou a casa, onde foi ter com a mãe e disse-lhe:

-Mãe, nem imaginas onde estive, voei até ás estrelas e conheci a mais bonita de todas, olha o que ela me deu.

-O que é? - perguntou a mãe da menina ao ver a caixinha.

-É pó das estrelas, é muito especial, pois com este pó podemos brilhar e voar como as estrelas, e assim já não precisamos de usar velas.

- Mais vale guardares a caixinha, como foi um presente especial, não deve ser usado muitas vezes, senão desaparece rapidamente.

-Tens razão mãe, vou guardar com muito carinho a caixinha.

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E assim a menina guardou a caixinha, e sempre que tinha saudades da estrela, abria a caixinha e observava a luz do pó, que era semelhante á luz da estrela. O tempo passou e a menina cresceu, mas ela conservou a caixinha consigo, e um dia ofereceu aos filhos a caixinha, e pediu para que estes também guardassem a caixinha e eles assim o fizeram, e a caixinha passou de geração em geração, conservando para sempre a amizade da menina e da estrela.

 

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publicado às 17:58


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