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Há situações no dia a dia que acabam por tirar o nosso bom humor, ás vezes são bem pequenas, tão pequenas que nem deviam ter importância, mas têm, aliás ganham contornos épicos de chatice, no meu caso foi uma pequena peça de plástico que tramou o meu dia, nomeadamente da caneta que uso para desenhar no tablet, é um genero de disco que fica na ponta da caneta e permite desenhar, e sem isso não há nada para ninguém, e num pequeno incidente caiu, para nunca mais voltar, ainda estive um bom tempo de rabo para o ar a procura da dita, mas eclipsou-se.

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Eu tenho outra caneta de um modelo diferente, mas da mesma marca, mas para mim não é tão boa como esta, pois esta permitia fazer um desenho mais preciso e a outra não, esta é mais simples, mas consigo de certa forma controlar melhor o traço. Claro que posso resolver a situação rapidamente, e encomendar no site da marca para arranjar uma peça igual para a substituir, mas iria custar com os portes de envio incluidos, mais de 30 euros ( e sinceramente não vale a pena até porque tenho outra caneta). Mas chateia porque já estava habituada á caneta, e esta para mim é mais dificil, logo a começar a caneta que uso agora é eletrónica e a outra não, e o traço aparece ás ondinhas na app que eu uso para desenhar, e por isso tenho que ter mais cuidado a desenhar, e por vezes o desenho não sai como queria.

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Até me ambientar á nova caneta, lá vou treinando uns desenhos mais ou menos tortos, no meu tablet (fixe era uma das grandes marcas facultar-me um daqueles tablets xpto com canetas próprias para desenhos, mas como não sou nenhuma "influencer" bem posso tirar o cavalinho da chuva, e amanhar-me com o que tenho, o que já não é mau ,mas como sonhar ainda é de graça, lá vou sonhando com o dia em que uma simples peça de plástico não me estrague o resto do dia

 

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publicado às 16:40


Finalmente...a praia e o mar

por Elisabete Pereira, em 06.08.18

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Já passou mais de um ano desde a última vez que fui á praia, foi algures em Junho do ano passado, quando tive uma semana de férias, que acabou por coincidir com uns dias que o meu pai ficou em casa, terei ido cerca de duas vezes, e depois o meu trabalho e mais tarde um acidente de trabalho que o meu pai teve, acabaram por me afastar das idas da praia. E eu que gosto muito de

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praia desde que me conheço (tirando a temperatura glacial da água do mar), também gosto de ir na companhia dos meus pais, nunca fui aquela pessoa que ia á praia com um grupo de amigos, ou sozinha, sempre fui com os meus pais, e nunca tive vergonha deles, sei que não é muito comum, mas a verdade é que para mim sempre me pareceu algo natural, sou um ser algo esquisito eu sei.

E este ano, com o tempinho que temos tido, até quase ao inicio de Agosto, e sempre que era o meu dia de folga, nunca estava bom tempo para ir á praia, e eu a pensar que ia passar o restante do verão sem pôr os meus pezinhos na areia, por um incrível cruzamento cósmico, estes dias, finalmente fui á praia, foi só uma manhã mas soube-me pela vida. 

Eu sei que há as praias fluviais e piscinas fantásticas, mas para mim não é a mesma coisa, eu tenho que sentir a areia a arranhar os pés, o cheiro da maresia, ver as ondas do mar, etc. Acredito que me dá forças para enfrentar mais um ano ou é só uma cena esquisita minha. De qualquer das formas, foi muito bom para mim poder ter ido lá, só que toda a bela tem o seu senão...e como numa espécie de ironia do destino, a água estava cheia de algas, o que não é muito comum nessa praia, aquilo estava uma espécie de caldo verde, (quando cheguei a casa e tomei banho, encontrei algas inclusive em sitios "onde o sol não brilha" ) só faltava as rodelas de chouriço, e estava pronto a servir...mentira, que ninguém come sopa gelada...tirando o gaspacho...

Eu vou a esta praia em especial, desde os meus nove anos, e a partir daí ficou a praia de eleição da família, todos os anos estamos lá batidos, é uma praia que não tem muito comércio á volta, tirando o hotel que está praticamente ao lado da praia, e uma ou outra loja (ok também tem uma discoteca conhecida que fica próxima da praia) é daqueles lugares que ainda consegue ter algum sossego, não te sentes sem lugar para pôr a toalha (tirando os tipos de pessoa que gostam de se colar a ti o mais possível, mesmo tendo imenso espaço em toda a praia só para eles). Lembro de durante anos, ver uma placa á entrada que dizia o seguinte "praia com ar condicionado" (sempre achei imensa piada á placa, é de um grande sentido de humor) . Entretanto essa placa desapareceu, e este ano vi na praia, espetada na areia uma placa a dizer:

"Keep Calm 

Praia com ar condicionado

Hoje não está Nortada!"

(Podem ver a tal placa na primeira foto do post).

Neste momento cruzo os dedos para poder pelo menos ir mais uma vez á praia este ano, é que sabe sempre a pouco, se bem que hoje o tempo trocou-me as voltas, talvez consiga na próxima semana, mas até lá, digo para mim mesma, Keep calm...

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publicado às 22:24


Rabiscando no tablet 15#

por Elisabete Pereira, em 04.08.18

Desta vez são menos desenhos, e assim aproveito para anunciar que vou dar uma pequena pausa nos desenhos, em princípio retomo em Setembro, não por ir de Férias (infelizmente ainda nem sei quando vou) mas por ser uma época de muito trabalho na minha área, e por isso não me consigo de momento me comprometer com a quantidade de desenhos que eu gostaria

Por isso...enjoy!!

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publicado às 16:35


Apesar de tudo, és mais forte do que eles

por Elisabete Pereira, em 03.08.18

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Há um tempo em Espanha, todas as mulheres se uniram por um caso de violação que deu muito que falar devido á injustiça da maneira como foi tratado nos tribunais, que alegavam que foi um caso não de violação mas de abuso as suas repercussões foram além fronteiras, e as várias ashtags criadas na altura (entre elas #Nonesabusoesviolation) e estas correram o mundo ,mas apesar de tudo isso, o desfecho final, não foi dos mais felizes, e o grupo conhecido como "La manada" foi libertado por "terem perdido o anonimato e por viverem a mais de 500 km da vítima " e portanto, sendo assim tudo bem não é? Nem há o perigo deste bando atacar outras mulheres nem nada.... (pausa para tentar entender o ridiculo da sentença final...hum...não...peço desculpa, mas não consigo entender...)

Culpabilizo-me um pouco, por só agora falar disto, quando a sentença final foi há mais de um mês, e isto é daquelas coisas que nunca deve ser esquecida, porque nós as mulheres ainda carregamos (somos vistas) mesmo inconscientemente, de que a culpa de alguma maneira, é sempre nossa, de que os homens coitados, sucumbem aos nossos encantos (pausa para eu fazer um gesto de revirar os olhos) de que é quase impossível fazer frente. Isto é terrível nos dias de hoje, e é para mim uma questão de união feminina, porque todas nós sem excepção estamos sujeitas a isto, ou acham que algumas decisões em tribunal mesmo cá em Portugal são tomadas a partir do quê? (Lembram-se de casos de juízes darem veredictos de violência doméstica em que culpabilizam as mulheres, e até mesmo de que um estalo numa mulher não faz mal nenhum, sim isto infelizmente ainda existe em pleno sec XXI)  Mas não é disso que quero escrever aqui, até porque já muita coisa foi escrita sobre o assunto, mas sim, da forma como esta jovem em questão reagiu a tudo isto.

Abaixo ficam várias citações de uma carta que esta jovem corajosa e forte decidiu enviar para um canal de televisão espanhol, e que acima de tudo revelam alguém que apesar do que se passou não se escondeu no papel de vitima, muito pelo contrário, ela levantou a sua voz para que outros não passem pelo mesmo.

 

"Suponho que vão pensar que esta carta é para contar a minha versão e a minha experiência, mas não é. Esta carta é de agradecimento. Mãe, pai, obrigada não só pelo apoio mas por arranjarem forças onde não as tinham e terem-nas dado a mim. Obrigada por tudo o que me ensinaram e por tudo o que me vão ensinar, mas sobretudo por não me abandonarem, e por não se abandonarem um ao outro", começou por escrever a jovem, que agradeceu ainda a mais familiares e amigos pelo apoio.

"Quero agradecer a toda a gente que sem me conhecer tomou Espanha e me deu voz quando muitos a tentaram tirar. Obrigada por não me deixarem sozinha. Por acreditarem em mim, irmãs. Obrigada por tudo, de coração", continuou por dizer.

"Obrigada a todos os que falaram de mim um segundo para repudiar o que aconteceu. Associações, pessoas na rua, personalidades politicas, famosos, jornalistas que me respeitaram e, em geral, a todos os que se preocuparam comigo. Obrigada por me fazerem sentir outra vez parte da sociedade em que parece que se te violam tens que levar um cartaz de violada pendurado ao pescoço"

 

"Obrigada por lutarem, gritarem, chorarem e apoiarem esta causa. Por último, e para mim o mais importante: denunciem. Ninguém tem que passar por isto. Ninguém tem que se arrepender de beber, de falar com pessoas numa festa, de ir sozinha para casa ou de usar uma mini-saia. Temos que nos lamentar todos da mentalidade que tem esta sociedade onde isto pode acontecer a qualquer pessoa. Garanto-vos. Tenham cuidado com o que dizem, não sabem quantas vezes ouvi falar da ‘rapariga de San Fermín’ sem saber se essa rapariga estava sentada ao seu lado. Seguramente, não sou a ‘rapariga de San Fermín’. Sou a filha, neta, amiga e talvez, esse ‘de’ são alguns de vocês, assim que por favor pensem antes de falar"

"Da mesma forma que estamos mentalizados e não gozamos com uma doença, não podemos gozar com uma violação. É indecente e está nas nossas mãos mudá-lo. Por favor, só vos peço que por muito que achem que não vão acreditar em vocês, denunciem"

"Para todas as mulheres, homens, raparigas, rapazes, que estão a passar por algo parecido: pode-se sair. Vão pensar que não têm forças para lutar, mas vai surpreender-vos a força que têm os seres humanos. Contem a um amigo, a um familiar, à polícia, num tweet, façam-no como quiserem, mas contem. Não fiquem calados, porque se o fizerem, estão a deixá-los ganhar".

 

E ela tem razão, denunciem, não fiquem calados. Mesmo numa situação tão delicada, ela demonstrou que apesar de tudo, é mais forte do que eles...

 

(Parte da fonte da pesquisa da informação foi retirado do site do Diário de Notícias e do Correio da Manhã)

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publicado às 08:31

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 Estes dias vi um post no Facebook sobre o chamado "imposto cor de rosa" (pink tax), eu nunca tinha ouvido falar nele, mas basicamente este imposto refere-se ao facto de em certos productos as mulheres pagarem mais do que os productos equivalentes para homens, e por vezes esse motivo é..... (rufar de tambores )Por ser para mulheres. Ok, há certas razões que realmente fazem sentido nas discrepâncias de preços, (nomeadamente no uso de matéria prima em alguns productos que é maior no caso das mulheres do que dos homens) por outro lado dá a sensação de descriminação, por exemplo na roupa e calçado compreendo um pouco que haja essa diferença devido á complexidade da criação das peças para mulheres. Esta realidade não é tão comum em Portugal (mas existe), mas por exemplo nos Estados Unidos da América, é mais notório, e já houve um estudo onde se compararam mais de 800 productos, e chegou-se á conclusão de que realmente existem diferenças de preços (cerca de 7%) sem haver um verdadeiro motivo para isso, ou melhor, não existe uma ideia concreta do porquê desse motivo. No fundo as várias empresas que foram alvo do estudo dão vários motivos, mas não existe uma unanimidade na resposta, inclusive não se sabe ao certo onde o "imposto cor-de-rosa" é acrescentado durante todo o processo de transformação da matéria prima, até ao producto final á venda nas lojas, é quase uma espécie de imposto fantasma, não existe documentação que prove a sua implementação. Há quem diga que o tal imposto tem a ver com a procura de productos (roupa, calçado, etc.) por norma ser superior por parte das mulheres do que dos homens e por isso pagam mais. De qualquer das formas, o curioso é o seguinte, por norma as mulheres ganham menos do que os homens em profissões similares, e no entanto têm de pagar mais por productos em muito semelhantes aos dos homens, tá giro...

Da próxima vez que forem ás compras, comparem os productos similares de homens e de mulheres, e no fim tirem as vossas conclusões.

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publicado às 17:32


Uma história ainda sem título (parte 10)

por Elisabete Pereira, em 27.07.18

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Capítulo 10

Lucy

 

"Querido Thomas, envio-te esta carta para te pôr a par de tudo o que tem acontecido por cá, a vida no palácio é bem diferente daquilo que eu imaginava, é bem mais complicado ser candidata a princesa do que se aparenta, todos os dias aprendo algo novo, desde usar vestidos compridos e sapatos de salto (imagina o meu esforço em me equilibrar neles, não te rias!), a minha criada ( sim, cada uma de nós tem uma criada ao nosso dispor) ajuda-me a vestir e maquilhar, é verdade, a maquilhar, eu que nunca usei maquilhagem na vida, mas aqui é a norma, temos de andar sempre muito apresentavaeis, caso surja uma câmara de repente por detrás de algum jarrão, mas continuando, depois também temos aulas de etiqueta para sabermos nos comportar em público, desde o caminhar, saber estar em público, aprender linguagem corporal...a esta hora já sei que estás a dormir de tédio, mas podia ser pior, imagina que eras tu no meu lugar. Enfim, um monte de chatices que por vezes me levam a pensar se foi boa ideia eu ter decidido participar da seleção, mas depois penso no meu irmão, e isso dá-me força para continuar. Já agora, que história é essa de quereres começar agora a ler e a escrever? Vamos ter de falar seriamente sobre isso quando nos voltarmos a encontrar e sabes bem porquê. Por agora é tudo, espero brevemente receber uma carta da tua parte em resposta á minha. Um abraço da tua melhor amiga

Lucy"

 

Releio a carta para ver se encontro algum erro ou se deixei escapar algo, e coloco-a no envelope, omiti de propósito a parte dos meus encontros "acidentais" com o principe Peter e o principe Noah, sou uma mulher que cumpre a sua palavra, e por isso mantenho segredo sobre o sucedido. Embora neste momento eu me sinta um pouco aborrecida com o principe Peter, como ele pode ter um encontro com aquela idiota da Josie Fleetwood , o primeiro encontro de todos e foi logo escolhê-la? Josie praticamente espalhou a noticia na véspera, mostrando a todas nós o bilhete escrito pelo principe a convida-la para um passeio a cavalo. Ele podia escolher outra rapariga, mas não, tinha mesmo de ser ela. Amarfanho um pedaço de papel e atiro-o para o cesto de papeis, mas não vale a pena pensar sobre isso, e por isso pego no envelope e chamo por Claire:

- Claire, não te importas de me levar esta carta ao posto dos correios do palácio?- ela para de imediato de limpar coisas que já estavam limpas e sorri com a perspectiva de fazer algo útil - Eu até ía lá, mas com o meu péssimo sentido de orientação o mais provável é que eu me vá perder.

- Claro menina, eu volto num instante - diz ela ao pegar na carta e colocar no bolso do uniforme - não me demoro nada.

- Podes demorar o tempo que quiseres - ela quase protesta, mas eu rebato - Isto está tudo imaculado, não há nada para fazeres aqui, podes tirar o dia de folga.

- Obrigado menina, mas tem a certeza? - ela olha para mim claramente agradecida mas receosa ao mesmo tempo - por acaso precisava de tratar de umas coisas, mas como não é muito habitual darem-nos folga com muita frequência ...

- Vocês não têm folga? - pergunto incrédula - Mas isso não faz sentido, que eu saiba todos os trabalhadores têm direito a uma folga semanal, está na lei.

- Aqui no palácio as coisas funcionam de uma maneira...um pouco diferente. Mas não a quero aborrecer com coisas de criadas, se ma dá licença, eu vou então tratar da entrega da sua carta.

- Obrigada Claire.

Ela responde com um aceno e rapidamente abandona o meu quarto. Por vezes sinto-me egoista, e este foi um desses momentos, perceber que a Claire e as outras criadas do palácio tem uma vida que basicamente gira em torno do que acontece com os outros, e que praticamente não têm tempo para elas mesmas, e pensar que ás vezes reclamo por coisas tão mesquinhas. Preciso mudar um pouco isso, e portanto, tomei uma decisão, conhecer um pouco melhor aqueles que vivem nas sombras do palácio mas que são fundamentais para que tudo funcione. Sou interrompida por uma batida na porta do meu quarto.

- Quem é? - pergunto.

- Emma, a criada da menina Violet, posso entrar?

- Sim podes. - digo enquanto abro a porta- Foi a Violet quem pediu para vires cá?

- Não menina, na verdade pediram-me para lhe entregar um bilhete. - ela entrega-me um pequeno papel - da parte do principe Noah.

Leio o bilhete num instante, onde está escrito para eu ir ter á porta do quarto dele daí a umas horas.

- Obrigada Emma...hum, posso pedir-te um favor?

- Sim pode, de que se trata menina?

- Podias levar-me até ás cozinhas do palácio? - Achei que era uma boa ideia agradecer o convite do principe Noah oferecendo biscoitos feitos por mim - Se não houver problema, claro.

- Desculpe a minha pergunta, mas porque lá quer ir? -ela olha para mim preocupada- alguma reclamação, algo não a agradou?

- Não, não é nada disso, mas gostaria de fazer uns biscoitos caseiros para oferecer ao principe Noah, podes levar-me até lá?

- Não me importo nada de a levar lá.- ela olha para mim desconfiada- Mas tem a certeza de que quer fazer isso?

-Tenho, vamos lá? - digo entusiasmada - Não quero perder tempo.

******************************************

Olho para o temporizador, ainda faltam 15 minutos para os biscoitos ficarem prontos, por isso começo a arrumar a confusão que fiz na bancada ao preparar os biscoitos, mas os ajudantes de cozinha não me deixam

- Nem pensar menina, nós arrumamos isto -diz uma senhora baixinha pegando no pano que eu tinha na mão- Vá, sente-se ali um bocadinho enquanto espera pelos biscoitos.

Sorrio com a amabilidade, mas ao mesmo tempo sinto-me desconfortável por ser tratada como se fosse de porcelana, em casa estava habituada a fazer de tudo.

Quando entrei na cozinha á cerca de uma hora com Emma atrás de mim, o movimento da cozinha parou, senti vários olhares fixos em mim, principalmente quando pedi uma parte da bancada para fazer os meus biscoitos, mas lá me deixaram, entretanto, um grupo de curiosos juntou-se atrás de mim a observarem o que eu estava a fazer, aos poucos começaram a falar comigo, a fazer perguntas, e no final já conversava com eles quase como se os conhecesse desde sempre, inclusive um deles quis oferecer-me um copo de licor, que eu recusei de forma educada.

- Então John? -ralhou a senhora baixinha, parecia ser a líder daquela cozinha- Ainda nem é meio-dia e estás a oferecer uma bebida alcoólica á menina?

- É só um gole de licor de arroz Esther! -diz o cozinheiro - Isto quase nem tem álcool.

- Desculpe menina, John é um excelente cozinheiro, mas por vezes há qualquer coisa naquela cabeça que não funciona - diz Esther censurando o comportamento do colega - espero que este incidente não influencie a sua opinião sobre nós.

- Não se preocupe, eu adorei estar aqui.

- Pode vir as vezes que quiser.

- Eu gostaria muito.

O temporizador finalmente tocou e fui ver os meus biscoitos, rapidamente um cheirinho a canela e chocolate inundou a cozinha enorme, dei vários dos biscoitos para eles e fiquei com uma pequena parte para mim, eles arranjaram-me uma pequena caixa de papel onde os guardei.

- Obrigada. - digo ao pegar na caixa e a preparar-me para sair - Fica prometido que eu irei voltar.

Regressamos pelo corredor em silêncio, mas eu noto que Emma me olha de um jeito curioso, por várias vezes parecia que ia dizer alguma coisa, mas perdia a coragem, por fim chegamos até ao meu quarto, mas antes de cada uma seguir o seu caminho pedi-lhe para ela não contar nada a Violet sobre a minha incursão nas cozinhas.

- Não se preocupe. - diz ela educadamente - Não irei contar nada, até porque a menina Violet por vezes é um pouco...excêntrica, e não me parece que ela fosse ficar indiferente sobre esse assunto, se é que me entende.

- Entendo sim, obrigada Emma.

- De nada menina, se precisar de mais alguma coisa, é só pedir.

Fecho a porta do meu quarto e coloco a caixinha com os biscoitos na secretária, o bilhete diz para ir ter á porta do quarto do principe Noah daí a umas horas, o que me dá tempo para dar uma vista de olhos nos livros de estudo, e por isso, decido começar pelos exercicios mais dificeis de cálculo.

***********************************

Um segurança mal encarado olha para mim de alto a baixo, o que me faz sentir algo desconfortável, no entanto até consigo perceber a atitude dele.

- O que traz aí? - pergunta olhando para a minha caixinha de cartão - não são permitidos objectos desconhecidos no aposento do principe Noah.

- São biscoitos que eu própria fiz- digo num resmungo- não é nenhuma bomba.

A porta por traz dele abre-se com um rangido e a cabeça do principe Noah surge por entre a fresta aberta.

- Alguém falou em biscoitos?- perguntou ele divertido - Podes deixa-la entrar Nigel.

- Com certeza, menino.- o tipo tão grande como um armário desvia-se da porta e permite a minha passagem.

O Quarto do principe Noah é o reflexo de um jovem adolescente, eu nunca diria que estava no quarto de um principe, tirando o facto de aquele quarto ser enorme e ter mais coisas do que qualquer outro adolescente, a cama está completamente desarrumada, roupas espalhadas por diversos lados, pôsteres nas paredes de filmes de ficção científica, vários livros abertos na secretária, num canto ao lado de uma das janelas estão dois bancos e uma pequena mesa com um tabuleiro de xadrez. Noah pega na minha caixa e coloca-a em cima da cama, o que me leva a torcer um pouco o nariz, ele ri da minha expressão:

- Não te preocupes, que a cama está limpa. Vamos lá começar com a diversão ! - diz ele guiando-me até á mesa de xadrez - vou começar por te ensinar as regras.

Meia hora depois, estava a ser cilindrada por ele.

- Acho que nunca irei atinar com isto - digo desanimada enquanto Noah derruba mais um dos meus peões, e as minhas peças amontoam-se cada vez mais do lado de fora do tabuleiro- posso desistir?

- Vá lá Lucy, isto está a ser divertido.

- Só se for para ti que estás a ganhar- resmungo cruzando os braços- não tenho nada contra, mas isto não é para mim...

- Eu também achava isso de inicio, quando a minha mãe começou a ensinar-me, eu odiava o xadrez, mas isso foi uma ponte de aproximação entre nós dois, é dos poucos momentos que temos de mãe e filho...

- Desculpa se te vou magoar ao dizer isto, mas não acho muito normal o relacionamento entre vós. Eu e os meus pais sempre fomos muito próximos, sempre tivemos uma ligação muito forte.

- Os meus pais não são pessoas comuns, o que já de si justifica um pouco a sua distância para com os filhos, mas para além disso, a minha mãe sempre foi algo reservada, e nunca foi dada a grandes relações de afectos.

Como o tema está a criar um momento contrangedor entre nós, mudo de assunto:

- E os teus irmãos? Como é vocês se relacionam?

- Ariana é a mais velha, mas pela lei, não pode vir alguma vez a ser rainha por ser mulher, embora eu ache que ela desse uma rainha tremenda, nasceu para reinar, mas infelizmente nasceu no corpo errado, embora isso não a tenha tornado infeliz, ela adora a viajar pelo mundo conhecer novas culturas, no fundo é um pouco como uma diplomata do nosso reino, quando regressa tem sempre muitas histórias para contar sem contar com os presentes que traz. Peter é dois anos mais novo do que Ariana, e é o seu oposto, acho que se ele pudesse escolher, não iria querer ser rei, não tem vocação para isso, e tem plena consciência de tal, mas sabe que é isso que esperam dele, e por uma questão do dever e lealdade para com o reino, ele submete-se a isso.

- Mas, porque não mudam as leis? - digo eu surpreendida com aquela revelação inesperada - assim só tornam duas pessoas infelizes....

- Ainda tens que compreender muita coisa sobre o que é a realeza de Eran, é tudo uma questão de imagem, nós temos que saber manter as aparências desde muito cedo,além disso as leis são muito antigas, e não é propriamente o rei que manda ou cria as leis, são os seus conselheiros, muitos deles bastante mais velhos do que o meu pai, que fazem e mudam as leis, no fundo o rei é apenas um actor das vontades dos bastidores. Acredita que o meu pai tentou durante anos mudar as coisas, mas infelizmente nunca o conseguiu.

- Mas não devia ser assim. - pego na caixa de biscoitos e coloco-a na mesinha de xadrez, enquanto Noah arruma o tabuleiro e as peças - Eu sempre pensei que o centro do poder era o rei, pelo menos deveria ser assim.

- Nós somos um pouco vitimas do nosso título - Noah responde com um suspiro - Não é propriamente divertido pertencer á realeza.

- Conheço umas quantas raparigas que não se importariam nada de fazer parte desse circulo - respondo enquanto pego num biscoito - Desde que usem uma coroa, para elas está tudo bem.

- É nestas alturas que sinto pena do meu irmão - ele sorri um pouco antes de comer um dos biscoitos - Ter de lidar com um bando de raparigas dispostas a tudo para conquistar um lugar de destaque, não é para todos, eu teria mandado para casa mais de metade delas na hora.

- Eu incluida? - pergunto em jeito de provocação - Por vezes consigo ser bastante temperamental.

- Claro que não, onde encontraria alguém que fosse perder comigo no xadrez? Assim tenho sempre a vitória assegurada.

- Isso é só porque ainda sou uma novata, daqui a pouco tempo dou-te uma abada.

- Ah! Isso é uma promessa de que vais jogar comigo mais vezes?

- Talvez,mas com uma contrapartida.

- E qual é a contrapartida?

- Bem, eu sinto-me um pouco mal em dizer isto...mas...percebi que os criados do palácio não têm tantos beneficios como os outros trabalhadores do reino, nomeadamente...as folgas, era possivel eles terem um dia de descanso semanal?

- Lucy, eu não te posso prometer isso, nem sei como poderia fazer algo a respeito... - Noah coça a cabeça num gesto pensativo - mas, se eu falar com o Peter talvez ele consiga algo.

- Não quero nada vindo da parte dele - digo de forma algo rispida, mas arrependo-me logo - quer dizer, não lhe quero causar mais transtornos...

- Até parece que não gostas dele Lucy. - responde ele divertido - Ou será outra coisa?

- A conversa não está a ir por um bom caminho, se calhar está na hora de ir embora...

- Pelo que me recordo, ele hoje tem um encontro com uma das selecionadas... - ele levanta-se e vai até a uma das janelas do quarto - Uma tal de Josie...Fleetwood, se não me engano. Devem estar neste momento a passear a cavalo.

-Acho que sim. - digo fingindo tirar um cabelo do meu ombro -  Faz parte do jogo não é? Isto no fundo é um concurso, e a melhor ganha a coroa.

- Não deveria ser o principe? - pergunta Noah confuso- Além disso é ele quem escolhe.

- Deveria, mas para algumas isso não faz qualquer diferença. Como é o caso dessa Josie. - respondo sem rodeios - Ela é uma alpinista social, e não terá o menor problema em mostrar o seu pior lado para o conseguir.

- Ainda assim acho que o meu irmão terá bom senso na hora de escolher a sua futura companheira. - Noah diz peremptoriamente - Não me parece que ele se vá deixar levar com tanta facilidade.

- Como o foi com a Charlotte Halle? - a minha pergunta apanhou Noah de surpresa - Não acho que seja um bom exemplo da capacidade de discernimento do principe Peter.

- Tu não o conheces, por isso é que não confias nele - ele cruza os braços antes de continuar - A Charlotte é um assunto diferente, foi o pai dela quem fez o que fez, não ela. Por muito que a deteste, sei que ela gostava demasiado de Peter para lhe fazer algum mal.

Poucos segundos depois a porta do quarto abre-se com um rangido, e o principe Peter entra sem cerimónia resmungando alguma coisa que não consigo perceber, só uns segundos depois é que ele dá conta da minha presença no quarto do irmão: 

- Desculpe, não sabia que Noah tinha companhia - ele dá meia volta e dirige-se para a porta - Eu volto noutra altura.

- Deixa-te disso Peter -responde Noah - Podes estar cá á vontade, tenho a certeza de que a Lucy não se irá importar com a tua presença.

- Claro que não - respondo levantando-me -Aliás, eu já estava de saída, tenho de tratar de algumas coisas.

- Se é assim, tenho a certeza de que Peter não se vai importar em te acompanhar ao teu quarto - responde Noah com entusiasmo - Tenho a certeza que devem ter muito para conversar.

- Eu...não sei se a menina Brown irá querer a minha companhia...

- Por mim é indiferente - respondo encolhendo os ombros - Não tenho qualquer problema em relação a isso.

Mas claramente eu importava-me demasiado com isso, custava-me aceitar como em tão pouco tempo ele estava a tomar um lugar de destaque nos meus pensamentos, o que não quer dizer que eu esteja a gostar dele, é impossível eu sentir algo por ele.

 

 

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publicado às 16:04


Bé cartoon 9#

por Elisabete Pereira, em 26.07.18

Já dizia o outro :" a necessidade reforça o engenho", principalmente quando não sobra muito dinheiro...

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Estas semanas só tenho andado inspirada em fazer estes "pseudo-coisinhos", o blogue tem estado um pouco parado, mas prometo que vou torná-lo mais activo, espero eu...

 

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publicado às 18:28


Bé cartoon 8#

por Elisabete Pereira, em 23.07.18

Porque agora o running está na moda, e toda a gente faz running porque é a coisa mais cool do momento, aquilo até é giro, o problema é que cansa muito....

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publicado às 16:38


Bé cartoon 7#

por Elisabete Pereira, em 20.07.18

Mais um pseudo cartoon, desta vez a pensar naqueles amigos que nos querem cravar uma trinca no gelado, mas no final comem o gelado quase todo.

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publicado às 17:36


Naquelas alturas em que nada da certo na vida

por Elisabete Pereira, em 20.07.18

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Por vezes a vida tem destes caminhos, que não dão a lado nenhum, por várias escolhas que faças, elas só te farão perder tempo, dás o salto, arriscas, mas no fim só te vais desiludir... Tentas dar a volta, mas encontras as portas trancadas, tu até tens as chaves correctas, mas as portas não se abrem...é duro perceber que as tuas escolhas deram errado, que o caminho não é esse, mas qual é o caminho a seguir? Qual é o plano? Não há mais escolhas, o que vais fazer daqui para a frente? Há quem deposite demasiadas expectativas sobre ti, não as queres desiludir, mas sentes que estás sobre um fino fio de arame a equilibrar-te de forma precária para não caíres no abismo...as coisas amanhã ficarão melhores? Não sei, não te posso dizer, até porque aínda estou a meio do caminho, mas acredita que tudo tem um fim, pelo menos é o que dizem...há sempre um ponto de luz na tempestade. Tu perguntas quem eu sou, posso ser muita coisa para ti, um anjo, um amigo, alguém que cuida de ti, mas não interessa quem sou, interessa que estou aqui para ti, mas tens de confiar em mim. Apesar de me teres virado as costas, eu não me fui embora, estive sempre presente. Basta dares a tua mão que eu estenderei a minha para ti, e assim seguiremos juntos por este caminho escuro, bora lá?

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publicado às 00:22


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